terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Youtuber, novo comunicador

Ah, se na minha época de recém formada alguém me oferecesse a oportunidade de ter meu próprio canal de comunicação, eu teria criado um, sem dúvida. Assunto não faltava. E ainda hoje, acho que há público para tudo. A internet permite a segmentação máxima.

Por isso, pensando no quanto há de conteúdos possíveis, levei meu amigo Jorge Filhu, criador de  canais Youtube, para uma palestra na UFRB, para meus alunos de Teoria da Imagem. Tenho 18 alunos nesta disciplina e ainda abri 22 vagas para quem pudesse vir assistir. 40 em uma sala comum é razoável. Que decepção, menos de 15 pessoas foram. Nem mesmo todos da turma apareceram.

Tem horas que dá um desânimo ser professora de Universidade e formadora de novos profissionais. Penso que boa parte dos estudantes que se matriculam não tem ideia do que é mesmo ser um futuro profissional em comunicação. Não tem emprego na esquina. Quase não há concursos para comunicadores.

Vivo dizendo que os cursos precisam ensiná-los a gerenciar seus conhecimentos e a serem fomentadores, gestores, criadores de oportunidades.

Pois bem, o Jorginho tem experiência como criador, youtuber, ganha dindin com seus canais ou criando canais para outras pessoas. Durante duas horas ele foi super didático, deu conceitos,  trouxe dicas de como criar, buscar bons conteúdos, monetizar, falou de softwares, hardwares necessários para ter seu negócio, mostrou seu trabalho,  etc. Claro que a platéia pequena foi participativa e acredito, a palestra pode render frutos.

Eu até me animei e acho que vou criar meu canal sobre o Inevitável, página que já tenho no Face. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Imagens Vivas, na poética da Galeria

Tá, foi coisa demais, quatro exposições paralelas e ainda convidei quatro fotógrafos para estarem conosco. Sim, eu queria mesmo mostrar todo o trabalho que venho desenvolvendo nos grupos de estudo em imagem, o Galeria Recôncavo, o Poesia e Imagem, o Comunicação e Saúde, na série Gordofobia, além de mostrar os produtos dos estudantes da disciplina Fotografia I e também me colocar enquanto curadora, artista, fotógrafa e poetisa.



Sem contar em proporcionar o prazer de ter imagens de Jomar Lima, de Guilherme Bronzatto, de Tony  Caldas e de Seu Zé, expostas juntas. Coisa mais linda de se ver! Daí o Imagens Vivas ter tanta coisa para expor.





Na Galeria, foto de Seu Zé!



                                                      A instalação de Flora, maravilhosa, com fotos de celular




                                                   Jomar encantou a todos com as mulheres da Boa Morte

Tony e o menino do rio

A série Gordofobia foi um exemplo da fotografia que denuncia, expõe e exige mudanças

Poéticas do Cotidiano, da turma de Artes Visuais, série que revelou outros olhares sobre o dia a dia



Gordofobia gerou manifestações


A Galeria dos velhos ofícios, de Daniele

Camilla trouxe as festas populares de Cachoeira

Dinha trouxe a tradicional festa do Agricultor no Recôncavo




 Era tudojuntoemisturado, em imagens vivas de verdade



Os textos de primeira e segunda realidades para localizar o leitor sobre o contexto e o texto


teve festa








quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Um caderno para Michel

Michel, polonês inteligente, pessoa sensível, que adorava arte, livros, música e alegria. Essa era a minha memória dele.
Conheci Michel Bogdanowicz através de Damário DaCruz. Lembro que ele me disse para eu ir conhecer o Sebo Café com Arte. Fui, adorei o polonês de 61 anos, que me recebeu com alegria e um café-conhaque.
Fui muitas vezes, em eventos da UFRB, como o prêmio Montezuma, sessões de cinema, bate-papo, lançamento de campanhas para direção do CAHL, shows de blues, voz e violão, e tantos outros eventos... passei a ser recebida com um beijo na testa e abraço doce. Gostava do meu velho café com conhaque e uma prosa sobre arte, Cachoeira ou algum livro raro.
Michel de minha memória era homem muito cheio de histórias, fumava muito e estava sempre recebendo gente em sua casa, que sempre somava.

Michel de minha memória...

Um dia a Ohana me disse que Michel estava muito doente, no hospital, tinha tido um AVC. Sua fala e coordenação haviam sido comprometidas.
Fiquei abalada e por quase dois anos eu ensaiei ir ver Michel, que estava sendo acolhido no Asilo de Cachoeira. Meus ensaios morriam no pé da ladeira. Ficava triste antes mesmo de ir.
Mas aí tomei coragem, pois Edgilson me disse que ele estava sorridente, recebia a todos com prazer, precisava de camisas, gostava de ganhar chocolates...
Fui, com Dani, minha orientanda. Ficamos por uns 45 minutos lá. Levei roupas masculinas, material de higiene, fruto de doações de amigos.
Michel ficou emocionado, eu também. Tentou se comunicar bem, mas eu entendia pouco.
Fui embora pensando naquele homem que conheci. E no homem que a vida me apresentava agora.
Passaram-se dois dias e sonhei. Não sei se era apenas um sonho, pois foi tudo muito nítido. Alguém, de voz doce e melodiosa, que me pareceu um mestre, me falou para confeccionar fichas com frases do uso cotidiano, para Michel.
Acordei emocionada e o fiz.

Simples assim. Depois de prontas as fichas, coloquei em um fichário. Penso que eu fui instrumento da comunicação: Um caderno para Michel.







terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Preparar o inevitável

A época em que se falava com naturalidade da morte foi a Idade Média. A vida não passava de um cursinho preparatório para o grande concurso chamado morte, visto como eterno descanso. E os mortais procuravam se preparar, tomando cuidados necessários para receber o ingresso que os permitissem adentrar o paraíso. A vida na terra era um emaranhado de regras que não podiam ser quebradas, ou o futuro morto 'viveria para sempre' no inferno.
Com a modernidade, a ciência, a melhoria do bem estar e a quebra das crenças no divino, o inferno quase foi extinto e a vida, cada vez mais longa, relegou à morte a carga de tema tabu, sinal de mau agouro. Ninguém, em sã consciência, deseja morrer ou ao menos, se permite falar com naturalidade sobre ela.
Já li alguns textos que falam da nossa necessidade de educação para a morte. Mas nenhum deles relatava como seria essa educação. Quais procedimentos ter, como se preparar?
O certo é que, não estar preparado, para a morte do outro e muito menos para a nossa própria, sempre gera desequilíbrios. Lembro quando meu pai morreu e eu tive que vesti-lo pela última vez, ainda no hospital. Ninguém tinha me preparado para aquilo. Foi traumático. 

Como eu viajo pequenas distâncias toda semana em estradas muito movimentadas, eu sempre me pego pensando em como é estar preparado, de onde partir para essa preparação e por isso essa necessidade de análise e diálogo. Na verdade, o que tenho me proposto,  é um misto de aprendizado, preparação, aceitação e adaptação para a morte. É falar naturalmente e pensar que por menos que estejamos preparados, ela chegará e nos deixará expostos.