sábado, 14 de outubro de 2017

Sexta-feira 13 de terror em Montalegre

Lá fomos nós, eu e um grupo de amigos, para a cidade de Montalegre, para viver uma noite de sexta-feira 13 numa cidade a 77 km de Braga, por conta de toda a propaganda que a cidade faz em torno da festa.
A propaganda pode ser vista neste link. É mesmo uma propaganda fantástica. A cidade toda enfeitada, os moradores a vivenciar o clima de fantasias do terror.
Mas é preciso muita paciência e logística para dar conta da festa. Eu vivi a pior sexta-feira 13 de minha vida (até o momento). Sem superstições, penso que foi uma noite que tinha tudo para ser agradável e engraçada e foi um caos. Já na estrada, na entrada da cidade, um engarrafamento como nunca tinha visto em Portugal. Ficamos mais de uma hora andando e parando. E descobrimos que todos estavam parando os carros na estrada. Mas eu estou com a perna ainda machucada, andando com tensor reforçado e muletas, quando em declives e aclives, e isso não nos permitia por o carro na estrada. Mas ao chegarmos no acesso ao centro da cidade, nos deparamos com a polícia a impedir o acesso e o jeito foi parar no acostamento. Sem saber a distância, lá fomos nós, caminhando. A cidade fica num buraco e tivemos que descer por 2 km uma super ladeira. Eu, com muita dificuldade, imaginava que iríamos de carro, que não teria que andar tanto. Amigos me ajudando e amparando, chegamos ao centro. A temperatura em Braga estava 20 graus. Quando chegamos em Montalegre, estava 10 graus. Todos com muito frio, pois os nossos casaquinhos não suportaram a brusca mudança.
A festa era muita gente e nenhum lugar para sentar.
Saímos da área da festa para um restaurante perto para tomar sopa e havia um grupo de Bombeiros Voluntários. Minha amiga Karla explicou a situação a um deles que logo se mostrou prestativo e me levou no carro dos bombeiros de volta aonde estava nosso carro. As meninas tiveram que voltar andando todo o percurso e no frio. E na volta enfrentamos novo engarrafamento. Chegamos cansadas, sem ânimo, nossas fantasias de bruxas pareciam tão fora da proposta...
Da festa, concluí que há muita propaganda e ela é eficiente. Atrai um mundo de gente, mas a cidade não está preparada para toda a população que atrai.
Eu não volto mais numa sexta-feira 13 à Montalegre, muito embora tenha achado a cidade bonita, espero voltar de dia, em dia normal, pois me encantou a paisagem.
Hoje, com dores na perna doente e no outro lado do corpo por compensar tanto em um declive, penso que é mesmo um risco ir a um lugar sem conhecer nada sobre ele, mas não há nada que diga que o acesso é tão complicado. Por isso esse registro, para que quem intencione ir, pense nas alternativas
mais viáveis para enfrentar tal maratona.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Comida, saudade e afeto

Portugal tem sabores fantásticos. Tenho feito fotos de pratos e delícias que já experimentei neste pouco mais de um ano cá e vou falar sobre isso em breve. Mas este post é para falar de comida e afetos.
Eu descobri um mercadinho cá em Braga, especializado em alimentos para brasileiros, então achei pertinente contar algumas curiosidades, descobertas e necessidades que uma brazuca, uma brasileira como eu, sente cá em Portugal.
Quando eu cheguei eu me encantei com os super mercados portugueses. A variedade de frutas, tipo exportação, que no Brasil se paga muito caro, aqui é comum. Em todos os super mercados, nas quitandas, você não vê uma fruta velha, amassada. Tudo é sempre muito bonito. E os preços? parecidos com os do Brasil. Aqui eu pago o equivalente a 4 reais por um kilo de banana. A banana vem da ilha da madeira ou da costa rica.
Mas pago também o equivalente a 4 reais por meio quilo de cerejas, na primavera. Meu Deus! Nunca comi tanta cereja em minha vida. Cereja no Brasil é coisa de rico, eu comia um pouquinho, contadinhas as cerejinhas,  quando achava em promoção.
Maçã aqui é o mesmo preço e pera é bem mais barata do que no Brasil. É aquela pera pequena, portuguesa, deliciosa. Também a uva, de vários tipos e tamanhos, compro barato aqui. Portugal produz muito vinho, tem muitas plantações de parreiras de espécies variadas. Há uma uva bem pretinha e pequena que é um néctar. Deliciosa e baratinha.
Aqui, caro é um mamão. Nunca comi mamão desde que aqui estou. Paguei o equivalente a dez reais por um pedaço de melancia, porque estava com muito desejo, eu adoro melancia e creia, a melancia que comprei estava ruim. Não é igual a nossa.
Paguei o equivalente a seis reais por um pedaço pequeno de abóbora para fazer uma sopa. Porque eu também adoro sopa de abóbora.
Paguei o equivalente a 8 reais por duas bananas da terra, que cá se chama banana de fritar, e só tem em um mercado. E creia, a banana que eu comprei, estava verde e ficou verde a vida toda, não madurou, foi ficando podre e eu querendo aproveitar, cozinhei e nada de amolecer. Perdi meus dois euros e pouco.
Bom, eu sou apaixonada por cuscuz. Então eu trouxe na minha mala um pacote de farinha para cuscuz. Quando acabou, lá fui eu procurar, e achei uma massa de cuscuz marroquino, 500 gramas custam o equivalente a 9 reais.
Caroooo, mas é o custo de ter saudade.
Carne de charque e carne do sol, eu nunca vi. Meu feijão cá tem bacon e linguicinha. E só.
Compro meu feijão em lata, cozido e sem tempero, e aí eu coloco bastante alho e cebola. Fica comível.
Mas Portugal me conquistou pela padaria. Os pães daqui são maravilhosos e baratos.
Compro sempre uma baquete rústica, linda, que custa o equivalente e a 1 real e cinquenta.
Os Croissants, fofos, deliciosos, cada um custa o equivalente a um real.
Há uns brasileiros que já descobriram que vender comida do Brasil dá dinheiro. Descobri um mercadinho que tem café, cocadinhas, paçoquinha, tem goiabada cascão, tem massa para pão de queijo, tem farinha de tapioca. É um paraíso.
Eu tenho uma conhecida que vende uma quentinha com vatapá e moqueca, ela traz do Brasil bastante camarão defumado e azeite de dendê. Ela é carioca, mas morou muitos anos na Bahia, daí ela cozinha, com aquele jeitinho que só uma baiana de alma tem, e ela vende uma porção de moqueca de algum peixe daqui, com alguns camarões e uma porção de vatapá, maravilhosa a comida. A porção dá para comer duas pessoas. Ela cobra o equivalente a 36 reais cada porção. Eu comprei e fiquei comendo de pouquinho.
Comia quase chorando de tanta emoção! Foi tão bom.
No custo da saudade, eu queria mesmo era um acarajé e beber uma água de coco. Comida é mesmo um carinho para alma. Eu sei que ainda vou descobrir muitas comidas gostosas nesta terra lusitana, mas confesso que a nossa comidinha brasileira faz uma falta...

