quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Terapia do Aniversário

Mais um ano, período do tal inferno astral, menos colágeno e elastina e mais ruguinhas, mudança na idade, balanço pra ver o saldo positivo... essas baboseiras 'meio lugar comum'. Mas neste, justo com grana contada, resolvi fazer a terapia do aniversário: Sim, estou viva! encarnada! joelho dói, aumentou o grau da miopia, tem sempre algo na pele pra cuidar, mas tô me sentindo uma menina de 20! Então comemoro. Casa paga, contas em dia, reforma feita, então comemoro! Família linda, amada e com saúde. Então comemoro. E mesmo sem festa, foi uma festa esse meu dia, porque meus amigos fizeram a festa. Despretenciosamente, convidei os mais chegados, que moram perto, e os intimei pro abraço e a maioria conseguiu tirar um tempo bom de uma terça cheia de tarefas e afazeres, trânsito terrível dessa cidade e outros inconvenientes do dia a dia, e apareceram. Foi ótimo. Sem contar os que ligaram, mandaram mensagens e scraps do velho orkut ou mensagens no mural do FB. Amei. Penso que aniversário é nascer de novo, repensar o que tá legal e tentar mudar o que não tá, retomar velhos sonhos, fazer a viagem interna do auto-conhecimento e o mais importante, por um dia, reafirmar que somos a pessoa mais importante pra nós mesmos e muito querida para nossos queridos.
E foi assim o meu dia. Praia no quintal e café da manhã com meus meninos (Arthur, Lete e Lucas)...
Almoço no Aliança Francesa, cineminha pra ver "Um conto Chinês", que coincidentemente fala um pouco dessa importância de viver intensamente antes que a vaca vá pro brejo (ou caia do céu, no caso do filme), e happy hour num boteco legal rodeada de queridos. Amei e agradeço ao universo e a cada um dos meus queridos que me dedicou um segundo, um minuto, uma hora ou o dia inteiro. Foi mágico!
Ah, só somando! Felicidade agora http://www.youtube.com/watch?v=nv84cE_bfEI&feature=share

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Espírito antigo

Espírito antigo escolheu 17 de janeiro. Não vou falar o ano, mas foi não só sob o signo solar dos caprinos, como também o ascendente e o lunar em capricórnio. O que espírito antigo queria que eu vivesse? Caprinos são rígidos, orgulhosos, não gostam de admitir seus erros, mas quando os assumem, sofrem neles e com eles por anos. Desenvolvem dores em joelhos e juntas, olha só no meu caso, o resultado... Também pensei que estava com uma pressão alta que nunca mais me largaria. Mas para minha sorte, era apenas stress. ** Caprinos são organizados, perfeccionistas, meticulosos, criaturas chatas mesmo na arrumação. Tradicionais, conservadores... Um móvel meu não sai do lugar nunca, apenas nas mudanças, para na casa nova, encontrar quase o mesmo lugar. Caprinos são amantes sérios, levam a fundo as relações, quando se envolvem... mas custam se envolver... lembram da moça do caritó? Caprinos são pais responsáveis, tratam seus pequenos como adultos, coitado de meu menino! Caprinos são céticos, materialistas, só chegam ao espiritual pela dor. Olha eu aí... Quando são magoados, até perdoam, mas não esquecem. Penso que são rancorosos. E não há segunda chance. Tem histórias assim? Reservados, são amigos fiéis. E quando assumem compromisso, se esbagaçam para cumprir. Isso gosto, neste que foi o signo de Jesus. ** Sob tal destino, que em algumas coisas me incomodava, Espírito antigo talvez me enviasse um recado há anos: viva assim, suporte o fardo, mas melhore. E quando conseguir evoluir, se liberte! Hoje tenho de aquário mais leveza pra sonhar e ter minhas crenças. Encontrei meu nirvana. De áries, um pé na arte, parindo uma criatividade com muito custo. Estou tentando ser câncer nas relações afetivas e aprendendo a 'ficar', pra também aproveitar mais a vida. E de touro, lidando melhor com a sensualidade. Penso que virgem quer me dominar na organização e não sei se conseguirei um dia conviver com bagunça. Mas peço a libra que se imponha nesta situação. Peixes me deixa manipular uma mulher mais leve e lúdica. Leão está me ensinando a levantar a voz e reclamar. E escorpião a ser ferina se preciso. Com sagitário, buscando interagir mais e de gêmeos, porque comunicar já era importante, estou nesta maravilhosa terapia de dividir o que me vai na alma. E penso que Espírito antigo é quem mais vai lucrar com minhas tomadas de decisão zodiacais. Quero um espírito antigo mais moderno quando me for...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Morro de amores

