quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 - saldos e débitos...

2014, um ano que soma 7, dizem os numerólogos, foi ano onde mentiras caíram, a vida ficou mais transparente e por conta disso houve rompimentos, frustrações, mudanças.
Comigo não foi diferente.
2014 foi ano de olhar por dentro, tentar entender meu interior. Não foi ano fácil.
Mas o quero contar dos rompimentos, é que eles me fizeram entender meu modo de lidar com eles.
Tive três rompimentos significativos. Em dois deles, não controlei e agi por impulso. O último eu soube lidar melhor.
Analisando os dois primeiros, eu e minha terapeuta chegamos a conclusão que eu fujo do que me faz mal, do que me machuca. Fujo logo. Então romper era algo sempre mais fácil para mim, do que lidar com a frustração que acontece, quando alguém que estimo, admiro, gosto ou apenas convivo, me faz algo que machuca. E ir para o confronto, tentando resolver o que deu errado na relação, nem pensar. Por isso, a fuga era fácil.
E quando há o rompimento, tento me convencer que aquela pessoa não me fará falta.

Em 2014 tirei duas pessoas de minha vida. Não que elas não façam falta, fazem. Mas lidar com o que fizeram comigo é complicado, então me afastei.

Os afastamentos tiveram outras consequências, como por exemplo, foi o primeiro natal do meu filho que passei longe dele, já que uma das pessoas é parente paterno dele. Outro afastamento finalizou um projeto profissional que eu estava curtindo. Consequências que achei mais fácil lidar do que enfrentar as pessoas e a minha frustração com elas.

Já o último rompimento só aconteceu pela metade.
Eu já tinha analisado meu 'modus operandi', e procurei agir diferente. Conversamos, dialogamos, tentamos ver outras formas de lidar com nossos desacertos e não rompemos. Continuamos convivendo.

Eu aprendi em 2014 que eu não sou um livro aberto nem mesmo para mim. E nem escrito e finalizado.

Além de todo mistério que mantenho de mim mesma, e do que há por descobrir, desvendar e de todas as páginas escuras que não consegui ler, eu estou sendo escrita todo tempo. Foi um ano de revelações também, eu diria...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O que me alimenta como professora

Largar a profissão de jornalista, deixar a TV, entrar em rotina de professora... burocracia, alunos que não se interessam pela minha disciplina, virar acadêmica no processo industrial de publicar para ser  alguém considerável neste universo de produção de conhecimento (que as vezes nem é tão conhecimento assim), encarar de frente turmas cada vez mais complicadas com relação ao conhecimento mínimo que se espera da língua  portuguesa ou de como se comportar em sala de aula, enfrentar a concorrência dos celulares e notebooks, enquanto a gente dá aula para as paredes... enfim... tem hora que é questionável essa história de ter virado docente.

Mas quando, ao final do semestre, alguns estudantes nos demonstram que deram conta, que foram criativos, que aproveitaram o pouco que a gente consegue orientar neste processo complicado que é 'ensinar' alguém (porque na subjetividade do sujeito, só ele permite que a gente consiga estabelecer essa orientação e ele só aprende 'se' e o 'quanto' ele quiser), então, só aí, eu consigo uma emoção que se traduz em satisfação pessoal, em um sentimento de vitória, que me impulsiona a querer prosseguir.

 Este semestre alguns estudantes me fizeram muito feliz. Não vou citar nomes, mas alguns trabalhos me surpreenderam pela dedicação, empenho e por ver que fazê-lo, ajudou aquele aluno a se enxergar muito capaz. Em um universo de 70 alunos, eu destacaria 20 deles, neste sentimento de ser uma orientadora de verdade. Trabalhei com turmas de primeiro semestre de Cinema, quinto de Jornalismo e segundo semestre de publicidade. Vou postar dois exemplos aqui, de Publicidade, de uma ação social em Santo Amaro da Purificação. Uma com a Apae local e outra com os Alcoólicos Anônimos. Trabalhos de Fotopublicitária, mas que incluem solidariedade, sensibilidade e cidadania.
Penso que mais importante que ensinar a fotografar, a fazer videos ou textos, que são oficialmente o que eu trabalho, eu consigo ajudar a torná-los mais atuantes no mundo em que nós vivemos e somos chamados à transformar. Obrigada aos meus queridos estudantes que me ajudam a aprender cada vez mais nesse processo de ser professora.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O sujeito, a verdade, a ciência, o saber...

Ao longo da vida vamos compreendendo que nem tudo que acreditamos é do conhecimento sistematizado, demonstrável e aceito pela ciência e por muitos amigos e conhecidos  que nos rodeiam, que se acham racionais. Então aprendemos a guardar essas crenças que temos para não entramos em atrito, porque muitas vezes o que acreditamos, a ciência não explica nem comprova e nós também não conseguimos explicar como, ainda assim, continuamos acreditando.
Agora, ao cursar uma disciplina na UNEB do PPGEduc, com prof. Arnaud, e ler textos dele ou indicados por ele para compreender esse sujeito científico que acabamos nos tornando para sermos aceitos entre nossos pares, também sujeitos científicos, eu estou assumindo as minhas crenças como o saber que a ciência não dá conta e que outros sujeitos não vão compreender.
Porque eu não sou o sujeito, eu sou um sujeito. E meu saber não é o saber, tampouco quero ser apenas científica, porque sou um todo e sem minhas crenças, sem meu saber, não me constituo.
Então eu preciso falar de vez em quando desses meus saberes.