sábado, 30 de setembro de 2017

Sobre verão e inverno em Portugal

Eu cheguei em agosto de 2016 e confesso que não estava preparada para o final do verão europeu. Sofri nos primeiros dias com um calor que me paralisava. Eu já morei em cidades quentes e cá me pareceu uma mistura de Cuiabá com Petrolina. Então foi um susto. Teve dia de 42 graus, sem umidade, uma coisa estranha. Passei muito mal. E havia incêndios em todo o lado. Eu via helicópteros todo o tempo, a carregar água para jogar nos incêndios, pois os arredores de Braga, onde eu vivo, estava em chamas.
Este ano o calor foi mais ameno. Houve um número menor de incêndios, porém houve um incêndio que foi uma tragédia, em Pedrogão, que matou mais de 60 pessoas, encurraladas nas estradas tomadas pelo fogo dos dois lados, pois Portugal tem muita plantação de eucaliptos, pinus, plantas que queimam fácil e estavam bem secas com o calor.
Mas o que mais me intrigava no verão de 2016, eu recém chegada, era ver tantos estrangeiros na cidade e tantas lojas no centro com placa de fechada para férias.
Este ano eu entendi, cá o verão é vivido ao máximo.

Em agosto, as cidades portuguesas são invadidas por franceses, holandeses,  ingleses e por um monte de portugueses que moram fora. Esses portugueses, que  foram embora daqui há anos, atrás de melhores trabalhos, são chamados de  imigrantes. No verão, eles retornam para ver a família que aqui ficou. Eles voltam muita vezes com maridos ou esposas e com filhos que falam outras línguas... então o que mais se ouve é outro idioma nos locais de turismo. Há meio que um preconceito local com os imigrantes, porque esses portugueses que se foram para melhorar de vida, voltam com carrões, gastam muito no turismo e tratam os residentes locais com uma certa arrogância, então virou uma rixa interna. Eu, como observadora, fico comparando com brasileiros que vão trabalhar em serviços braçais em outros países e voltam com seus narizes empinados a articular inglês e dizer que moram nos states... é igualzinho!
Mas o verão cá é mesmo uma festa. Turistas e portugueses lotam as praias, os shoppings, os parques, é uma loucura. Mas é também um tempo de eventos a céu aberto, tempo de shows, de cultura, de alegria.
No ano passado, quando setembro chegou, trazendo o outono, eu fui tomada pela surpresa de observar  os dias com variações  incríveis de temperatura. Este ano foi igual. O clima oscila tanto... Os dias iniciam com 9, 10 graus. Super  frio. No meio do dia, já estamos em 23, 24 graus e lá pras dez da noite, chega-se a 7, 8 graus outra vez. É uma montanha russa para quem tem sinusite como eu. E vi todas as árvores perdendo suas folhas, as folhas ficando amarelas, queimadas, caindo cada vez mais. Para uma brasileira que sempre viveu em áreas tropicais, foi impressionante ver a ação do tempo tão definida sobre os processos da natureza.
Quando novembro chegar, já estaremos no inverno. O inverno cá ao norte é uma fase estranha. Banhos rápidos. Aquecedor no banheiro. As pessoas ficam muito em casa. Não há eventos nas ruas. As pessoas andam cabisbaixas. Muita roupa, para sair de casa, dá uma preguiça. E quando se chega em local aquecido tem que ir descascando a cebola, como se diz por aqui, ir tirando as peças: luvas, cachecol, casaco grosso, casaco interno, as vezes o local é tão quente que se não estivermos com uma camiseta por baixo de tudo, vamos ficar suando. E na hora de ir embora, voltar a vestir a cebola. É uma novela.
Cá em Braga são sete meses de muito frio e cinco de calor. Eu me lembro quando em final de maio consegui vestir uma bermuda e colocar uma sandália. Desde outubro eu só usava botas e blusas de mangas longas. Ver minhas pernas de fora, amarelas, porque sou parda, foi até engraçado.
Então eu estou aproveitando esses últimos dias de setembro para usar minhas rasteiras, enquanto ainda posso. Na semana passada fiz fotos da chegada do outono, cenas cinzas, numa praia linda, de Esposende.

