domingo, 12 de abril de 2015

De volta à semente

Depois de cinco anos, voltei ao Projeto Semente, em Ubaíra. E mais uma vez foi fantástica a experiência.
Desta vez, sozinha, em um compromisso para comigo e com meu eu interior,  fui para um retiro durante a Páscoa. Sem internet, sem celular, sem pessoas próximas, acho que nunca tive uma experiência tão apenas comigo como desta vez.
Dentre as meditações que fizemos, havia uma, da montanha, que aconteceu em diversas etapas e me foi penoso quase todo o tempo.
A minha montanha, diferente das demais pessoas que lá estavam, e que puderam subir fisicamente, foi apenas mental.
Não pude subir. Meus joelhos não me permitiriam. A limitação, o impedimento físico, me fizeram lembrar do quanto eu devo trabalhar minhas questões relacionadas ao joelho.
E que, para envelhecer bem, se me for permitido viver muito mais, devo fortalecê-los.  Eu vivo faltando o pilates, sempre cheia de trabalho, de afazeres, ele acaba ficando em segundo plano.
Já a subida mental, essa foi ainda mais complicada, porque eu precisava elencar as prioridades na minha vida. A montanha virtual é uma conquista.
No meu caso, escolhi minha evolução, que passa por questões das áreas espirituais, afetiva e acadêmica.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

E viva o lúdico...

Há quase dois anos estou sem a diversão do Teatro e do Canto. Estou triste por não ter conseguido me manter nestas atividades. Foram  quatro semestres do curso de teatro Abrindo Portas, da Cia Vá na Contramão, e um semestre de canto. Também fiz parte do Coral da UFRB por mais de dois anos. Como me faz falta rir de mim mesma, gritar, cantar aos sete ventos, chorar, atuar...


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 - saldos e débitos...

2014, um ano que soma 7, dizem os numerólogos, foi ano onde mentiras caíram, a vida ficou mais transparente e por conta disso houve rompimentos, frustrações, mudanças.
Comigo não foi diferente.
2014 foi ano de olhar por dentro, tentar entender meu interior. Não foi ano fácil.
Mas o quero contar dos rompimentos, é que eles me fizeram entender meu modo de lidar com eles.
Tive três rompimentos significativos. Em dois deles, não controlei e agi por impulso. O último eu soube lidar melhor.
Analisando os dois primeiros, eu e minha terapeuta chegamos a conclusão que eu fujo do que me faz mal, do que me machuca. Fujo logo. Então romper era algo sempre mais fácil para mim, do que lidar com a frustração que acontece, quando alguém que estimo, admiro, gosto ou apenas convivo, me faz algo que machuca. E ir para o confronto, tentando resolver o que deu errado na relação, nem pensar. Por isso, a fuga era fácil.
E quando há o rompimento, tento me convencer que aquela pessoa não me fará falta.

Em 2014 tirei duas pessoas de minha vida. Não que elas não façam falta, fazem. Mas lidar com o que fizeram comigo é complicado, então me afastei.

Os afastamentos tiveram outras consequências, como por exemplo, foi o primeiro natal do meu filho que passei longe dele, já que uma das pessoas é parente paterno dele. Outro afastamento finalizou um projeto profissional que eu estava curtindo. Consequências que achei mais fácil lidar do que enfrentar as pessoas e a minha frustração com elas.

Já o último rompimento só aconteceu pela metade.
Eu já tinha analisado meu 'modus operandi', e procurei agir diferente. Conversamos, dialogamos, tentamos ver outras formas de lidar com nossos desacertos e não rompemos. Continuamos convivendo.

Eu aprendi em 2014 que eu não sou um livro aberto nem mesmo para mim. E nem escrito e finalizado.

Além de todo mistério que mantenho de mim mesma, e do que há por descobrir, desvendar e de todas as páginas escuras que não consegui ler, eu estou sendo escrita todo tempo. Foi um ano de revelações também, eu diria...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O que me alimenta como professora

Largar a profissão de jornalista, deixar a TV, entrar em rotina de professora... burocracia, alunos que não se interessam pela minha disciplina, virar acadêmica no processo industrial de publicar para ser  alguém considerável neste universo de produção de conhecimento (que as vezes nem é tão conhecimento assim), encarar de frente turmas cada vez mais complicadas com relação ao conhecimento mínimo que se espera da língua  portuguesa ou de como se comportar em sala de aula, enfrentar a concorrência dos celulares e notebooks, enquanto a gente dá aula para as paredes... enfim... tem hora que é questionável essa história de ter virado docente.

Mas quando, ao final do semestre, alguns estudantes nos demonstram que deram conta, que foram criativos, que aproveitaram o pouco que a gente consegue orientar neste processo complicado que é 'ensinar' alguém (porque na subjetividade do sujeito, só ele permite que a gente consiga estabelecer essa orientação e ele só aprende 'se' e o 'quanto' ele quiser), então, só aí, eu consigo uma emoção que se traduz em satisfação pessoal, em um sentimento de vitória, que me impulsiona a querer prosseguir.