Eu acredito que este meu corpo físico vai morrer mas o que eu detenho de conhecimentos, empíricos ou não, aprendidos em livros, ou em vivências e experiências, permanecerão. Por isso acho que viajar tem sido algo muito importante e ler, algo constante. Além de assistir filmes, documentários, ouvir músicas diferentes, conversar com pessoas diversas, tudo isso que amplia meu saber, tem sido prioridade.

Meu saber também me indica que os sentimentos que tenho pelas pessoas não vão morrer, assim como não morreu os sentimentos que eu tenho por aquelas que já se foram. Amo muito o meu pai, a minha avó, alguns amigos que já se foram, como Lia Ramalho. Eles estão tão vivos para mim.

Ainda estão com suas essências em alguma dimensão porque eu os sinto tão presentes. Sinto quando sonho com eles e quando penso neles e minha mente e meu corpo reage a algo inexplicável, que se traduz em um bem estar e em intuições. Adoro ver fotos de quem eu amo e já se foi. Eu fico lembrando de momentos mágicos que vivi com essas pessoas e de alguma maneira, em meu desejo mais interno, eu quero muito que essas essências fiquem sempre bem. Então é como uma oração, onde eu mentalizo sentimentos de amor para eles e eu me sinto em sintonia com eles. Negar isso é negar que eu detenho algum saber sobre isso. Explicar não me cabe, demonstrar não é possível  e estou aprendendo a assumir que tudo isso faz parte de mim.

Já com relação aos vivos, que interagem comigo, eu tenho procurado estar cercada de quem me faz bem. Sempre que alguém que se aproxima de mim me causa algum sentimento complicado, que não sei explicar, mas me faz sentir corpo estranho, as vezes mole, lerdo, pesado, com uma sensação de doença, eu não tenho como entender mas eu apenas sei que não devo estar perto dessa pessoa. Então eu aprendi que meu corpo reage a energias assim. Eu me afasto.
Procuro encontrar pouco esta pessoa e procuro ter uma relação humana de respeito porém respeitando primeiramente o meu limite. Deve haver algo do campo da ciência da física que ainda não se identificou que repele pessoas com energias distintas (não que essa pessoa seja ruim ou má, ou qualquer coisa).
Como não detenho esse conhecimento, eu não o domino para mudar isso (e deve haver uma forma de mudar essas sensações). Mas como detenho esse saber que se instala em mim e acaba por manifestar uma reação que me atinge, eu tenho que acreditar para não achar que sou maluca.

Assim como tem gente que mal conheci e já me sinto próxima, sinto prazer ao falar e quero estar por perto, me permito abraçar (eu que não curto abraçar qualquer pessoa).

E assim eu vou vivendo. Aprendendo a respeitar meu saber e sabendo que ele me constitui e respeitá-lo me faz uma pessoa de inteligência emocional melhor.

Coerência X cidadania

Ontem fui exercer meu direito (dever) de votar. Pelo voto, eu, cidadã comum, que paga impostos e recebe (?) o resultado da aplicação desses recursos pelo estado (segurança? educação? saúde?), emite uma opinião na escolha do próximo gestor do dinheiro público e dos rumos do país nas políticas públicas.
Desde que iniciei minha vida como eleitora eu nunca deixei de votar, exceto em uma única eleição na qual justifiquei por estar em viagem. Meu título pertenceu ao estado da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Na Bahia ele já esteve em três cidades. Então eu sempre cumpri com meu dever, e encarei como um direito meu, poder opinar.
Nesta etapa de ontem, com Arthur por perto, ele que acompanhou eu marinar, esteve comigo na urna, observando este exercício cidadão, e  viu ontem eu clicar 17. 17, número do meu dia de aniversário. 17 que somado dá 8, o número do infinito, porque naquele momento eu desejei que, quem ganhasse, tivesse sabedoria, ética, postura crítica, compromisso e coragem para mudar de verdade esse Brasil. E logo depois que o 17 foi digitado  apareceu 'voto anulado, confirma?' e aos olhos arregalados daquele menino, eu confirmei.
Ele sabia que não podia conversar mas assim que saímos da sala de votação, ele me questionou e falei para ele de coerência para comigo, de verdade para comigo. Eu não confio em nenhuma das duas propostas que estavam em jogo e falei que eu não me sentia com vontade de opinar. Fiz meu dever: fui à urna, recebi meu comprovante. Mas abri mão do meu direito, porque ali não me senti representada.
Ele me olhou e disse: é mamãe, precisamos mesmo ser verdadeiros com a gente.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dia da criança para não esquecer jamais