sábado, 23 de setembro de 2017

Os brasileiros descobriram Portugal

Esta semana uma notícia confirmou o que empiricamente eu já vinha observando: os brasileiros estão a invadir Portugal! (risos)
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras Português divulgou  que os pedidos de visto para residência no país aumentaram 1.300%. Isso mesmo. Antes de agosto eram 300 pedidos de visto por semana, para morar em Portugal. Já na primeira semana de setembro foram 4 mil pedidos de visto ( 4 mil em uma semana!)...
Claro que nem todos são brasileiros, mas sim, os brasucas são a maioria. Mas também há ucranianos, cabo verdenses, venezuelanos, entre outros. Em São Paulo, o consulado português já avisou que um visto, que levava em média 60 dias, agora tem o prazo de 90 dias ou mais. Só no mês de agosto deste ano, o consulado português em São Paulo recebeu mais pedidos de visto do que o total do ano passado inteiro. Esse atraso em emitir os vistos fez com que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras iniciasse um diálogo com as universidades Portuguesas, para que alterem seus calendários de seleções destinadas aos estrangeiros. Os vistos de estudantes são tratados como prioritários, por conta dos prazos para os alunos se apresentarem nas universidades portuguesas.
Mas para além da notícia, eu queria falar um pouco sobre essa moda por Portugal. Portugal está entre os países mais pacíficos do mundo. E suas universidades são bem classificadas na Europa. É como se os brasileiros de dois grupos bem distintos, estivessem descobrindo um novo cenário em terras lusitanas.
O primeiro grupo é o de jovens estudantes. As universidades portuguesas, em sua maioria, aceitam as notas do Enem. Talvez custear um filho em Portugal, seja mais em conta do que pagar uma universidade particular em uma grande cidade brasileira. Aqui sobram vagas de mestrado e doutorado. Há muitas opções de cursos bem diversos, alguns bem tecnológicos. Isso tudo atrai quem quer fazer uma universidade e ter uma experiência fora do país.  
E o segundo grupo é bem específico: são aposentados com uma situação financeira estável. Isso inclui profissionais liberais e funcionários públicos que estão aposentados, conseguiram ter algum patrimônio e querem vida mais tranquila.  
Cá em Braga o grupo de aposentados brasileiros é muito forte e só cresceu neste um ano que eu aqui estou. Eu conheci muitos casais que alugaram seus apartamentos no Brasil e vieram morar aqui. E o grande motivo é a fuga da violência generalizada no Brasil. 
Porque envelhecer é um processo difícil. O corpo  e a mente querem tranquilidade. E qual o idoso que consegue andar em paz nas ruas do Brasil?
Cá em Portugal o que mais se vê são pessoas com mais de 70 anos andando pelas ruas, sozinhas ou em grupos, nos cafés, lendo jornais nas praças. Uma vida muito tranquila. Aqui os motoristas de ônibus urbanos respeitam muito o idoso. Eu vi, diversas vezes, os motoristas aguardarem todos os velhinhos estarem sentados e em segurança, para então prosseguir. E olha que aqui tem é velhinho andando de ônibus. Não há pressa. A segurança, o respeito, são muito mais importantes. Também vemos muitos velhinhos nos eventos culturais. Participando ativamente. Então isso explica o quanto é importante envelhecer em um país que oferece dignidade ao idoso.  