Eu conheci Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, quando era muito jovem. Eu não tinha 18 anos. E Morro era apenas uma vila de pescadores. Não tinha prédios, apenas sobrados, não tinha hotéis, apenas pousadinhas e os moradores alugavam quartos de suas casas para os pouco turistas. Tinha um orelhão da Telebahia, ainda com fichas, na rua da fonte, e a fila era enorme sempre, para falar com minha mãe e dizer que eu estava bem. Mas já tinha restaurantes interessantes, tanto de moradores quanto de turistas estrangeiros que, tendo ido pela primeira vez, foram tomados de uma paixão por aquele lugar e lá ficado.
Penso que, se eu fosse mais velha, e se tivesse de onde herdar algo e não precisasse estudar, teria ficado em Morro pra sempre, naquela primeira vez. Lembro de ter visto o por do sol, com uns poucos amigos, mas junto com muitas pessoas desconhecidas mas que tinham um sorriso no olhar, uma cumplicidade. Alguns tocavam violões em seus pequenos grupos, mas todos de alguma forma estavam ouvindo música. Alguns casais abraçados, uns pareciam namorados, outros pareciam amigos. Todos admirando um astro lindo, o sol, que se despedia do dia, à oeste. E do outro lado, a leste, não demorou quase nada, uma lua que nasceu saindo do mar, enquanto eu estava deitada na parede do forte, a parede mais grossa que eu já tinha visto na minha vida. A fortaleza de Morro. Um cenário inebriante. E a lua fez um caminho de luz rasgando o oceano. Vi que muitos estavam fumando canabis, mas eu não estava. Eu era muito conservadora quando jovem.
Mas ainda assim, havia algo mágico, algo que preencheu meu espírito naquele lugar.
Lembro que a cada descoberta, desde a paisagem panóptica do farol, o banho de argila no caminho para Gamboa, a noite cheia de pessoas a transitar com suas sandálias ou pés descalços, na areia da rua mais importante da vila. Ao interagir, eu ouvia cinco, seis línguas diferentes... Tudo-aquilo-junto-misturado,  deixou-me cheia de um sentimento de pertencimento.
Nos anos seguintes, sempre que podia, ia à Morro. fui morar fora, mas sempre que visitava a  Bahia, ia à Morro.
Levei meus irmãos, mãe, meu namorado Wilson, meus amigos... e ao observar as alterações no lugar, eu ficava sempre com certa nostalgia.
Colocaram luz elétrica nas praias, construíram prédios e grandes hotéis. O Morro passou a ter baladas, os moradores e pescadores da vila se foram, pois cederam lugar aos empresários.
Boa parte da mata foi retirada para virar desde aeroporto, até grandes resorts. Calçamento, telefone celular, internet.
Mas meu sentimento de pertencimento permaneceu. Esta semana fui apresentar Morro de São Paulo a Arthur.
Como lá não tem carro e tem que subir e descer ladeira, sempre que fui, nos últimos anos, deixava Arthur de fora do programa. Ele só tem 8 aninhos mas andou, caminhou, cansou! nem fomos ao farol. Mas fomos até a quarta praia. Ele também se apaixonou.
A todo momento ele dizia: mamãe, a água é linda, a vista é linda... gostou das ruínas, das casas da vila, ele ficou mesmo deslumbrado.
Penso que o meu menino é como a mãe, um ser visual, que é tomado de amores por belas paisagens.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Roupa de Morrer

