sexta-feira, 30 de junho de 2017

T0 (T-zero) nunca mais...

T0 é a sigla para um ambiente único, com banheiro (ou casa de banho), que congrega em 30, 40 m² ou mais, um espaço de dormir, com cama e mesa de cabeceira, armário para roupas, também tem balcão de cozinha com pia, fogão, microondas e um frigobar (frigorífico), as vezes máquina de lavar roupa, e quase sempre tem mesa e cadeira.
Pois bem. Ao chegar em Portugal, busquei essa opção, pois queria custos reduzidos e claro, imaginei que um T0 seria mais fácil para limpar, para decorar, para manter (menos produto de limpeza), menos tapetes, etc... mas não conhecia as desvantagens desse ambiente.
Prédios com T0, tem diversos quartos desses, uns colados nos outros, e a privacidade é muito reduzida. Ouvi momentos íntimos de vizinhos com muita frequência. Também é complicado os saltos altos das vizinhas, os cachorros, e todo tipo de barulho, atentando para o fato do português costumar chegar em casa após as 23h com muita frequência e sair cedo para trabalhar, o que significa acordar com barulho de saltos altos e querer dormir e ter saltos altos ou camas rangendo em momentos de sexo.
Outra questão que vivenciei de extremo desconforto, foi um longo inverno, em que o ambiente do T0 é grande demais para um aquecedor normal fazer efeito. O aquecedor ficava ligado o dia todo e não aquecia nada. Minha conta de luz mais que dobrou  e eu ainda morria de frio em casa. É preciso um ambiente de 15, 20 m² para o aquecedor agir. E o T0 quase sempre é bem maior. Comprei tapetes para tentar aquecer o ambiente, comprei mais um aquecedor e nada. Eu passei a usar o aquecedor embaixo de uma mesa de granito, pois a pedra aquecia e liberava calor, mas quase sempre minha casa estava mais gelada do que quando saía para a rua. A noite, embaixo de um edredom mais grosso, tudo se resolvia, mas o dia era um tormento.
Outra questão que me incomodou foi receber um técnico para ligação de telefonia, ou consertar o bocal da eletricidade do quarto e ter uma cama no ambiente, porque dá sempre uma sensação de lugar íntimo. Complicado receber visitas. E o meu T0 tinha apenas portas para uma varanda. Quando abria, acesso para a vizinhança ver a intimidade. Agora no verão, o T0 é um forninho, pois se quero ventilação, tenho que expor meu quarto de dormir a quem está do outro lado da rua. Enfim, não foi uma experiência boa. Mas sim, fácil de limpar, fácil de decorar e relativamente barato.


Aluguei meu T0 por 240 euros mensais sem máquina de lavar. E tive amigas que alugaram T1 por 250, 270, e T2 por 275, 300... enfim... penso que hoje com a experiência que tive, penso que pagar um pouco mais também compensava.
Fica a dica para quem nunca viveu a experiência, saber como lidar com as vantagens e as desvantagens.
 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Escola de verão, sessão de mentoria e solidariedade na pesquisa

A Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação, a Sopcom, realiza há três anos um evento dedicado aos doutorandos em início de pesquisa. Faz parte das ações do GT Jovens Investigadores. Este ano, para minha sorte, foi realizado no Porto, na Universidade Lusófona.




Mesmo mancando, lá fui eu. Participei de workshops, palestras e sessões de mentoria.  A troca de experiências, as dicas sobre importantes autores e teses, o encontro com quem pesquisa objetos que tem certa proximidade com o nosso. Tudo muito interessante para quem está iniciando a pesquisa.
A sessão de mentoria da qual eu estava inscrita, foi coordenada pelo Professor Rui Pereira, que fez uma explanação maravilhosa sobre a necessidade de pensarmos o doutoramento como uma grande aventura na busca do conhecimento.

domingo, 25 de junho de 2017

Uma queda e mudam-se planos, pontos de vista e energia

Eu escorreguei. Para não cair, tentei me equilibrar e intuitivamente, joguei meu peso na perna direita, que não suportou. O 'creck' que escutei parecia vir da minha alma. Caí.
A queda não foi por ter escorregado. Foi algo além. O joelho, sobrecarregado pelo peso do reequilíbrio, pareceu sair do lugar. Eu caí de dor. Uma dor aguda que saiu do joelho para toda a perna, que pendeu e eu caí.
Conto em tantas frases algo que foi rápido. Mas em minha mente foi lento porque eu tentei entender naquela fração de segundos o que estava a acontecer.
Na queda, uma incompreensão, pois eu tinha conseguido me reequilibrar.
Mas o joelho não suportou o movimento rápido nem o sobrepeso.
Resultado: uma entorse de ligamento cruzado posterior.
Machuquei o joelho direito e tudo na minha vida pareceu pender para o esquerdo da vida.
Um dia depois da queda, com muita dor, eu me dei conta que estava tudo errado: eu, sem parentes em um país estranho, morando em uma casa afastada, sozinha na casa, em estado físico debilitado e emocionalmente em queda.