sábado, 16 de setembro de 2017

Motorizada em Braga

Eu já comprei dois carros em menos de um ano em Braga. E eu nem pensava em dirigir por cá.
Mas pensando em melhor me locomover, pois aluguei uma casa em um local que não tem transporte público perto, acabei comprando um primeiro carro para ajudar uma amiga, que estava indo embora.
O primeiro carro eu paguei dois mil reais para a minha amiga, na época, o equivalente a 550 euros. Era uma carro ano 1986. Isso mesmo, um carro com 30 anos (foi em dezembro de 2016).
Super bem conservado, com 56 mil km rodados. Todo arrumadinho, com vidros elétricos, 4 portas! Mas era um carro duro de dirigir, um freio de mão que eu mal conseguia baixar e havia um problema no reservatório de água, tinha que completar todo dia. Então não gostei e acabei vendendo para um português que gostava de carros antigos, mas ele só me pagou 400 euros. Ai prejuízos!
Meses depois, cansada de esperar ônibus em um ponto a 800 metros de minha casa e de pagar taxi em dias de chuva e frio, eu comprei um carro ano 1996, com 270 mil quilômetros rodados. Isso mesmo. É um carro velho. 270 mil. Eu o comprei apenas para andar dentro da cidade onde eu moro.
Uma curiosidade, Em Lisboa o meu carro é proibido de trafegar. As regras da União Europeia proíbem veículos velhos de trafegar em cidades grandes, por conta do excesso de gases tóxicos emitidos por esses carros mais velhos.
Na verdade, eu comprei o carro já pensando no próximo inverno. Porque no inverno fica bem complicado transitar pelas ruas. O frio e o vento cortante são desencorajadores. Então para ir à Universidade e a um mercado fazer compras, o carro é um bem muito útil.
Neste último carro eu paguei 430 euros, mas ele estava com problemas sérios e não passou em um exame de verificação obrigatório e eu gastei mais 270 euros para consertar o que estava complicado e ele passar no exame. Ai prejuízos!
Cá, é possível comprar carros velhos mas em bom estado, desde que não se exija tanto do veículo. Alguns colegas meus, compraram carros por mil, mil e duzentos euros, o equivalente a 5 mil reais. mas são carros ainda muito bons para rodar e poder viajar.
O diferencial aqui, em carros velhos, é a forma de manutenção e a gasolina que é consumida pelo povo português. Uma gasolina de alta qualidade. Meu carro, por exemplo, faz mais de 16 quilômetros com um litro de combustível, na cidade. E na estrada, nas poucas vezes em que ousei sair de Braga, fez mais de 20 quilômetros com um litro. É um carro da marca fiat, um punto, 1996.  Ele é carro simples, de direção manual, não tem alta tecnologia. Mas a boa gasolina ajuda a manter a vida do motor.
Outro diferencial é o asfalto bom. Isso conserva o veículo. Aqui paga-se um imposto sob circulação mas se vê o resultado. O IUC é um imposto anual, eu paguei 38 euros de imposto.
Há ainda mais um diferencial. Todos os anos o carro é obrigado a passar por um exame de verificação de suas condições de segurança, onde se avalia tudo. Esse exame emite uma certificação e quando a polícia rodoviária nos para, em blitz, pede além dos nossos documentos, os documentos do carro, que inclui o resultado desse exame e também um seguro, que é obrigatório e que cobre as despesas de uma batida com outrem ou de um atropelamento. Se a pessoa não tiver esse seguro e essa carta de certificação do carro, o carro é apreendido e pode perder seu direito de dirigir.
Por isso fazer uma revisão geral anual e colocar o carro em funcionamento total é uma obrigação. Isso garante que o carro receba uma manutenção periódica. Vê-se muito carro velho na rua, mas difícil ver carro parado porque quebrou. Eu vi pouquíssimos em um ano.
É interessante perceber como algumas questões simples dinamizam a vida do cidadão. No Brasil todo mundo quer ter carro com menos de dois anos de uso. Aqui ninguém tem vergonha de ter um carro com dez, quinze, vinte, trinta anos de uso. Aqui orgulham-se de saberem conservar seus carros, a ponto de o veículo ser velho mas bom.
E com isso, ter um carro é algo muito acessível.
E com regras rígidas, com muitos radares espalhados, com muitas faixas para pedestres, com muitas passarelas pela cidade, percebe-se que o sentido de país que prioriza o cidadão, o ir e vir, o cuidado com o outro, é muito presente aqui em Portugal.
 Eu fiz exames de condução para transferir minha carta brasileira para uma carta portuguesa e algo que me chamou muito a atenção foi a preocupação com as faixas, o respeito ao pedestre e também, um sentimento de aguardar a sua vez sempre, no trânsito. Os apressadinhos cá não tem vez. Ninguém sai cortando faixa num engarrafamento. Ninguém tenta avançar sobre uma preferencial. O aguardar faz parte de uma obrigação moral. As rotatórias aqui, chamadas de rotundas, tem regras muito rígidas.
Estar aqui me deu uma sensação do quanto estamos atrasados no Brasil, na forma de lidar com as questões de trânsito, de tráfego e de propriedade de um veículo. Com certeza eu vou voltar muito mais consciente de preservar um veículo e do quanto essa cultura do carro novo é boba e só faz com que tenhamos cada vez mais gente ostentando veículos sem necessidade.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Porque caí - nada na vida é por acaso