Teve presente, claro que teve. Na luta para fugir dos eletrônicos e dos games, dei um livro sobre música, muito interessante, que faz um apanhado dos ritmos mais importantes ao longo da História e veio com um CD composto de trechos que representam bem esses estilos.
Mas eu queria marcar o dia. Então eu o convidei para irmos à Fonte Nova ver o BAÊA. Primeiro jogo da vida dele  na Arena, e ele me abraçava, e me abraçava e dizia 'mamãe, tô muito feliz'. O time perdeu de 1 a 0 para Chapecoense, mas chegamos a conclusão que o Bahia jogou melhor, só não conseguia finalizar em gols. Então ele saiu sorrindo, sem nem abalar com o fato do time estar indo direto para zona de rebaixamento. E eu também saí contente, descobrindo que Dia das Crianças, esta data tão comercial, tem formas e jeitos de presentear sem ter que se render ao consumismo...

sábado, 4 de outubro de 2014

Lá vou eu Marinar

Eu oPTei a vida toda. Um dia a felicidade aconteceu. Eu estava grávida ainda e escrevi no diário Cartas para meu filho (que comecei a escrever quando soube da gravidez), que Arthur chegaria em um novo país. Comandado pelo homem que eu admirava. Eu estava tão cheia de esperanças. E parte delas se tornaram realidade. Eu vi o interior ganhar universidades, que se encheram de gente que antes não tinha oportunidades. Faço parte de um time (de professores e técnicos) que trabalha com adversidades mil, recebendo estudantes com um déficit de conteúdo, ortografia sofrível, coesão e coerência comprometidos, mas que, acima de tudo, querem oportunidades e conseguem, na luta e na raça, dar conta da vida acadêmica. Acho que só por este fato, valeu oPTar. Claro que vi coisas boas na área social, econômica e humana. E sei que sem Lula estaríamos detonados.
Sem opção eu votei em Dilma. Contra ela, nada. Ao contrário. Seu passado à avaliza. Mas já não acreditava no PT, já me envergonhava das declarações de cegueiras éticas, já temia que meus heróis políticos haviam sucumbido ao poder. E as reformas não vieram. O clamor nas ruas, a violência crescente, a corrupção, o caixa dois, os escândalos...
E agora a desconstrução que o PT tentou fazer da Marina foi cruel. Isso me deu ainda mais tristeza, porque meu ideal político com o PT morreu de vez.
Quero alternar.
Vou Marinar.

domingo, 21 de setembro de 2014

'Acho que esse é meu primeiro concurso público, mamãe!'

Esta foi a frase que meu filho exclamou ao participar de uma etapa da seleção para estudar no Colégio Militar de Salvador, do Exército Brasileiro. A sensação que meu pequeno teve eu também tive, ao ficar aguardando por ele, na área interna da instituição. A quantidade de inscritos, o número de vagas e a percepção da importância daquela seleção me fizeram analisar o processo sob diversos ângulos. 
No site da instituição, o número oficial de inscritos foi 1.295 para 30 vagas. A quantidade de pais aguardando os filhos fazerem a prova de matemática, dessa primeira etapa, era enorme! Penso que não houve muitas desistências, já que quantidade de crianças que foram terminando a prova, realmente demonstraram que eram muitas, naquele processo seletivo.






Fiquei conversando com um engenheiro elétrico, formado na UFBA, cuja esposa era professora universitária como eu,  e também com uma senhora cuja filha, de 9 anos, estava tentando pela primeira vez, e de acordo com ela, a menina tentaria nos próximos dois anos caso não passasse agora. 
Antes de conversar com eles, ouvi algumas conversas por onde passei e o teor era sempre o mesmo: Pais buscando reduzir custos com educação, que acreditavam que ali  o filho estudaria em local com disciplina (aliás foi o que mais escutei) e que receberia conteúdo de verdade,  e que ao final teria condições de adentrar uma universidade de qualidade quando o ensino fundamental e médio acabassem. 
Tudo ali me remetia a uma série de pensamentos: o quanto estamos carentes de boas escolas; o quanto estamos tentando resgatar conceitos de limite e disciplina; o quanto estamos sedentos por educação de nossas crianças com preço justo. Muitos pais tem feito sacrifícios para manter filhos em escolas particulares, independente de quanto custam, o fato é que todo mundo tem fugido o quanto pode do ensino público comum.
Ouvi gente relatando que seus filhos tinham feito cursos preparatórios de meses para aquela seleção.
Meu filhote também recebeu reforço. Nos últimos três meses recebeu aulas extras de matemática.
Algumas vezes sentei com ele para fazer simulados dos testes dos anos anteriores. Provas cheias de pegadinhas, que exigiam concentração, interpretação e lógica.
Meu menino da geração 'tudo-ao-mesmo-tempo-aqui-e-agora' demonstrava pouco foco, concentração e tudo muito no sentimento 'obrigação'. Mas a escolha foi dele, já que é escoteiro há um ano e penso que o militarismo o atraiu.
Claro que, como pais em busca desse custo/benefício já atestado acima, nós o incentivamos, mas deixamos claro que nada mudaria caso não passasse, pois escola de qualidade é uma das prerrogativas para quem só tem um único filho e conseguiu um padrão mediano de qualidade de vida pelo estudo, como eu e o pai dele.
Pois bem, de tudo o que ensinamos nesse processo, muito me surpreendeu o quanto ele foi responsável e conseguiu administrar bem o tempo da prova. Finalizou tudo às 11h da manhã, com duas horas de prova (eram até três horas), mas permaneceu na sala, porque queria a prova e os rascunhos e só quem ficasse até o final teria esse direito. Às 9:45h  muitas crianças já  haviam entregue a prova e desciam para o pátio.
Trouxe a prova e consigo a possibilidade de conferirmos assim que o gabarito fosse divulgado. Eram 13h quando abrimos o site e toda a esperança dele se diluiu... não conseguiu acertar 50% da prova, para ir para a segunda etapa, a de Língua Portuguesa. Ficou triste em um primeiro momento, depois pareceu relaxar.
Sei que a vida do meu menino vai continuar a mesma. Mas fiquei com uma sensação de que ele perdeu muito por não conseguir entrar naquela instituição. Mas sei que a peneira  foi enorme. E depois de ver a prova, percebi que interpretação, lógica e foco foram o que realmente eliminaram meu filho... não a matemática.
Sei ainda que quem perde mesmo é a sociedade brasileira, ao termos tão poucas opções de ter um ensino de qualidade para todos, com respeito institucional, já que escola virou palco de problemas e violência.

