quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Com a vaidade de molho

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada... meu espelho grita! e sou obrigada a suportar um cabelo sem tamanho definido, sem corte, sem jeito, sem nada!
não posso cortar um único pedacinho, pois estou me preparando para um aplique de dreads e tranças para o dia 20 de novembro: Consciência Negra.
Vamos fazer uma foto-instalação com a temática Cotidianos do Povo do Recôncavo. E eu, curadora e organizadora, vou estar bem afro-descendente.
A artista que vai mudar minha cabeça já me avisou que o aplique deve ficar bom por poucos dias, meu cabelo é misto entre liso e cachos grandes e segundo ela, não vai segurar os fios artificiais por muito tempo, por isso já agendei uma sessão de fotos para eternizar este momento crespo total.
A minha vaidade, que tá de molho, vai entrar numa fase Varal total.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Frustrações de Pedaço de Mim

Ontem vi meu filhote de um jeito que eu nunca tinha visto. Estava cabisbaixo, com um rostinho muito triste. O Play Station quebrou (por falta de cuidado dele, diga-se de passagem), vai passar uma semana no conserto. O primo Lucas (de 11 anos), que também tem o aparelho, não quis emprestar para Arthur jogar um pouco, e meu pequeno estava todo sem graça. Ele deitou numa cama, com cara de drama, como se o mundo estivesse acabando. Uma platéia considerával o assistia (eu, o pai, a avó e a madrasta, neste caso mãedrasta). A TV (com infinidade de opções da Sky) não o atraia e jogar no PC não tinha graça alguma. Só o game novo do Wall-E (o robozinho que limpa o lixo humano) seria a salvação. Vi o super pai ficar com cara desolada, tentando convencer Arthur a se animar com alguma coisa. A avó paterna também não queria ver o sofrimento do neto único, e até a mãedrasta estava incomodada com a carinha angustiada do mocinho. Eu ai entrar nessa, quando me toquei que era uma primeira grande frustração e que não estava vindo pela mão de nenhum de nós. Ele quebrou o PS. Aproveitei para contar à família como meu filhote 'cuida' do aparelho (todo dia ele derruba alguma coisa) e era um milagre quebrar agora, com três anos de uso.
Depois aproveitei para lembrar a todos que Arthur tem tudo o que quer, que está sendo sempre satisfeito nos mínimos desejos por este batalhão de amor que o olhava desolado (avó, pai, madrasta e mãe - coloquei a ordem daqueles que o mimam) e que uma frustração desse porte era muito saudável. Vi que me olharam estranho, mas acabaram concordando.
Arthur não conhecia nada que não fosse possível. Nasceu de uma família organizada financeiramente, tudo o que precisou sempre esteve a um passo. As vezes eu e o pai dizemos 'não', mas é só até o próximo salário, ou só quando percebemos que é supérfluo e caro e não traria nada de vantagem. Ele conhece uma rotina nos finais de semana de dar inveja (sempre tem cinema, shopping, com direito a lanche no Mac, com aqueles brinquedinhos bobos, que contabilizados, somam uma fortuna, banhos de piscina, as vezes uma praia em local privilegiado e festas com toda a família reunida). Estuda em boa escola, faz iniciação musical, karatê, futebol, capoeira e vai retomar a natação. Tem bike, patins e um tratorzão enorme como opções de brinquedos sadios. Nas casas que frequenta (e isso inclui as casas das avós), tem dezenas de brinquedos. Tem plano odontológico, médico e os pais, mesmo separados, saem juntos, tem afinidades e isso dá a ele um núcleo familiar muito interessante, estável e hormonioso. Arthur lê bem desde os cinco anos, tem vocabulário muito rico e ao que parece, tem todas as ferramentas para se desenvolver bem.
Por isso fiquei feliz analisando a necessidade de mais frustrações para Pedaço de Mim. Não quero que ele ache que a vida é só alegria. Porque sei que o mundo vai lhe revelar dezenas de frustrações e não poderemos interferir sempre. Nem estaremos sempre próximos ou prontos a isso.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Estou cada vez mais longe das gerações que preciso dialogar

Tenho tido experiências estranhas com as novas gerações de graduandos. Ensino em universidades desde 2001. Nos últimos três anos tenho vivenciado situações que não me deixaram boas impressões. Fico me perguntando como estes futuros profissionais vão ser recebidos pelo mercado.
Sempre procuro deixar claro que não estou formando estudantes. Foi assim que entraram no ensino fundamental e médio, e assim o finalizaram. Estudantes. Mas agora não, ajudo na tarefa de formar profissionais, provavelmente colegas de trabalho (comunicadores, documentaristas, roteiristas, jornalistas, gestores de comunicação, assessores...). E como futuros profissionais, cobro que tenham maturidade para tanto, em todos os aspectos, incluindo obtenção de conteúdo pertinente, na execução de tarefas práticas, importantes para formação profissional e domínio de ferramentas, mas sem esquecer que ajudo a formar gente e aí, pesam questões éticas, de comportamento, de saber se relacionar, etc. Comunicadores são formadores de opinião, são exemplos a serem seguidos, enfim... que profissional queremos? que profissional formamos?

