sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

As muitas lições e intuições

Há alguns anos decidi frequentar Centros Espíritas, ler o evangelho e estudar mais. Acredito que é um dos caminhos para evolução. E tenho sentido essa presença da espiritualidade com muita força.
Há alguns meses vou a um ritual, o Kumbaya, que acontece sempre no primeiro domingo do mês, em um Centro respeitado. Neste dia há um passe mediúnico, uma palestra e uma benção, onde o coordenador da casa convida todos os trabalhadores, encarnados e desencarnados, além dos presentes, para um momento de confraternização pela música e oração, o Kumbaya. É um momento rico, de grande energia. Sempre choro. Sinto os cabelos da parte central da minha cabeça arrepiando. É mágico, único. Meu corpo é tomado por um sentimento de amor enorme, só comparado com a primeira vez que vi Arthur. Um amor pela humanidade, algo que não consigo explicar, como se eu não me pertencesse, não me controlasse, e me toma a alma de esperança e aumenta a minha consciência de que sou tão pequena.
Sempre sinto Áquila, meu pai, perto de mim quando estou lá. Já são mais de seis meses indo ao Kumbaya e sempre é a mesma coisa. É como se ele tivesse reservado esse momento para me dizer que está por perto, que não se descuida de mim.
E todas as vezes, todas, recebo lições e tenho intuições maravilhosas. Elas vem em pensamentos completos, fortes, cheios de revelações sobre como preciso melhorar, e sobre coisas que me rodeiam.
No primeiro, que fui com uma tia, ela, havia anos, não ia àquele Centro. Eu, como residira fora da Bahia por dez anos e depois que retornara, há quase dez também, nunca em Salvador, havia ido ao Centro poucas vezes. Mas via as apresentações de seu coordenador na TV. Comentávamos que alguns Centros Espíritas eram mais sérios, não tinham música, nem piadas e minha tia disse que gostava mais desses. Havia um certo preconceito em sua voz. Eu, que sempre gostei de apresentações dramáticas, gostava de ver um pregador do evangelho que é criativo e usa humor, mas sempre achei que o coordenador exagerava nas piadas.
Já no primeiro momento da palestra, após uma piada onde todos riram muito, ele começou a contar como o cristianismo se afirmou frente às religiões pagãs, sempre tão alegres, tão livres, tão cheias de festa, música e alegria. Foi com sua seriedade, sua sobriedade e suas proibições, que o cristianismo e o catolicismo, principalmente, se fez respeitar. Mas que em momento algum foi Deus quem nos tirou a musicalidade, a alegria, o humor, nos momentos de nos dirigirmos a ele. Religare é antes de tudo estar mais próximo e por meio de todos os nossos sentidos, com Deus. Puxa, foi um soco na boca do estômago. Para mim e para minha tia. Foi a lição perfeita, para quem julgava que a alegria não pode estar vinculada aos templos. Sai de lá tão feliz que resolvi voltar em todos os primeiros domingos do mês.
Na segunda vez, ao ouvir a canção 'amigos para sempre', senti a música como mensagem de meu velho pai. E a palestra foi sobre a presença dos espíritos em nossas vidas. Na terceira, cheia de tristeza na alma, pois tinha perdido um amigo querido em acidente bobo, causado por outra pessoa, me angustiava saber se todo mundo morre na hora certa. O coordenador abriu a palestra dizendo que estava recebendo uma caravana de Juazeiro, de mães que haviam perdido filhos em acidentes. Elas o haviam questionado sobre como filhos queridos e cheios de sonhos poderiam morrer tão jovens? E ele disse que ninguém vem aqui com planejamento de ser morto pelas mãos de outro e que ninguém planeja evoluir (sentido da reencarnação), tirando a vida de alguém. Logo, mortes causadas por outras pessoas, na maioria das vezes, são mortes precipitadas. Saí de lá consciente que meu amigo havia morrido cedo. E precisava de muita oração. Por intuição, pedi a família dele que lhe dedicasse missas e cultos, fossem quais fossem suas religiões.
Numa outra ida, quando estava com uma amiga e aluna precisando de conselhos sobre seu TCC na faculdade, intui um projeto interessante. E que beneficiaria um outro amigo, que está doente. Algo que pretendemos trabalhar juntas e que vai fazer bem a ele, que está precisando de incentivo para lutar pela vida.
Em outra vez, feliz por estar com a vida organizada e com tudo à contento, perguntei porque tenho tanta dificuldade de cultivar um relacionamento afetivo.
E intui que preciso evoluir. A minha alma gêmea aguarda para se aproximar, mas eu, muito intolerante, preciso melhorar essa intolerância aos defeitos alheios e melhorar-me para que possa aceitá-la. Se ela, minha alma gêmea, aparece agora, não vou dar conta de conviver com ela.
Enfim... lições, aprendizados, intuições.
É uma longa caminhada. E em 2010, rogo aos superiores que continuem me intuindo, me levando aos lugares certos para que eu escute aquilo que meu velho espírito precisa ouvir.

Um comentário:

Isa Mozzer disse...

Sua disposição pra melhorar como pessoa, evoluir sempre é tão bonita... Isso pq há pessoas que não tem a dimensão do quanto isso é importante. E vão vivendo, sem saber que poderiam viver bem melhor.