Logo nos primeiros dias da entorse de ligamento de joelho, eu fiquei paralisada numa cama e lamentando: "Oh meu Deus, mas porque isso aconteceu comigo?". Sozinha, num país estranho, blá blá blá... enfim. Eu me achei tão vítima.
Daí um dia, após uma noite de sonhos cheios de diálogos com pessoas que eu nem conhecia, acordei com parte da conversa na cabeça:
Eu fui a minha algoz. Eu passei o ano sentada, a estudar e comer. Eu não fiz um único exercício físico em um ano. Eu engordei mais de seis kilos. Eu fiz escolhas equivocadas. De que adianta querer melhorar o intelecto se eu não tiver um corpo sadio?
Eu levei bronca dormindo! E de desconhecidos!
E não foi por falta de incentivo. A minha amiga e colega de sala, a Cris, ia nadar todo dia! falávamos de endorfina, serotonina, e das vantagens de nadar, e eu ... nada. Então eu era mesmo a culpada de estar naquela situação.

Daí fui procurar uma hidroterapia, após indicação de um profissional, também uma musculação funcional. Agora completa um mês que minha vida mudou. Vou quase todos dias ao ginásio de atividades físicas.
Lá no ginásio uma professora de educação física fez uma avaliação e constatou que estou com excesso de massa gorda, com pouca resistência muscular e pediu que eu mude  a dieta. Neste um mês, procurei não comer arroz nem batata, estou a diminuir o consumo de pães e guloseimas (que eu exagerei mesmo, pois cá em Portugal eles são mestres em delícias do pão), introduzi mais frutas no meu cardápio e mais importante, segundo ela, estou a comer a cada duas ou três horas, nem que seja uma fruta, um chá, algo para não deixar o estômago ficar vazio.
E já há diferença mesmo no peso. As roupas começam a ficar mais confortáveis. Estava tudo muito apertado.
Há também alterações no sono, no humor. Não sei como posso ter esquecido do corpo de forma tão profunda.
Então hoje repenso minha ideia sobre a queda, sobre a entorse. Penso que foi a forma do Universo me mostrar que não vai adiantar ser doutora doente. Não vai adiantar saber muito sobre algo se ainda não sei como conservar o corpo, estrutura que me foi destinada para que o intelecto, o emocional e o espiritual se manifestem.
A queda foi reconfigurada em minha história.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Um ano em Portugal

Esta semana completou um ano que estou a residir em Braga, ao Norte de Portugal. Uma amiga, que mora na Itália, questionou porque escolhi Portugal, logo que a comuniquei, e disse-me com todas as letras, que era uma escolha equivocada. Mas eu tenho muito a comemorar neste um ano.
Para quem me pergunta, o fato de ter escolhido Portugal para o meu doutorado, lembro do meu percurso e da minha necessidade:
Como todo professora de uma universidade, eu fui obrigada a buscar qualificação. Para quem não sabe, um curso só é bem avaliado pelo MEC, Ministério da Educação, se todos os professores daquele curso, forem bem qualificados. Então somos todos obrigados a fazer doutorado, pós doutorado, enfim, professor tem que estudar a vida toda. Então eu já tinha onze anos de concursada e estava esperando meu filho crescer, antes de me aventurar a fazer um doutorado. Eu precisava encontrar um bom programa de doutorado na área de fotojornalismo e semiótica, que é a área que eu estudo. Fora da Bahia, eu encontrei um em Santa Catarina, outro no Rio de Janeiro e também em São Paulo. Mas depois de analisar os prós e os contras de uma mudança de vida dentro do Brasil e de relatos de colegas que estudaram fora do Brasil, eu achei que a contrapartida de viver em um outro país seria interessante. E nesse estudo, nessa análise, eu acabei escolhendo ter uma experiência em Portugal por três grandes motivos:
1. Proximidade linguística, afinal escrever uma tese em outra língua é duplicar o desafio de tese.
2. Conhecer o colonizador. Eu sempre quis entender um pouco mais de Brasil e penso que vir a Portugal seria fazer um caminho às avessas.
3. Custo de vida reduzido. Eu vim sem bolsa, então eu tinha mesmo que buscar viver com pouco (salário de mestre, seco, retirado todas as ajudas de custo, inclusive auxílio saúde).

Eu fiz seleção em três universidades portuguesas. E passei nas três. Mas escolhi a Universidade do Minho, sediada em Braga. A UMinho está entre as melhores universidades jovens do mundo, pelo ranking Times Higher  EducationYoung University Rankings. Pelo quinto ano consecutivo, a UMinho está entre a elite mundial num dos mais prestigiados rankings internacionais. Esse ranking contempla um novo grupo de instituições universitárias de topo que, num curto período de tempo, atingiram um nível global de excelência em ensino, investigação, inovação e internacionalização. É uma lista com instituições com menos de 50 anos de idade.

Eu soube da UMinho, porque a Universidade em que eu sou concursada, a UFRB, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, tem convênio internacional com a UMinho na área de Educação. Muito embora não tenha em Ciências da Comunicação, que é o Programa em que eu passei para cursar. Cá na UMinho eu faço parte de uma turma de doutorandos, com oito alunos, onde tem três portugueses, quatro brasileiros e um nepalês.