   

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um ano de nova morada

Casa. Moradia. Lar... eu precisava resgatar as minhas relações com esse espaço.
Há anos vivia dilemas com o local escolhido para morar...
Vamos voltar no tempo. Moradia sempre foi problema na minha história de vida. Aos sete anos, muito menina ainda, lembro-me de um lindo apartamento (soube depois que era financiado), todos comendo em volta da mesa, meu pai avisa a minha mãe que vendeu o apartamento e seríamos obrigados a mudar e morar de aluguel. Tinha bons amigos naquele lugar (Aldrin e Ro, Tita e suas irmãs, Maruse e Carlesson, entre tantos outros). Lembro da minha mãe engasgar. E dela ficar muito triste. Anos depois soube que meu pai jogava  cartas e de ter perdido o apartamento no jogo. Perda da casa. Primeira referência de perda do lugar agradável. Mudamos. Aluguel. Uma casa grande, porém velha, em rua que sofria com enchentes e um dia acordei com minha mãe nos tirando da cama, em pânico, porque a água estava beirando o estrado. Ela disse ao meu pai que não ia admitir mais um susto daquele. Ele comprou um terreno em bairro super distante e resultado, lá fomos nós morar em local complicado de acesso. Longe de amigos, de primos. Meu pai faliu de vez. Vendeu carro. Ficávamos duas horas em pontos de ônibus para ir e voltar da escola. Os amigos iam pouco em nossa casa. Tudo era complicado. Tinha que dormir na casa das amigas se tivesse uma festinha para ir, porque não dava para sair à noite. Isso dos nove aos dezenove anos. Uma relação de ódio com aquela moradia, onde a casa era confortável e o bairro era um inferno.
Aos 20 anos, quando conseguimos convencer minha mãe a voltar ao aluguel, fomos morar em casa pequena, mas bem localizada. Mas as paredes eram coladas uma casa na outra e dava para ouvir tudo o que os vizinhos faziam e ouviam. Odiava aquilo.
Aos 22 fui morar em Cuiabá. Bairro distante. Não conhecia a cidade. Engordei dez quilos em três meses, trancada dentro de apartamento pequeno, sem varanda, em cidade que eu não dava conta de andar só, quente e complicada.  Com seis meses o destino foi um local central, em apartamento bom, bem dividido, prédio com piscina e eu voltei a sentir prazer de morar.
Mas seguindo um noivo que pediu transferência, lá fui eu para Campo Grande, morar em casa velha novamente, tendo que conviver o tempo inteiro querendo reforma.
De volta à Bahia, Juazeiro, salário curto demais, fui morar em casa nova em bairro distante. Novamente a música da vizinhança me incomodava.
De volta à Itabuna,  para a casa que construí e sonhei envelhecer, acho que foi o período mais tranquilo de moradia, mas com a chegada de Arthur, a necessidade de uni-lo ao pai, largo eu mais uma vez meu sonho de casa e no interior, depois de penar em três alugueis, consigo comprar uma casa em Cruz das Almas. Boa, grande, porém em bairro distante (em frente ao estádio da cidade, perto da BR 101). Rua de lama na chuva, de poeira na seca e sempre, sempre, isolada.
Fugindo dessa solidão, vim para Salvador, no esquema dias no interior, finais de semana na capital, desta vez em Stella Maris, para mais uma vez, aproximar Arthur do pai. E eu, isolada. Em uma casa com vizinhança mais uma vez com música alta e que não combinava comigo.
Até que... Barra!!!!
Um ano de Barra. Prédio velho. Apartamento velho, mas amplo. Uma reforma de formiguinha. Que não terminou, mas que já tem me deixado feliz, porque consegui me livrar do que estava sujo e feio.
Um ano de andanças à pé. Um ano de mar perto, de mercado perto, de restaurantes e calçadão perto.
Um ano onde chego em casa sabendo que não tenho vizinhos que incomodam.
Mas para isso tive que deixar Arthur mais com o pai e ver meu filho apenas nos finais de semana.
Mas ele já tem 11. E eu precisava mesmo resolver essas pendências de moradia. Porque se nossa casa é nosso castelo, eu era uma rainha revoltada no meu, até então. É claro que, na época, havia uma paixão em andamento e isso me influenciou a vir morar no bairro em que ele morava. Havia um sentido em estar mais perto dele. Mas sem dúvida, estar na Barra é estar onde há uma das maiores qualidades de vida nesta cidade ingrata que é Salvador.
Hoje sinto meu território como ninho e cada vez mais reafirmo a necessidade de morar onde nos sentimos bem para compensar todo o esforço do dia a dia.
Agradeço ao universo esse desfecho. Eu resolvi uma pendência de uma vida inteira!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Yumara 80 anos... meu pedacinho de ancestralidade familiar