A vovó costurou a roupa de morrer, ainda aos 60 anos (lembro que hoje ela tem 96). Era uma tradição. Ela costurou a dela e a de muita gente, que trazia o tecido. Duas peças: branca pra usar por baixo e por cima, azul ou preta. A dela já foi lavada algumas vezes, porque adoecia, pensava que ia, preparava a roupa e dias depois ela voltava a ser guardada por anos. A última vez foi no lance da UTI, em outubro de 2011. Deuza, a secretária do dia, disse-me que lavou e levou o modelito pra Salvador, à pedido de vovó. Ri muito quando vi a peça rara: Roupa de Morrer de Rir. Fotografei... Camisão azul, anágua, a camisola (branca) o véu azul e o cordão para marcar a cintura.
Eu já disse aqui hoje que quero algo mais bonito no meu funeral. Nada de mortalha.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Espaços vazios

Foram anos de lembranças somadas, sempre nas mesmas condições: férias, viagens ao Conde, casa dos meus avós paternos. Casa cheia. Pais, tios, primos: barulho de família grande, sons que nunca incomodam. A mesa sempre posta, refeições demoradas, 'merendinhas' entre as refeições: bolos, doces, biscoitinhos (adorava os de nata), variadas frutas. Eu era muito magra. Podia comer de tudo e não engordava. E ouvia minha avó: ‘Avia menina, vai comer para ganhar corpo’. Coisas tão repetidas nestas lembranças: meu avô sempre comprava uma melancia para que eu e ele dividíssemos com prazer (fazíamos aposta para ver quem comia mais). Havia sempre água de coco na geladeira e eu não gostava do sabor da água do filtro de barro. Banho no rio da Ponte, no rio de Pedra, na Cachoeirinha, no Itapicuru, no Sítio do conde, na Barra de Itariri. A gente adorava água. Mas a água do chuveiro da casa de minha avó era sempre gelada e podia ter o sol que fosse, era uma tortura tomar banho. Minha avó guardava sapos em um pote de barro. Eu soube que era pra remédio. Credo! Eu achava que era bruxaria. Minha avó era sempre muito durona. Matava cobra, sangrava galinha, cabrito, porco, ela quem matava os bichos para fazer pro almoço. Podia ser bruxa, eu pensava. Um dia ela matou uma barata que estava na parede, com a mão. Era bruxa! tive a certeza de menina. ... Soube por minha mãe, há pouco tempo, que andei tomando o tal 'remédio' que ela fazia com óleo da banha das costas do sapo, quando tinha quatro aninhos e que foi assim que curou-se uma bronquite asmática. ... Maior, com dez anos, lembro das mesas de baralho, aprendi a jogar 'terno' de quinze, ou de treze. Meu avô e meu pai me ensinaram. Gostavam de jogar comigo como parceira. E era bom vencer com eles. Lembro dos primeiros paqueras, 14, 15 anos... dos beijinhos na praça, e das broncas que eu levava, porque eu era considerada avançadinha pros padrões do Conde: não se beijava em praça pública. Até meus 17 anos eu lembro bem que a rotina era parecida. Então meu avô se foi. Meus tios Valdir e Zelito, o mais novo e o mais velho, respectivamente, também já tinham desencarnado. Eu cresci. Fui para longe. Nas visitas à Bahia, ia ao Conde encontrar além da minha avó, meu pai, que separado de minha mãe, havia voltado a viver com minha avó em sua cidade de origem. Então preenchi minhas lembranças com novos roteiros: eu , meu pai e minha avó indo à feira da Ribeira aos sábados. Eu e meu pai indo à praia, visitando a fazenda Capoeira, indo a botecos, tomar ‘uma’ e falar da vida. E contávamos coisas de almas amigas. Eu com minha câmera, fotografando tudo.
Depois, a cada visita, eu me habituei a ficar procurando fotos antigas nos arquivos da família. Achei um daguerreótipo e um calótipo na caixinha de tesouros. Foi um achado! Depois voltei a viver na Bahia, Arthur chegou em 2003 e comecei a ir menos ao Conde, sempre para almoçar no dia 25 de dezembro, ficava apenas de um dia para o outro. Mas mesmo em estadia tão rápida, sentia os espaços vazios, tudo tão calmo, e tão pouco a colocar nas novas lembranças. A menina que havia estado ali a vida inteira ficava deprimida com a casa vazia. Tio Nivaldo se foi em 1995. Em 2007 Áquila se foi. E minha avó ficou morando só, apenas com duas empregadas: uma de dia e outra de noite. Minha tia, sua única filha viva, dos cinco que teve, dividindo-se entre Salvador e Conde. 2012. Vim passar alguns dias nesse janeiro novo. Os espaços da casa também oprimem minha avó.
Toda hora ela conta coisas de uma casa cheia. Coisas que só imagino, porque são da época em que seus meninos eram pequenos. E ela fala da dor de perder 4 dos seus 5 filhos. Se para mim, que ia apenas nas férias, dói ver a casa vazia, imagino para essa senhora de 96. O último comentário dela quase me fez chorar de rir: "A morte ensaia, parece que vem me visitar, depois foge de mim, com medo". Ela falava da semana que passou na UTI cardíaca, em outubro de 2011.
Ando pela casa, vejo fotos antigas, ainda há bolos e biscoitos, doces e frutas na mesa. Mas não é mais minha avó quem vai à feira, nem é ela quem faz as guloseimas. E hoje, nessa luta com a balança, para não sair dos 54kg, belisco com menos prazer o que há na geladeira. A menina se revolta. Mas a mulher tenta convencê-la que a vida é mesmo assim. E que bom que há tantas lembranças nestes espaços vazios. Basta olhar com olhos de quem pode agradecer ao universo ter estado lá, em outros tempos, vivenciado tantos sabores, cheiros, ouvido tantos sons agradáveis e poder recordar tudo isso com saudade. Saudade só existe porque temos a certeza de ter vivido coisas boas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Para as memórias do meu menino