Eu acabei escolhendo a UMinho também porque ela está sediada numa cidade muito interessante: Braga.
Braga é a cidade mais importante de uma grande região ao Norte. Perto da Espanha, a 80 km de Vigo, na Galiza. Braga está a 48 km da cidade do Porto, a segunda maior cidade de Portugal, depois, claro, da capital, Lisboa.

Braga é relativamente pequena, tem cerca de 180 mil habitantes, mas tem tudo que uma cidade grande tem, menos aeroporto perto. O aeroporto mais próximo, está na cidade do Porto.
Fora isso, Braga não deixa nada a desejar. Tem estação de trem, que liga Braga às maiores cidades e de lá para toda a Europa. E tem serviço de ônibus para a maior parte das cidades portuguesas. E o próprio serviço municipal de ônibus é bem organizado. Atrasa muito pouco.

Braga tem bons shoppings. Tem vida noturna, é uma cidade muito cultural. Tem eventos durante todo o ano. E o mais importante para uma estudante brasileira com  pouco dinheiro é que Braga tem um custo de vida acessível para quem não vive de luxos.

Toda pessoa que fala tem o seu lugar de fala. As experiências que nos marcam, elas são vividas pelo olhar que temos sobre elas, não é verdade? O meu lugar de fala é de alguém que veio para aprender.
Para vivenciar, além de todo o conteúdo dado na Universidade, viver também a experiência de estar fora do meu país, logo, fora da minha zona de conforto, de estar em país do colonizador, de estar em País que faz parte da comunidade internacional mais importante atualmente no mundo, a União Europeia. E nesse um ano, penso que vivi de forma muito interessante, pelo olhar estrangeiro, o quanto Portugal é um país encantador.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

T0 (T-zero) nunca mais...

T0 é a sigla para um ambiente único, com banheiro (ou casa de banho), que congrega em 30, 40 m² ou mais, um espaço de dormir, com cama e mesa de cabeceira, armário para roupas, também tem balcão de cozinha com pia, fogão, microondas e um frigobar (frigorífico), as vezes máquina de lavar roupa, e quase sempre tem mesa e cadeira.
Pois bem. Ao chegar em Portugal, busquei essa opção, pois queria custos reduzidos e claro, imaginei que um T0 seria mais fácil para limpar, para decorar, para manter (menos produto de limpeza), menos tapetes, etc... mas não conhecia as desvantagens desse ambiente.
Prédios com T0, tem diversos quartos desses, uns colados nos outros, e a privacidade é muito reduzida. Ouvi momentos íntimos de vizinhos com muita frequência. Também é complicado os saltos altos das vizinhas, os cachorros, e todo tipo de barulho, atentando para o fato do português costumar chegar em casa após as 23h com muita frequência e sair cedo para trabalhar, o que significa acordar com barulho de saltos altos e querer dormir e ter saltos altos ou camas rangendo em momentos de sexo.
Outra questão que vivenciei de extremo desconforto, foi um longo inverno, em que o ambiente do T0 é grande demais para um aquecedor normal fazer efeito. O aquecedor ficava ligado o dia todo e não aquecia nada. Minha conta de luz mais que dobrou  e eu ainda morria de frio em casa. É preciso um ambiente de 15, 20 m² para o aquecedor agir. E o T0 quase sempre é bem maior. Comprei tapetes para tentar aquecer o ambiente, comprei mais um aquecedor e nada. Eu passei a usar o aquecedor embaixo de uma mesa de granito, pois a pedra aquecia e liberava calor, mas quase sempre minha casa estava mais gelada do que quando saía para a rua. A noite, embaixo de um edredom mais grosso, tudo se resolvia, mas o dia era um tormento.
Outra questão que me incomodou foi receber um técnico para ligação de telefonia, ou consertar o bocal da eletricidade do quarto e ter uma cama no ambiente, porque dá sempre uma sensação de lugar íntimo. Complicado receber visitas. E o meu T0 tinha apenas portas para uma varanda. Quando abria, acesso para a vizinhança ver a intimidade. Agora no verão, o T0 é um forninho, pois se quero ventilação, tenho que expor meu quarto de dormir a quem está do outro lado da rua. Enfim, não foi uma experiência boa. Mas sim, fácil de limpar, fácil de decorar e relativamente barato.


Aluguei meu T0 por 240 euros mensais sem máquina de lavar. E tive amigas que alugaram T1 por 250, 270, e T2 por 275, 300... enfim... penso que hoje com a experiência que tive, penso que pagar um pouco mais também compensava.
Fica a dica para quem nunca viveu a experiência, saber como lidar com as vantagens e as desvantagens.
 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Escola de verão, sessão de mentoria e solidariedade na pesquisa

A Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação, a Sopcom, realiza há três anos um evento dedicado aos doutorandos em início de pesquisa. Faz parte das ações do GT Jovens Investigadores. Este ano, para minha sorte, foi realizado no Porto, na Universidade Lusófona.




