domingo, 28 de maio de 2017

Braga Romana - Uma festa memorável

Desde que eu cheguei, ouvia falar da Braga Romana, do quanto era uma festa bonita e alegre, mas nada me preparou para o que vi: uma cidade envolvida de verdade, na produção de um evento bom para a história, cultura, artes, comércio e lazer.
A Braga Romana é um evento que está na sua 14ª edição, e claro, já deve ter tido os seus desacertos, para chegar ao nível em que está hoje. Não observei nada que não fosse muito bem cuidado ou produzido.

Durante cinco dias, o centro histórico se transforma na Bracara Augusta, a cidade criada por César Augusto, Imperador de Roma, no ano 15 a.C.  Uma cidade museu a céu aberto então é vivenciada por moradores e turistas, com a ajuda de centenas de atores, penso que a maioria voluntários, estudantes da UMinho, das escolas de ensino secundário, de agremiações, de associações de pais, de freguesias (os bairros), pessoas cheias de disposição que se transformam em cidadãos romanos, vestidos e vivenciando seus papéis com uma responsabilidade de admirar e emocionar.


Tem eventos de dança, de religiosidade, tanto de Roma quanto dos lugares alcançados pelo Império.
Eventos pagãos de rara beleza, de fantasias preciosas... senti vontade de sair a dançar com o Baco pelas ruas da cidade...

Tem uma feira de ofícios, onde há moedas cunhadas na hora, roupas e perfumes a serem produzidos, animais a serem tratados, como aves de rapina e cavalos, num acampamento militar...

 O cotidiano de uma cidade romana é a verdadeira aula de história para os pequenos.






O comércio também é rico e variado, de especiarias, de bijuterias, artesanatos, artefatos...

E também de comidas deliciosas e bebidas dos deuses, eu me encantei com a sangria negra e a de frutos vermelhos.


Nos dias em que fui, vi espetáculos com fogo, vi desfiles, vi gente sorridente. Parecia um grande Teatro de rua, gigante, ou um lindo carnaval de rua, com uma música mais serena, mas com muita ludicidade.










 É, sem dúvida, a melhor festa dessa terra! Ave César, vivo na Bracara Augusta.  


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aveiro, a Veneza portuguesa

Aveiro do cheiro de mar. Do vento no cabelo.
Fui no inverno e na primavera. É sempre a mesma sensação. Uma cidade encantadora. Chega-se de comboio em Aveiro. Para quem está em Braga, Guimarães ou Porto, compensa usar o bilhete turístico. Ida e volta em 24 horas custa 7 euros. De Braga é preciso descer em Campanhã, uma estação do Porto, e mudar de trem. A viagem de ida e volta consome mais de 5 horas. Mas vale muito a pena. E depois de Gaia, vê- se mar em boa parte da trilha dos trilhos...

Há uma ponte da amizade e dos namorados. Com seus cadeados, seus laços e suas promessas de amor que duram, amarradas nos ferros da ponte que atravessa uma das rias de Aveiro.

Há uma ponte moderna e um visual que é obrigatório para quem não dispensa as fotos do 'eu estive aqui'.
 A primeira vez que fui, meu filhote me acompanhava. Era inverno. Um baita sol, um dia lindo, mas muito frio. As rias (ruas de água do mar), que atravessam a cidade, proporcionam um lindo passeio nos Molicieiros, os barcos usados para recolha de algas, que hoje são usados como transporte para turistas. O passeio pelas rias custa em média 8 euros e dura 40 a 50 minutos.
Passa pelos canais e há sempre um(a) simpático(a) guia a falar da história da cidade, dos prédios mais importantes, da extração de sal e da ligação dos canais com o mar, através da eclusa. Ainda assim curtimos muito o passeio de moliceiro.


 Percorremos uns 4 ou 5 canais, cruzando a cidade.


 Da segunda vez que fui, conheci Sr. António, que ao saber que eu nunca tinha provado os 'ovos moles de Aveiro', preparou-os com todo o cuidado. A massa de hóstia, bem fina e um creme de ovos cozidos  levemente, adocicado, é a iguaria desta região. Confesso que não me apetece muito o gosto do ovo, mas a massa é uma delícia.






 Dessa segunda vez, fui com minhas queridas Vanderly e Mariana. E fiquei encantada outra vez.

  • Ainda mais por poder mostrar para elas porque eu me encantei da primeira vez.



Almoçamos um bacalhau maravilhoso.
 Vimos grupos de jovens festejando a primavera, tanto universitários quanto meninos escoteiros.





Pequena, Aveiro tem poucas atrações turísticas. Mas surpreende pela beleza do que oferece.
Fiz lindas fotos de Aveiro. Fui três vezes e volto quantas vezes me convidarem.
 