Desde pequena escutava meu pai e minha avó falarem dela: 'sua tia Yumara... sua tia atriz... a peça Apareceu a Margarida, em que a sua tia estava ótima... sua tia é uma atriz premiada...' e por aí vai. E sei lá porque, cargas d'água, ninguém, ninguém, nem pai, nem avó, nunca fizeram a ponte. Até 2010, quando tia Nydia me ligou e disse: 'sua tia Yumara está com peça em cartaz, você quer ir comigo?' Não pensei duas vezes!!!!
A peça era 'O Monstro', um roteiro criado especialmente para mostrar todas as obras em que ela atuou e todas as personagens que Yumara Rodrigues construiu.
Na vida real, Yumara, cujo nome real é Lígia Lins, foi uma mulher que deixou uma família e uma situação confortável e segura, na pequena Conde, para viver seus sonhos, e fez do teatro seu palco de vida. Não casou porque sempre que se apaixonou, foi questionada sobre largar o teatro caso abraçasse o casamento. Casou com o Teatro. Foi premiada várias vezes. O Governo da Bahia, em reconhecimento ao talento dela, homenageou-a com livro e documentário. E uma edição primorosa, que ganhei e fiquei super feliz quando fui visitá-la. Ganhei ainda uma molheira que pertenceu ao pai dela, a molheira do meu bisavô.




Essa mulher considerada 'dama do teatro baiano', tem em seu currículo uma experiência maravilhosa da arte cênica, e só por ter um dedinho de sangue de artista nas veias, penso que minha paixão pela atuação pode ter sido um traço herdado dela. Pois bem, hoje é dia de Yumara. 80 anos.

 Uma vida inteira de histórias ricas, muitas ligadas ao Teatro e outras tantas da vida familiar e das histórias de meu bisavô, pai de meu avô João, que muito estimava e convivi até meus 17 anos. Eu, sobrinha neta do interior, que também sempre fui apaixonada por teatro, e adoro histórias orais familiares,  tentando resgatar um pouco dessa convivência que não aconteceu antes.
Yumara é uma mulher de vanguarda. E sabendo um pouco mais de sua história, eu sinto um orgulho imenso de ser da família dela e sinto ainda uma identificação... pensei logo ' devo ter puxado alguma coisinha dessa guerreira'...




sábado, 28 de junho de 2014

Planos para maioridade

A gente pensa que vai ser jovem para o resto da vida e esquece de planejar a velhice. Minha ficha caiu há alguns anos, quando meu querido Alexandre Schiavetti comentou sobre os melhores lugares para envelhecer e eu me toquei que Salvador não é a cidade ideal para viver a  maior idade. Se o universo permitir que eu envelheça, quero vivenciar essa fase em lugar tranquilo. Quero poder andar pelas ruas com acessibilidade garantida, pois sei da fragilidade de quem já não poderá correr, de quem vai ter um equilíbrio comprometido, que necessitará de boas calçadas e quero, principalmente, estar rodeada de pessoas que respeitem os idosos. Quero uma cidade com modernidade, mas sem pressa, sem violência tão exacerbada, que faz dos velhinhos o alvo preferido dos malandros.
Desde 2010, quando estive pela primeira vez em Montevideo e reparei na qualidade de vida que a cidade oferece e na quantidade de idosos que transitam pelas avenidas largas,  praças e ramblas (calçadões da orla), eu venho elencando a capital do Uruguay como o mais provável lugar que quero envelhecer.  Tomei coragem e fui passar uma semana em terras celestes. Foi mágico. Vivenciei experiências de turistas e de moradores locais.




A escolha de onde se hospedar foi em função dessa proposta. Queria um bom bairro residencial. Fiquei em Punta Carretas. Pensei em alugar um apartamento, mas o frio me deixou em dúvida. Um hotel ofereceria mais tranquilidade se tivesse problemas com roupas, calefação, lavar louça, etc. E escolhi bem. Um apart hotel, o Punta Trouville, simples, limpo, bom preço, onde era proibido fumar, com café da manhã farto e delicioso, com ótimos funcionários,  rua super tranquila e com muitos lugares para deixar o carro estacionado, numa rua paralela à rambla, rodeado de bons restaurantes,  lojas e perto do shopping mais bonito da cidade. Como era apart, tinha microondas e fogão elétrico, tudo de cozinha que me permitiu ir à super mercados e comprar iguarias para pequenas refeições no hotel. E o legal é que no dia seguinte, ao sair para passear, voltava e encontrava tudo  muito arrumadinho e trocado. Foi ótimo! 
Aluguei um carro Spark, da Locadora Canin, que o meu amigo Gustavo já aluga há mais de dez anos e foi ótimo. Preço bom, carros novos, e uma disponibilidade maravilhosa. Tratei com o José Luis, dono da locadora, por whats app e email. Ele me enviou o carro no aeroporto e já saí de lá motorizada. Com o frio, chuva e vento, estar de carro foi uma 'mão na roda'.   