Mesmo mancando, lá fui eu. Participei de workshops, palestras e sessões de mentoria.  A troca de experiências, as dicas sobre importantes autores e teses, o encontro com quem pesquisa objetos que tem certa proximidade com o nosso. Tudo muito interessante para quem está iniciando a pesquisa.
A sessão de mentoria da qual eu estava inscrita, foi coordenada pelo Professor Rui Pereira, que fez uma explanação maravilhosa sobre a necessidade de pensarmos o doutoramento como uma grande aventura na busca do conhecimento.

domingo, 25 de junho de 2017

Uma queda e mudam-se planos, pontos de vista e energia

Eu escorreguei. Para não cair, tentei me equilibrar e intuitivamente, joguei meu peso na perna direita, que não suportou. O 'creck' que escutei parecia vir da minha alma. Caí.
A queda não foi por ter escorregado. Foi algo além. O joelho, sobrecarregado pelo peso do reequilíbrio, pareceu sair do lugar. Eu caí de dor. Uma dor aguda que saiu do joelho para toda a perna, que pendeu e eu caí.
Conto em tantas frases algo que foi rápido. Mas em minha mente foi lento porque eu tentei entender naquela fração de segundos o que estava a acontecer.
Na queda, uma incompreensão, pois eu tinha conseguido me reequilibrar.
Mas o joelho não suportou o movimento rápido nem o sobrepeso.
Resultado: uma entorse de ligamento cruzado posterior.
Machuquei o joelho direito e tudo na minha vida pareceu pender para o esquerdo da vida.
Um dia depois da queda, com muita dor, eu me dei conta que estava tudo errado: eu, sem parentes em um país estranho, morando em uma casa afastada, sozinha na casa, em estado físico debilitado e emocionalmente em queda.

Os primeiros dias foram praticamente de cama. Gelo. Pomadas.


No hospital tiraram radiografia. Nada quebrado. Eu já sabia. Deram-me injeção, comprimidinhos embaixo da língua para relaxar. Uma receita com anti-inflamatório, relaxante e remédio para dor e a recomendação de repouso. Nada de imobilização, nada de ressonância...
Eu esperava um tratamento diferente do que recebi e isso também teve um impacto no meu já debilitado estado emocional.
Como assim, ir para casa e repousar? como assim se eu coloco a perna no chão, tento andar e se equaciono o peso do corpo sobre a perna com o joelho magoado, dá-me uma dor aguda... explico ao médico, ele me olha mas parece que não me entende. É um clínico.
Nem a um ortopedista fui encaminhada.

Então o jeito foi apoiar sempre o peso na outra perna e andar muito devagar.

Dias depois o inchaço diminuiu, mas o joelho continua tendo vida própria. É como se houvesse algo solto.
Se eu apoio o peso nas duas pernas e caminho, do nada meu joelho vira sozinho e só sinto a dor aguda.
Remédios e repouso.
Mas passei a repensar muitas questões sobre estar fora e só. E também sobre como Portugal trata entorses de ligamento de joelho. Eu, paciente, estou tentando cuidar de não ter sequelas, pois para o médico que me atendeu, o fato de não ter quebrado era só o que contava...

Dez dias em casa. A rotina permite no máximo sentar e estudar. E em todas as vezes que tentei colocar todo o peso sobre a perna machucada, para andar de forma normal, dores agudas.
Mas é preciso sair, fazer coisas que não esperam.
A outra perna, que tudo passou a sustentar, agora dói também. A coluna está sobrecarregada. Sinto dores no corpo de forma generalizada.

Mas é a alma que não pára de doer.
A alma que quer mãe, que quer filho, também quer Pai e Espírito Santo. Sonhei com meu pai, o que não ocorria há meses.

A alma quer casa. Quer mimos.
Quem cai, despenca no humor, rola na ladeira abaixo da tristeza.

Hoje, dia 30, uma pequena edição para contar uma novidade: consegui emprestadas as muletas que devem começar a me tirar desse abismo.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Meu São João de frustração

As festas juninas tão populares no nordeste do Brasil, cá são muito parecidas. Desde que eu cá estou, ouço falar do São João em Porto, com sua festa na Ribeira e em Braga, com suas manifestações de rua. Então havia grande expectativa.
Em Braga eu fui no primeiro dia de festejos. Vi como o centro da cidade estava bonito, decorado.

A avenida central é sempre palco de muito cuidado por parte da administração pública. Vi o primeiro show. Vi um cortejo de cabeçudos e fantasiados. Fiz umas fotos.







Mas daí que eu me machuquei, não pude ir outros dias, e olha que foram mais de dez dias de festa!  e fiquei de 'molho', em casa, sem ver nada. Só restaram as fotos...



sábado, 3 de junho de 2017

O Vinho Verde da canção

Quando mais jovem, escutei um dia a canção que dizia:  "vamos brindar, com vinho verde pra que eu possa cantar, canções do Minho que me fazem sonhar, com o momento de voltar ao lar"

E nunca, nunca, antes de 2015, pensei que um dia cantaria essa música com sentido inverso ao cantor. Muito embora não sinta saudades desse Brasil tão complicado, sinto saudades do lar.