Os primeiros dias foram praticamente de cama. Gelo. Pomadas.


No hospital tiraram radiografia. Nada quebrado. Eu já sabia. Deram-me injeção, comprimidinhos embaixo da língua para relaxar. Uma receita com anti-inflamatório, relaxante e remédio para dor e a recomendação de repouso. Nada de imobilização, nada de ressonância...
Eu esperava um tratamento diferente do que recebi e isso também teve um impacto no meu já debilitado estado emocional.
Como assim, ir para casa e repousar? como assim se eu coloco a perna no chão, tento andar e se equaciono o peso do corpo sobre a perna com o joelho magoado, dá-me uma dor aguda... explico ao médico, ele me olha mas parece que não me entende. É um clínico.
Nem a um ortopedista fui encaminhada.

Então o jeito foi apoiar sempre o peso na outra perna e andar muito devagar.

Dias depois o inchaço diminuiu, mas o joelho continua tendo vida própria. É como se houvesse algo solto.
Se eu apoio o peso nas duas pernas e caminho, do nada meu joelho vira sozinho e só sinto a dor aguda.
Remédios e repouso.
Mas passei a repensar muitas questões sobre estar fora e só. E também sobre como Portugal trata entorses de ligamento de joelho. Eu, paciente, estou tentando cuidar de não ter sequelas, pois para o médico que me atendeu, o fato de não ter quebrado era só o que contava...

Dez dias em casa. A rotina permite no máximo sentar e estudar. E em todas as vezes que tentei colocar todo o peso sobre a perna machucada, para andar de forma normal, dores agudas.
Mas é preciso sair, fazer coisas que não esperam.
A outra perna, que tudo passou a sustentar, agora dói também. A coluna está sobrecarregada. Sinto dores no corpo de forma generalizada.

Mas é a alma que não pára de doer.
A alma que quer mãe, que quer filho, também quer Pai e Espírito Santo. Sonhei com meu pai, o que não ocorria há meses.

A alma quer casa. Quer mimos.
Quem cai, despenca no humor, rola na ladeira abaixo da tristeza.

Hoje, dia 30, uma pequena edição para contar uma novidade: consegui emprestadas as muletas que devem começar a me tirar desse abismo.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Meu São João de frustração

As festas juninas tão populares no nordeste do Brasil, cá são muito parecidas. Desde que eu cá estou, ouço falar do São João em Porto, com sua festa na Ribeira e em Braga, com suas manifestações de rua. Então havia grande expectativa.
Em Braga eu fui no primeiro dia de festejos. Vi como o centro da cidade estava bonito, decorado. A avenida central é sempre palco de muito cuidado por parte da administração pública. Vi o primeiro show. Vi um cortejo de cabeçudos e fantasiados. Fiz umas fotos.
Mas daí que eu me machuquei, não pude ir outros dias, e olha que foram mais de dez dias de festa!  e fiquei de 'molho', em casa, sem ver nada. Só restaram as fotos...



sábado, 3 de junho de 2017

O Vinho Verde da canção

Quando mais jovem, escutei um dia a canção que dizia:  "vamos brindar, com vinho verde pra que eu possa cantar, canções do Minho que me fazem sonhar, com o momento de voltar ao lar"

E nunca, nunca, antes de 2015, pensei que um dia cantaria essa música com sentido inverso ao cantor. Muito embora não sinta saudades desse Brasil tão complicado, sinto saudades do lar.


Na noite deste sábado, fui conhecer a Feira do Vinho Verde em Braga. Provei diversos vinhos produzidos na região do Norte. Brindamos e celebramos com amigos, e a cada brinde essa música parecia ressoar em minha mente.




domingo, 28 de maio de 2017

Braga Romana - Uma festa memorável

Desde que eu cheguei, ouvia falar da Braga Romana, do quanto era uma festa bonita e alegre, mas nada me preparou para o que vi: uma cidade envolvida de verdade, na produção de um evento bom para a história, cultura, artes, comércio e lazer.
A Braga Romana é um evento que está na sua 14ª edição, e claro, já deve ter tido os seus desacertos, para chegar ao nível em que está hoje. Não observei nada que não fosse muito bem cuidado ou produzido.