A semana nos reservaria estar no olho do furacão na notícia mais quente da copa no período. Assisti o jogo do dia 24 na pequena cidade de Piriápolis, a 90 km de Montevideo. A Celeste ganhou, a mordida do Suárez  passou despercebida naquele dia e curti com o povo na rua. A nação estava muito feliz.  Aliás, com frio de 7ºC, o povo Uruguaio fez o clima esquentar depois da vitória contra a Azzurra. E fiquei impressionada como os jovens uruguaios saem do 'normal' na comemoração esportiva. Vi, tanto em Piriápolis quanto na rambla próxima ao hotel, muitos jovens exagerando no álcool e dirigindo, impedindo motoristas de prosseguir, criando muita algazarra. Polícia perto, mas nada de violência ou de notícias sobre episódios violentos em função disso.   Complicado foi entender e lidar com os ânimos uruguaios, nos dias seguintes, quando o assunto era a punição da Fifa ao jogador. O Suárez é muito querido. Camisas nas ruas, só do 9, canecas com a frase 'Deus salve o Rei', em Inglês, e com Suárez usando coroa. E propaganda com o rosto dele em todas as esquinas. Enfim... o moço era a grande esperança. Eu achei excesso a mordida, achei que esse moço, tendo mordido dois outros jogadores anteriormente, deveria ter passado por um tratamento psicológico para não repetir tal comportamento sob pressão e, na minha cabeça, mesmo que tivesse sido injusta a quantidade de jogos que ele ficou impedido, ainda assim, a Celeste e a nação já sofriam por terem que suportar um fato como este. Mas daí a tirar do Suárez a responsabilidade da ação e culpar a 'máfia brasileira' que queria que a Celeste fosse penalizada, hum,  não entendi muito. Pois bem, Celeste desclassificada. Muita tristeza. Eu que torço pra Celeste já há algum tempo, fiquei sentida e não esperava ver, mas vi, Uruguaios torcendo pelo Chile, e um garçom que me tratou mal em pleno Mercado del Puerto, porque eu estava em um grupo de brasileiros. Mas de maneira geral, observei muita educação, simpatia e cortesia naquele país. E já sou uma uruguaia de coração. 

Pensando na Maior Idade, fiz atividades de quem nada tinha para fazer. A sede não era de ficar correndo atrás das atrações. Percorri boa parte do bairro à pé.  Andei horas pelas ruas do centro da Ciudad Vieja. Observei o ritmo, as pessoas, turistas e moradores, artistas, vendedores ambulantes... Sentir o tempo sem pressa... Por conta disso, eu estava na praça mais importante da capital e participei de uma manifestação popular contra a FIFA e o excesso de punição ao Luiz Suárez. 


Um dos lugares que mais gostei de ir, o MAM, Mercado Agrícola de Montevideo, com restaurantes mais simples mas de boa qualidade, doces variados e onde experimentei uma cerveja artesanal com muita variedade de cores e sabores. O Tannat uruguayo é famoso no mundo inteiro, mas eles adoram cervejas!!!



Outro lugar ímpar foi o restaurante La Perdiz, com a linda e simpática Jéssica (que não gosta de foto) e que nos atendeu exercitando o português dela. Lá experimentamos uma tábua de mariscos, com dois peixes, lulas, vieiras e camarões, maravilhosa! Falam muito da carne uruguaia, mas eu destacaria também os pescados, mariscos, a diversidade do jamón (presuntos e fiambres maravilhosos) e as pizzas retangulares.

Neste restaurante, no aeroporto Carrasco, eles cultivam as rúculas que vão nas pizzas. Maravilhosas.


Em 2010 eu achei linda a fachada do Teatro Sollís. Na época fiquei apenas um final de semana e não consegui ver um espetáculo. Dessa vez, mesmo com grana curta, comprei ingressos em lugares baratos, apenas para entrar, conhecer e ter a experiência de vivenciar o ambiente do teatro.  Lindo demais!!!! Foi muito interessante ver como os idosos saem à noite, vivenciam mais o que o cidade tem a oferecer. Diferente de cidades brasileiras do nordeste. Aqui, acho que pela violência, pelos desconfortos, o idoso acaba mais isolado em casa ou só faz programas com família. Lá, muito normal, ver idosos sozinhos, em grupos ou casais, em todos os lugares. Os pontos de ônibus estão sempre com muitos idosos.  No Sollís, por exemplo, acho que eu era uma das pessoas mais novas da platéia. 


