E por formar profissionais, não fico em dúvida que fiz minha parte, quando vejo um estudante que não se esforçou desistindo da disciplina ou reprovando. Eu sou justa, avalio com dez quando a tarefa efetuada cumpriu o que foi proposto, assim como avalio com nota menor a partir da comparação das produções e do empenho entre os estudantes de uma mesma turma.
Mas tenho ficado irritada com a visão colegial que eles tem da universidade.

Vejo muitos com preguiça de ler, de tentar entender, de tentar dialogar com autores mais complexos. Muitos chegam donos da verdade, acham que os textos acadêmicos são redundantes. Falam de apenas um único assunto em todo o texto e acham que a profundidade de um tema, onde o autor esgota todas as possibilidades, não passa de círculos e 'masturbação' intelectual (estou usando o termo que ouvi). Como explicar então que editores e leitores acreditam na obra, na profundidade da obra e que a 'masturbação' nada mais é do que bom embasamento, argumentos e fundamentação da teoria defendida? E como esses autores redundantes publicam suas obras e são lidos em muitos países?

Estou mesmo distante das novas gerações. De alguns, lá se vão 20 anos de distância. Aos 17, 18, muitos ainda não sabem como sentar de forma elegante, colocam os pés em cima das carteiras, como se estivessem na poltrona de casa, assistindo TV. Atendem celular na sala, saem toda hora, interrompendo o andamento da aula e entram também de qualquer jeito em sala, puxando carteiras e deixando claro que chegaram para atrapalhar as atividades. Será que assim o farão durante entrevista para emprego ou quando forem donos do negócio diante de cliente?

Acho tão esquisito ver estudantes de graduação, futuros profissionais, extremamente despojados, sem postura profissional alguma... E como são indelicados em situações que pediam cautela e uma certa diplomacia, com os próprios colegas ou com professores e visitantes...

Como esperam ser indicados por um professor para assumir estágio, emprego, ou chance de se revelar, quando já se mostraram tão imaturos? Não estão conseguindo perceber o valor do patrimônio social que se constroe na universidade. Como querem ser bolsistas se não cuidam do currículo, da imagem e da reputação?

Eu, do meu lado, perdendo o 'T' de trabalhar com os primeiros semestres dos cursos... estou ficando careta.

sábado, 17 de outubro de 2009

A mulher que mora em mim

A mulher que mora em mim encontrou um jeito de ser feliz. Sem esperar nada de ninguém, sem esperar a companhia perfeita, ela só quer se divertir um pouco e depois voltar à vida normal.
Talvez seja só uma fase, mas essa mulher está conseguindo vencer seus próprios preconceitos.
Está mais tranquila, menos estressada, mais colorida, menos formal, com mais ousadia e iniciativa, menos carente e fragilizada, mais segura e por isso talvez, tenha atraído coisas muito boas.
Aprendendo que nesse saco, que é a vida, onde para colocar coisas novas é preciso jogar fora coisas antigas, conceitos e valores também precisam ir pro lixo para alterar o fluxo de energia que é viver.

sábado, 3 de outubro de 2009

Para Arthur Frederico

Hoje descobri que escrevo boa parte dos textos aqui para você, meu pequeno. Hoje você tem apenas seis anos, mas se fosse um homem gostaria de te dizer tantas coisas. E como sei da fluidez da vida, da facilidade da passagem e da impossibilidade de comunicação fácil pós desencarne, fico cá com meu blog, na esperança que um dia você busque no google e ache na net esses monólogos, que tanto queria que fossem diálogos.
Eu demorei muito para querer filhos. Você nasceu e eu já tinha cruzado a fase da gravidez que exige cuidados. As vezes acho que sou impaciente com a sua infância e trato 'meu bebê' como um homenzinho. É que nas leituras sobre personalidade li que forma-se um homem a cada dia de vida até os 7 anos, depois, esqueça. Tenho apenas mais alguns meses para tal tarefa (árdua) e melindrosa...
Arthur, és meu bem mais precioso. Eu nunca tinha ajudado a construir personalidades antes. E temo que tal tarefa seja muito maior que minha capacidade de discernir o que é certo e o que é errado.
Alguns temas polêmicos, que gostaria de conversar:
Eu uso tatuagens, três e quero mais duas. Fiz tatuagens depois que você nasceu. Mas se você quiser ter tatuagens não me peça. Faça-o depois dos 25 pois antes vou criticar.
Meu mundo é minha medida, sou meu maior exemplo e não espere que eu concorde com coisas que eu não faria.
Ei, eu não gosto de nenhuma droga. Não é moralismo. Já namorei quem fumava maconha, mas ele não me oferecia. Eu realmente não gosto da mudança de consciência sem domínio. Nunca namorei quem gostasse de beber muito... e não curto cigarro.