Durante cinco dias, o centro histórico se transforma na Bracara Augusta, a cidade criada por César Augusto, Imperador de Roma, no ano 15 a.C.  Uma cidade museu a céu aberto então é vivenciada por moradores e turistas, com a ajuda de centenas de atores, penso que a maioria voluntários, estudantes da UMinho, das escolas de ensino secundário, de agremiações, de associações de pais, de freguesias (os bairros), pessoas cheias de disposição que se transformam em cidadãos romanos, vestidos e vivenciando seus papéis com uma responsabilidade de admirar e emocionar.


Tem eventos de dança, de religiosidade, tanto de Roma quanto dos lugares alcançados pelo Império.
Eventos pagãos de rara beleza, de fantasias preciosas... senti vontade de sair a dançar com o Baco pelas ruas da cidade...

Tem uma feira de ofícios, onde há moedas cunhadas na hora, roupas e perfumes a serem produzidos, animais a serem tratados, como aves de rapina e cavalos, num acampamento militar...

 O cotidiano de uma cidade romana é a verdadeira aula de história para os pequenos.






O comércio também é rico e variado, de especiarias, de bijuterias, artesanatos, artefatos...

E também de comidas deliciosas e bebidas dos deuses, eu me encantei com a sangria negra e a de frutos vermelhos.


Nos dias em que fui, vi espetáculos com fogo, vi desfiles, vi gente sorridente. Parecia um grande Teatro de rua, gigante, ou um lindo carnaval de rua, com uma música mais serena, mas com muita ludicidade.










 É, sem dúvida, a melhor festa dessa terra! Ave César, vivo na Bracara Augusta.  


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aveiro, a Veneza portuguesa

Aveiro do cheiro de mar. Do vento no cabelo.
Fui no inverno e na primavera. É sempre a mesma sensação. Uma cidade encantadora. Chega-se de comboio em Aveiro. Para quem está em Braga, Guimarães ou Porto, compensa usar o bilhete turístico. Ida e volta em 24 horas custa 7 euros. De Braga é preciso descer em Campanhã, uma estação do Porto, e mudar de trem. A viagem de ida e volta consome mais de 5 horas. Mas vale muito a pena. E depois de Gaia, vê- se mar em boa parte da trilha dos trilhos...

Há uma ponte da amizade e dos namorados. Com seus cadeados, seus laços e suas promessas de amor que duram, amarradas nos ferros da ponte que atravessa uma das rias de Aveiro.

Há uma ponte moderna e um visual que é obrigatório para quem não dispensa as fotos do 'eu estive aqui'.
 A primeira vez que fui, meu filhote me acompanhava. Era inverno. Um baita sol, um dia lindo, mas muito frio. As rias (ruas de água do mar), que atravessam a cidade, proporcionam um lindo passeio nos Molicieiros, os barcos usados para recolha de algas, que hoje são usados como transporte para turistas. O passeio pelas rias custa em média 8 euros e dura 40 a 50 minutos.
Passa pelos canais e há sempre um(a) simpático(a) guia a falar da história da cidade, dos prédios mais importantes, da extração de sal e da ligação dos canais com o mar, através da eclusa. Ainda assim curtimos muito o passeio de moliceiro.


 Percorremos uns 4 ou 5 canais, cruzando a cidade.


 Da segunda vez que fui, conheci Sr. António, que ao saber que eu nunca tinha provado os 'ovos moles de Aveiro', preparou-os com todo o cuidado. A massa de hóstia, bem fina e um creme de ovos cozidos  levemente, adocicado, é a iguaria desta região. Confesso que não me apetece muito o gosto do ovo, mas a massa é uma delícia.






 Dessa segunda vez, fui com minhas queridas Vanderly e Mariana. E fiquei encantada outra vez.

  • Ainda mais por poder mostrar para elas porque eu me encantei da primeira vez.



Almoçamos um bacalhau maravilhoso.
 Vimos grupos de jovens festejando a primavera, tanto universitários quanto meninos escoteiros.





Pequena, Aveiro tem poucas atrações turísticas. Mas surpreende pela beleza do que oferece.
Fiz lindas fotos de Aveiro. Fui três vezes e volto quantas vezes me convidarem.