É claro que eu tinha que mostrar ao meu bem as atrações  turísticas e também fui a alguns lugares que são obrigatórios, como Mercado del Puerto e o Prédio Legislativo. O fato de ser inverno limitou muito, mas eu já tinha ido no verão e visto o quanto a cidade tem praias maravilhosas, que ficam cheias e animadas (apesar de não ser praias oceânicas, mas não perdem em nada, pois é o maior rio em largura, do mundo, na Bacia do La Plata). Por isso queria sentir mesmo o clima de frio, os restaurantes com as churrasqueiras imensas, onde ficam as carnes divinas. Todos os lugares que entramos, tiramos os casacos, pois tudo com calefação, em temperatura de 24, 26, 28  graus, super confortável.
Como estava de carro e ficava rodando pelas ruas também, descobri a confeitaria '25 de Mayo',  única, 'rica', um mimo de lugar, cheia de confeiteiros super simpáticos, onde estive por duas vezes, comprando o melhor suspiro que comi na vida, além dos docinhos divinos (na foto da mesa com a ceia dá pra ver), brioches e rosquinhas de dar água na boca.

Bom, foi a segunda viagem ao paíszito, e se Deus permitir, outras virão. E um belo dia, se esse Brasil não mudar, irei de vez, viver naquele lugar calmo e onde as leis funcionam.

sábado, 31 de maio de 2014

As seis malas de um casal

Eu sempre soube que ao longo da vida vamos nos enchendo de informações, impressões, conteúdos, conhecimento, experiências, percepções... enfim, vamos vivenciando e guardando, no consciente e no inconsciente, o resultado disso tudo. E assim vamos montando a mala que nos acompanha. Esta mala sempre se abre quando temos novas experiências. Ela se abre e tudo o que está lá dentro se apresenta, pronto para ser comparado, demonstrado, revelado, ampliado, retratado, as vezes, vomitado, por nós, diante do outro, que vivencia conosco aquelas novas experiências. E as vezes o conteúdo da mala nem sempre é identificado antes de ser revelado, o que pode nos provocar surpresa, porque falamos algo ou fazemos algo sem pensar. Exemplo prático: na vida à dois, quando uma briga acontece, acabamos falando coisas que vem direto da mala. Coisas que lemos, que ouvimos falar, que vimos em um filme, que sentimos em brigas anteriores e engolimos, enfim, tudo vem, de todos os lados... E as vezes nem temos consciência que fazemos isso. Terapia ajuda a dar uma revisada nessa nossa mala de vez em quando. Mas o que eu nunca tinha parado para pensar e que minha terapeuta me fez ver esta semana, é que temos ainda mais duas malas conosco. A de nossa mãe e a do nosso pai. Não integralmente, apenas as que eles, com ações, palavras, nos marcaram. É como uma herança que recebemos e nem percebemos. E as vezes são heranças que pesam, porque apenas nos chegam aquilo que eles fizeram e o que nós percebemos que foi feito. Sem a explicação deles do porquê de determinados atos ou palavras. Ah, e o nosso companheiro também tem as malas dos pais. Dito isto, vou dar o exemplo que vivenciei e que só agora estou compreendendo as 'caras e bocas' que fazia e as palavras que dizia sem nem mesmo sentir. Contextualizando parte do que compõe minhas malas: Eu fui criada em um clima de insegurança financeira em minha família. Aos 13 anos comecei a perceber que meu pai era instável financeiramente. Ele abria muitos negócios que não iam a lugar algum. Ele dizia que não tinha dinheiro para fazer a feira completa da semana, mas chegava em casa com vinho, cerveja, carne para churrasco, whisky e cigarros. Isso nunca faltava. E eu, cá, formando os pacotes da minha mala... A insegurança financeira dele fez minha mãe tomar algumas atitudes. Ela voltou a estudar, fez concursos, começou a dar aulas na rede municipal e estadual, entrou na universidade e passou a sustentar a casa. Ele, enciumado, com despeito, que eu percebia mas não analisava, via um marido cada vez mais grosseiro. Um pai que eu admirava ia se transformando também em uma referência de 'marido indesejável' aos olhos de uma mocinha. Meus sonhos de casar terminaram ali. Tudo ia pra mala. Meu pai cada vez mais sem grana, minha mãe cada vez mais dona da vida financeira da família. A insegurança financeira de meu pai me levou a mudar de escola, saí da escola que eu gostava (era particular, onde estudei da 1ª série primária ao 1º científico), para ir para uma escola estadual _ a maior da minha cidade. Parei de me preparar para um vestibular e fui fazer magistério. Aos 16 anos eu fui trabalhar em um projeto do governo municipal como monitora de crianças de 4 aninhos (projeto Educar). Passei em concurso da prefeitura e no vestibular para Letras aos 17 anos e aos 18 fui dar aulas na escola que eu estudei a vida toda, à convite das Freiras da instituição, que gostavam de mim, na Ação Fraternal de Itabuna. Ao final dos 18 anos eu tinha independência financeira. Minha mãe entrou na universidade, meu pai vivia de bicos. Eles se separaram eu tinha 22 anos. O resultado disso tudo, hoje analiso, foi uma mocinha temerosa com relação à relacionamentos e ao uso do dinheiro. Sempre fui muito econômica. A ponto de meus irmãos acharem que eu não sabia curtir a vida e de Cris, pai do meu filho, me achar avarenta. E não consegui casar. Tive pessoas importantes em minha vida que me propuseram casamento. E eu acabei fugindo. Achei todos os defeitos neles!!! Como se eu fosse perfeita!!! Mas agora, em análise com minha terapeuta, vemos que era apenas meus mecanismos de defesa em ação. Não eram os defeitos alheios que me afastavam da possibilidade de conviver maritalmente com alguém. Era a possibilidade de repetir o modelo dos meus pais. As três malas sempre se abrem. As nossas e as dos nossos pais... Mas vejam, minha mãe é filha de uma relação mal sucedida. Meu pai também. Meus avós maternos não moravam juntos. Meus avós paternos moravam, mas dormiam separados e meu avô tinha amante. Olha que horror!!! Imagine as malas que meus pais carregavam... Então eu sou fruto de um bom número de malas complicadas no quesito 'casamento'.
Pois bem, convivi por dois anos com um namorado (não moramos em uma casa comum), mas tendo vida muito próxima, no mesmo bairro, observei que ele é fruto de um casamento cheio de carinho entre os pais,  e ele (apesar de eu ser o quarto longo relacionamento), buscava ter algo parecido com o que seus pais construíram.