Prefiro viagem astral, meditação, sonhos mediúnicos e coisas do gênero.
Alcool muito pouco, só para ficar assanhada, tipo vinho bem acompanhada. E cervejinha gelada em dia de sol.
Seu dois avôs (paterno e materno) morreram em consequência de uso abusivo de alcool no organismo. Vejo os maus exemplos, filhote, aprenda com eles, são receitas de como não fazer.

Não trepe com todo mundo. Eu não faço isso. E não é porque sou careta, pudica ou tenho moral mais que os outros. Eu não trepo. Eu até transo. Explico: trepar é animal, não precisa nem saber o nome. Não precisa saber do que o outro gosta, qual a comida preferida, se tem até mesmo sentimento.
Caso queira trepar compre uma boneca de inflar, daquelas de sex shopping; você não vai se machucar nem machucar ninguém.
Já transar é fazer um sexo gostoso, com gente que a gente gosta, mas sem aquele ritual que fazer amor exige.
Eu, filhote, gosto mesmo é de fazer amor, de me preparar, de saber onde e porque estou tocando e sendo tocada.
E no final sobrar um sorriso que me enche a alma. Então tem que ter sentimento.
Fizemos você assim, eu e teu pai, hoje meu amigo, antes namorado por anos e grande amante. Você foi feito com muito amor e foi muito esperado. Por isso eu e seu pai somos amigos. Porque esse amor à você nos une.

Ah, isso é sério: é preciso conservar bons sentimentos por aqueles por quem já nos apaixonamos. Senão negamos nossas escolhas. Como odiar quem um dia escolhemos amar? que erro grosseiro de análise de personalidade se odiarmos nossas antigas escolhas. Tá, tem gente que tem defeitos terríveis e que só descobrimos depois, por isso desapaixonamos. Mas ela tem qualidades, e são essas que devemos focar para manter a amizade.

Voltemos ao sexo. Use camisinha. Sempre. E também dê remédio para não ter filhos para sua namorada, não deixe que a responsabilidade seja só dela. Estais fazendo um ato de amor se não tiveres filho antes da hora. Cuidar de crianças é ph... muda tudo. Mas quando se quer, se planeja e se organiza, como foi no seu caso, muda tudo pra melhor.

Então, vamos ao temas polêmicos ainda. Eu sou de almas, gosto de gente, meu gênero é feminino, mas não gosto de rótulos, por isso não me definiria heterossexual, coisa tão humana. Por isso, se você escolher ser gay, pode me contar sem medo. Eu já me apaixonei por algumas mulheres, seres maravilhosos. E algumas sabem do meu amor incondicional por elas.
Outras não compreenderiam, então tive que guardar pra mim essas paixões. São paixões por suas almas, tão cheias de qualidades.
Já meus amores por homens duraram bom tempo e sempre deram certo. Acabaram porque tudo tem fim, e paixão sempre tem fim... e como ainda não achei ninguém que eu realmente queira ver do meu lado todo dia, com ou sem cabelo, sem dente, sem sexo, sem saco... então não casei. Acho que poupei a mim, com meus grandes amores (Binho, Wilson e Cris) de chegarmos à dolorosas separações. Como foi tudo tranquilo, na medida que os rompimentos podem superar, hoje sou amiga e desejo sempre o melhor para todos eles.

Ah, Arthur, um outro tema muito sério: Profissão. Filhote, seja feliz, escolha ser feliz e tudo o que fará será bem feito. Descobri que essa loucura de universidade, de já estar na nona disciplina diferente em 3 anos, não me abala. Eu curto tanto lecionar. Fico triste com a falta de tempo pra fazer melhor. Quando estava na UESC e tinha minhas disciplinas definidas, eu era o 'must'. Mas agora, fico estudando, estudando, pensando as melhores metodologias e gasto tanto tempo... não tenho nem tempo pra mim. E pouco tempo pra você... E fico me perguntando se fiz as escolhas certas.

ah, outra coisa que é ph...: escolhas. Olha, nunca temos certeza. Então não fique remoendo, não vale a pena. Já fez? foi ruim? refaça de maneira melhor, recomeçe...

Se um dia você observar minhas carteiras de trabalho e os poucos meses que fiquei em alguns empregos, pense nisso. E o fato de ter começado Letras e Direito, de ter feito jornalismo, mestrado em Meio Ambiente, doutorado em... educação??? será? não sei. Não espere respostas prontas.
Nunca se acomode, eu nunca me acomodei. Por isso tantas cidades, tantos lugares, tantos empregos, tantas casas, nenhum casamento, nenhuma acomodação...

Por fim, filhote, acredite em algo. Pode ser no universo, na natureza, no seu coração, como fonte de luz e mais, acredite que tudo isso não tem fim. Permanecerás.
Eu acredito na energia que rege tudo isso. Sou feliz assim.

Amo você. Nunca esqueça.