Passei mais um final de ano com a família paterna de Arthur. As pessoas perguntam se não tenho outro lugar pra ir no Natal e no Ano Novo. Tenho, sempre tenho. No natal tinha as casas dos meus irmãos, onde estavam sobrinhos, cunhadas, minha mãe. E no Reveillon tinha o barco na Barra com a Galera linda e alto astral do CS. Tinha uma viagem muito legal, que era acompanhar Manu e Márcia à Chapada ou ainda ficar com a Mara, mãe amada, que este ano curtiu pra caramba em Ilhéus. E tem ainda os amigos que convidam pra festinhas em lugares legais... sim, sempre tem. Mas enquanto Arthur ainda fica conosco, enquanto ainda não tem a programação própria, penso que é importante estar perto, estar próximo. E também porque a família paterna dele é muito especial. Uma grande família, que nas festas, sua avó Tanea sempre reúne filhos, irmãos e sobrinhos, primos, e gente amiga que como eu, curte estar por perto. E tanto no Natal como no Ano Novo, sinto que essa família, que não é perfeita, que tem suas complicações como toda família, tem uma energia a mais. Eles se deslocam o tanto que for preciso, para estar junto. E consegue agregar a todos, incluindo genros, noras, novos ou antigos e até os exs, namorados e amigos de sobrinhos, de primos, etc, etc... E tudo com muito carinho e aconchego. E quem vem sempre volta.
Penso que pra meu Arthur é tudo muito simbólico. Crescerá e assim como eu, recordará seus natais e reveillons de menino. E essas imagens legais, as resenhas dos bêbados de plantão, dos presentes que todo mundo curte, das comidinhas maravilhosas (e aí inclui-se as sobremesas divinas, a cargo da tiadinda Itana)
Tem a set list que o tio Roni (nosso Dj oficial), seleciona, e que faz todo mundo mexer o esqueleto.
E tem os momentos na praia, sempre com muita farra, rodeado de primos, para enriquecer as memórias do meu menino.
E lembrará, que mesmo separados, ele teve sempre por perto uma mãe e um pai, pra beijar à meia noite, quando o Natal e o Ano Novo se fortalecem.
Este ano, a casa na praia tava tão cheia em Ano Novo que resolvi comprar uma barraca e dormimos na varanda. Meu menino adorou.