Eu convivi por quinze dias com os pais dele e vi que se amam muito. O pai dele, que sempre foi provedor, nunca deixou nada faltar. A relação dele com o pai sempre foi de segurança financeira, de tranquilidade. Então, quando ele me via economizando e com dificuldade em gastar comigo, ele estranhava. E eu, quando o via comprando coisas caras (que as vezes acho supérflua), mas que para ele são naturais e prazerosas, fazia caras e bocas sem sentir. Mas se não sou eu quem ia pagar, se era o dinheiro dele que era gasto, de onde vinha minhas caras e bocas? Descobrimos, na terapia, que as herdei  da minha mãe, da minha adolescência, das vezes que vi meu pai chegar com coisas para ele, em detrimento do que nossa casa, nossa mesa e geladeira precisavam, e de mim, de minha mãe e meus irmãos. Carrego as caras e bocas das minhas malas... E é esse é apenas uma agulha desse enorme palheiro.

Urgente meus tratamentos!!! analisar as malas, identificar que conteúdos são esses, que precisam ser reciclados, retirados, modificados...  Quero deixar as malas leves. Elas tem pesado sobre mim e impedido minha evolução. Sinto que sem esses conteúdos eu vou dar conta da 'felicidade nossa de cada dia' de forma mais tranquila. Quero que as malas virem sacolinhas!!!!

terça-feira, 29 de abril de 2014

'Eu não nasci de óculos', mas eu adoro viver de óculos!!!

Não, não é balcão de ótica. É minha pequena coleção de óculos... Como começou essa história? Eu tinha 15 anos. Fui a uma lanchonete com minha turma de amigos e lá a galera pedindo lanche e eu não conseguia ler o painel com o cardápio. Como assim???!!!!! o Rafael Dórea, que usava óculos, tirou os dele e colocou-os em mim: Milagre!!! eu enxergava o mundo. Escolhi meu lanche e de quebra parei de ter a fama de metida a besta porque não falava com as pessoas (eu não as enxergava). E aí, comprar óculos era necessidade e se fosse diferente, eu ficava fã... pena que eles não duram uma vida, senão eu teria uma hiper super coleção!! Acho que óculos diz muito da gente. E eu até tenho lentes de contato, mas meu contato com elas é sempre um pouco problemático. Uso descartáveis quando tenho um evento pra ir. No dia a dia, são eles, meus companheiros de rosto, que estão comigo. Hoje conheci o Francisco Ventura Júnior. Um designer de óculos, que além de óptico, é pesquisador e escritor. O livro, Olhar atento, da editora Senac, que ganhei, autografado, depois de uma entrevista que fiz com ele, é maravilhoso, porque conta as histórias da sua ótica, da sua marca, da sua família e de como escolher um belo par de óculos e valorizar seu rosto. Além de histórias engraçadas sobre pessoas e suas escolhas. É ele quem cria os óculos da Marília Gabriela. Assisti uma palestra dele e conheci a loja exclusiva na Barra. Linda loja. Não resisti e comprei um par para mim (e que bom que eles dividem em várias vezes, porque pude comprar um modelo lindo, do jeito que gosto, inovador). O Francisco busca inovar de verdade. Tem óculos para quem tem hipermetropia e dificuldade para se maquiar. Uma lente sobe enquanto o olho na outra lente auxilia quem precisa enxergar para se maquiar e vice-versa. Fantástico. Tem óculos esportivo que não desgruda fácil e outro, tão miniaturizado que fica menor que um celular. Ideal para usar escondidinho no terno. Ou ainda um óculos colar para colocar em dia de festa e compor a vestimenta... Muito criativo. Mas o que gostei mesmo foi da ideia de vestir os óculos. De poder ser mais que um rosto com lentes. E se Herbert já afirmava que se eu estou triste eu tiro os óculos e não vejo ninguém, mais um motivo para ter um monte de modelos. Porque quero sempre ver tudo, e estar muito feliz para enxergar esse mundo maravilhoso!!! E que legal que hoje existem artistas que se dedicam a fazer objetos tão úteis. Olha a família do Ventura aí: Ele, a esposa, co-autora e sócia, a Débora e o filho lindo do casal, o Felipe.