Na noite deste sábado, fui conhecer a Feira do Vinho Verde em Braga. Provei diversos vinhos produzidos na região do Norte. Brindamos e celebramos com amigos, e a cada brinde essa música parecia ressoar em minha mente.




domingo, 28 de maio de 2017

Braga Romana - Uma festa memorável

Desde que eu cheguei, ouvia falar da Braga Romana, do quanto era uma festa bonita e alegre, mas nada me preparou para o que vi: uma cidade envolvida de verdade, na produção de um evento bom para a história, cultura, artes, comércio e lazer.
A Braga Romana é um evento que está na sua 14ª edição, e claro, já deve ter tido os seus desacertos, para chegar ao nível em que está hoje. Não observei nada que não fosse muito bem cuidado ou produzido.

Durante cinco dias, o centro histórico se transforma na Bracara Augusta, a cidade criada por César Augusto, Imperador de Roma, no ano 15 a.C.  Uma cidade museu a céu aberto então é vivenciada por moradores e turistas, com a ajuda de centenas de atores, penso que a maioria voluntários, estudantes da UMinho, das escolas de ensino secundário, de agremiações, de associações de pais, de freguesias (os bairros), pessoas cheias de disposição que se transformam em cidadãos romanos, vestidos e vivenciando seus papéis com uma responsabilidade de admirar e emocionar.


Tem eventos de dança, de religiosidade, tanto de Roma quanto dos lugares alcançados pelo Império.
Eventos pagãos de rara beleza, de fantasias preciosas... senti vontade de sair a dançar com o Baco pelas ruas da cidade...

Tem uma feira de ofícios, onde há moedas cunhadas na hora, roupas e perfumes a serem produzidos, animais a serem tratados, como aves de rapina e cavalos, num acampamento militar...

 O cotidiano de uma cidade romana é a verdadeira aula de história para os pequenos.






O comércio também é rico e variado, de especiarias, de bijuterias, artesanatos, artefatos...

E também de comidas deliciosas e bebidas dos deuses, eu me encantei com a sangria negra e a de frutos vermelhos.


Nos dias em que fui, vi espetáculos com fogo, vi desfiles, vi gente sorridente. Parecia um grande Teatro de rua, gigante, ou um lindo carnaval de rua, com uma música mais serena, mas com muita ludicidade.










 É, sem dúvida, a melhor festa dessa terra! Ave César, vivo na Bracara Augusta.  


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aveiro, a Veneza portuguesa

Aveiro do cheiro de mar. Do vento no cabelo.
Fui no inverno e na primavera. É sempre a mesma sensação. Uma cidade encantadora. Chega-se de comboio em Aveiro. Para quem está em Braga, Guimarães ou Porto, compensa usar o bilhete turístico. Ida e volta em 24 horas custa 7 euros. De Braga é preciso descer em Campanhã, uma estação do Porto, e mudar de trem. A viagem de ida e volta consome mais de 5 horas. Mas vale muito a pena. E depois de Gaia, vê- se mar em boa parte da trilha dos trilhos...

Há uma ponte da amizade e dos namorados. Com seus cadeados, seus laços e suas promessas de amor que duram, amarradas nos ferros da ponte que atravessa uma das rias de Aveiro.

Há uma ponte moderna e um visual que é obrigatório para quem não dispensa as fotos do 'eu estive aqui'.
 A primeira vez que fui, meu filhote me acompanhava. Era inverno. Um baita sol, um dia lindo, mas muito frio. As rias (ruas de água do mar), que atravessam a cidade, proporcionam um lindo passeio nos Molicieiros, os barcos usados para recolha de algas, que hoje são usados como transporte para turistas. O passeio pelas rias custa em média 8 euros e dura 40 a 50 minutos.
Passa pelos canais e há sempre um(a) simpático(a) guia a falar da história da cidade, dos prédios mais importantes, da extração de sal e da ligação dos canais com o mar, através da eclusa. Ainda assim curtimos muito o passeio de moliceiro.


 Percorremos uns 4 ou 5 canais, cruzando a cidade.


 Da segunda vez que fui, conheci Sr. António, que ao saber que eu nunca tinha provado os 'ovos moles de Aveiro', preparou-os com todo o cuidado. A massa de hóstia, bem fina e um creme de ovos cozidos  levemente, adocicado, é a iguaria desta região. Confesso que não me apetece muito o gosto do ovo, mas a massa é uma delícia.






 Dessa segunda vez, fui com minhas queridas Vanderly e Mariana. E fiquei encantada outra vez.

  • Ainda mais por poder mostrar para elas porque eu me encantei da primeira vez.



Almoçamos um bacalhau maravilhoso.
 Vimos grupos de jovens festejando a primavera, tanto universitários quanto meninos escoteiros.





Pequena, Aveiro tem poucas atrações turísticas. Mas surpreende pela beleza do que oferece.
Fiz lindas fotos de Aveiro. Fui três vezes e volto quantas vezes me convidarem.