sábado, 13 de maio de 2017

Comida, saudade e afeto

Portugal tem sabores fantásticos. Tenho feito fotos de pratos e delícias que já experimentei neste pouco mais de um ano cá e vou falar sobre isso em breve. Mas este post é para falar de comida e afetos.
Eu descobri um mercadinho cá em Braga, especializado em alimentos para brasileiros, então achei pertinente contar algumas curiosidades, descobertas e necessidades que uma brazuca, uma brasileira como eu, sente cá em Portugal.
Quando eu cheguei eu me encantei com os super mercados portugueses. A variedade de frutas, tipo exportação, que no Brasil se paga muito caro, aqui é comum. Em todos os super mercados, nas quitandas, você não vê uma fruta velha, amassada. Tudo é sempre muito bonito. E os preços? parecidos com os do Brasil. Aqui eu pago o equivalente a 4 reais por um kilo de banana. A banana vem da ilha da madeira ou da costa rica.
Mas pago também o equivalente a 4 reais por meio quilo de cerejas, na primavera. Meu Deus! Nunca comi tanta cereja em minha vida. Cereja no Brasil é coisa de rico, eu comia um pouquinho, contadinhas as cerejinhas,  quando achava em promoção.
Maçã aqui é o mesmo preço e pera é bem mais barata do que no Brasil. É aquela pera pequena, portuguesa, deliciosa. Também a uva, de vários tipos e tamanhos, compro barato aqui. Portugal produz muito vinho, tem muitas plantações de parreiras de espécies variadas. Há uma uva bem pretinha e pequena que é um néctar. Deliciosa e baratinha.
Aqui, caro é um mamão. Nunca comi mamão desde que aqui estou. Paguei o equivalente a dez reais por um pedaço de melancia, porque estava com muito desejo, eu adoro melancia e creia, a melancia que comprei estava ruim. Não é igual a nossa.
Paguei o equivalente a seis reais por um pedaço pequeno de abóbora para fazer uma sopa. Porque eu também adoro sopa de abóbora.
Paguei o equivalente a 8 reais por duas bananas da terra, que cá se chama banana de fritar, e só tem em um mercado. E creia, a banana que eu comprei, estava verde e ficou verde a vida toda, não madurou, foi ficando podre e eu querendo aproveitar, cozinhei e nada de amolecer. Perdi meus dois euros e pouco.
Bom, eu sou apaixonada por cuscuz. Então eu trouxe na minha mala um pacote de farinha para cuscuz. Quando acabou, lá fui eu procurar, e achei uma massa de cuscuz marroquino, 500 gramas custam o equivalente a 9 reais.
Caroooo, mas é o custo de ter saudade.
Carne de charque e carne do sol, eu nunca vi. Meu feijão cá tem bacon e linguicinha. E só.
Compro meu feijão em lata, cozido e sem tempero, e aí eu coloco bastante alho e cebola. Fica comível.
Mas Portugal me conquistou pela padaria. Os pães daqui são maravilhosos e baratos.
Compro sempre uma baquete rústica, linda, que custa o equivalente e a 1 real e cinquenta.
Os Croissants, fofos, deliciosos, cada um custa o equivalente a um real.
Há uns brasileiros que já descobriram que vender comida do Brasil dá dinheiro. Descobri um mercadinho que tem café, cocadinhas, paçoquinha, tem goiabada cascão, tem massa para pão de queijo, tem farinha de tapioca. É um paraíso.
Eu tenho uma conhecida que vende uma quentinha com vatapá e moqueca, ela traz do Brasil bastante camarão defumado e azeite de dendê. Ela é carioca, mas morou muitos anos na Bahia, daí ela cozinha, com aquele jeitinho que só uma baiana de alma tem, e ela vende uma porção de moqueca de algum peixe daqui, com alguns camarões e uma porção de vatapá, maravilhosa a comida. A porção dá para comer duas pessoas. Ela cobra o equivalente a 36 reais cada porção. Eu comprei e fiquei comendo de pouquinho.
Comia quase chorando de tanta emoção! Foi tão bom.
No custo da saudade, eu queria mesmo era um acarajé e beber uma água de coco. Comida é mesmo um carinho para alma. Eu sei que ainda vou descobrir muitas comidas gostosas nesta terra lusitana, mas confesso que a nossa comidinha brasileira faz uma falta...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A batalha de beleza em Barcelos

O meu 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, foi lindo. Foi cheiroso e colorido. Em Barcelos, a 20 km de Braga, há, neste período, um evento tradicional e que vale muito ir conhecer, a Festa das Cruzes, com shows, feiras de artesanato, parque de brinquedos armado na praça, muita gente circulando, muitos turistas...



Mas o ponto máximo acontece na Avenida da Liberdade, uma das mais importantes da cidade, quando associações e agremiações organizam-se para um desfile com carros, bandas e pessoas, que saem às ruas, enfeitadas e fantasiadas, com cestas de flores e jogam nos espectadores, naqueles que foram lá, prestigiar a alegria do momento. É a Batalha das Flores.









Eu contei mais de 20 veículos, entre caminhões, caminhonetes e carros pequenos, lindamente enfeitados e com seus personagens divertidos.
Muito sorriso, uma energia de vida e alegria. Fiquei muito feliz e claro, fiz minha crônica fotográfica desse momento mágico, para eu não esquecer e para quem quiser conhecer.

A BATALHA

A munição: flores de todas as cores. Muita munição, cestos cheios no início do desfile. No porte dos 'soldados', percebe-se o orgulho de participar desta festa linda.





















 Carros tão lindamente decorados, a cidade toda envolvida.


O guerreiro dessa batalha: gente sorridente, que parece incansável, mesmo com a idade revelada na cor dos cabelos.

Mas no meio da brincadeira, vemos a juventude do sorriso e do gesto.
Já a guerreira, mulher de fibra, que no gesto, parece enviar toda a primavera de uma vida nova a quem está na plateia.



O ataque, um momento de ludicidade, uma catarse, um riso solto, um momento de interação. Impossível não ficar contagiado.



Eu, o alvo! receber flores é sempre um prazer.