 Este semestre alguns estudantes me fizeram muito feliz. Não vou citar nomes, mas alguns trabalhos me surpreenderam pela dedicação, empenho e por ver que fazê-lo, ajudou aquele aluno a se enxergar muito capaz. Em um universo de 70 alunos, eu destacaria 20 deles, neste sentimento de ser uma orientadora de verdade. Trabalhei com turmas de primeiro semestre de Cinema, quinto de Jornalismo e segundo semestre de publicidade. Vou postar dois exemplos aqui, de Publicidade, de uma ação social em Santo Amaro da Purificação. Uma com a Apae local e outra com os Alcoólicos Anônimos. Trabalhos de Fotopublicitária, mas que incluem solidariedade, sensibilidade e cidadania.
Penso que mais importante que ensinar a fotografar, a fazer videos ou textos, que são oficialmente o que eu trabalho, eu consigo ajudar a torná-los mais atuantes no mundo em que nós vivemos e somos chamados à transformar. Obrigada aos meus queridos estudantes que me ajudam a aprender cada vez mais nesse processo de ser professora.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O sujeito, a verdade, a ciência, o saber...

Ao longo da vida vamos compreendendo que nem tudo que acreditamos é do conhecimento sistematizado, demonstrável e aceito pela ciência e por muitos amigos e conhecidos  que nos rodeiam, que se acham racionais. Então aprendemos a guardar essas crenças que temos para não entramos em atrito, porque muitas vezes o que acreditamos, a ciência não explica nem comprova e nós também não conseguimos explicar como, ainda assim, continuamos acreditando.
Agora, ao cursar uma disciplina na UNEB do PPGEduc, com prof. Arnaud, e ler textos dele ou indicados por ele para compreender esse sujeito científico que acabamos nos tornando para sermos aceitos entre nossos pares, também sujeitos científicos, eu estou assumindo as minhas crenças como o saber que a ciência não dá conta e que outros sujeitos não vão compreender.
Porque eu não sou o sujeito, eu sou um sujeito. E meu saber não é o saber, tampouco quero ser apenas científica, porque sou um todo e sem minhas crenças, sem meu saber, não me constituo.
Então eu preciso falar de vez em quando desses meus saberes.

Eu acredito que este meu corpo físico vai morrer mas o que eu detenho de conhecimentos, empíricos ou não, aprendidos em livros, ou em vivências e experiências, permanecerão. Por isso acho que viajar tem sido algo muito importante e ler, algo constante. Além de assistir filmes, documentários, ouvir músicas diferentes, conversar com pessoas diversas, tudo isso que amplia meu saber, tem sido prioridade.

Meu saber também me indica que os sentimentos que tenho pelas pessoas não vão morrer, assim como não morreu os sentimentos que eu tenho por aquelas que já se foram. Amo ainda muito o meu pai, a minha avó, alguns amigos que já se foram, como Lia Ramalho. Eles estão tão vivos para mim.

Ainda estão com suas essências em alguma dimensão porque eu os sinto tão presentes. Sinto quando sonho com eles e quando penso neles e minha mente e meu corpo reage a algo inexplicável, que se traduz em um bem estar e em intuições. Adoro ver fotos de quem eu amo e já se foi. Eu fico lembrando de momentos mágicos que vivi com essas pessoas e de alguma maneira, em meu desejo mais interno, eu quero muito que essas essências fiquem sempre bem. Então é como uma oração, onde eu mentalizo sentimentos de amor para eles e eu me sinto em sintonia com eles. Negar isso é negar que eu detenho algum saber sobre isso. Explicar não me cabe, demonstrar não é possível  e estou aprendendo a assumir que tudo isso faz parte de mim.

Já com relação aos vivos, que interagem comigo, eu tenho procurado estar cercada de quem me faz bem. Sempre que alguém que se aproxima de mim me causa algum sentimento complicado, que não sei explicar, mas me faz sentir corpo estranho, as vezes mole, lerdo, pesado, com uma sensação de doença, eu não tenho como entender mas eu apenas sei que não devo estar perto dessa pessoa. Então eu aprendi que meu corpo reage a energias assim. Eu me afasto.
Procuro encontrar pouco esta pessoa e procuro ter uma relação humana de respeito porém respeitando primeiramente o meu limite. Deve haver algo do campo da ciência da física que ainda não se identificou que repele pessoas com energias distintas (não que essa pessoa seja ruim ou má, ou qualquer coisa).
Como não detenho esse conhecimento, eu não o domino para mudar isso (e deve haver uma forma de mudar essas sensações). Mas como detenho esse saber que se instala em mim e acaba por manifestar uma reação que me atinge, eu tenho que acreditar para não achar que sou maluca.

Assim como tem gente que mal conheci e já me sinto próxima, sinto prazer ao falar e quero estar por perto, me permito abraçar (eu que não curto abraçar qualquer pessoa).

E assim eu vou vivendo. Aprendendo a respeitar meu saber e sabendo que ele me constitui e respeitá-lo me faz uma pessoa de inteligência emocional melhor.

Coerência X cidadania

Ontem fui exercer meu direito (dever) de votar. Pelo voto, eu, cidadã comum, que paga impostos e recebe (?) o resultado da aplicação desses recursos pelo estado (segurança? educação? saúde?), emite uma opinião na escolha do próximo gestor do dinheiro público e dos rumos do país nas políticas públicas.
Desde que iniciei minha vida como eleitora eu nunca deixei de votar, exceto em uma única eleição na qual justifiquei por estar em viagem. Meu título pertenceu ao estado da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Na Bahia ele já esteve em três cidades. Então eu sempre cumpri com meu dever, e encarei como um direito meu, poder opinar.
Nesta etapa de ontem, com Arthur por perto, ele que acompanhou eu marinar, esteve comigo na urna, observando este exercício cidadão, e  viu ontem eu clicar 17. 17, número do meu dia de aniversário. 17 que somado dá 8, o número do infinito, porque naquele momento eu desejei que, quem ganhasse, tivesse sabedoria, ética, postura crítica, compromisso e coragem para mudar de verdade esse Brasil. E logo depois que o 17 foi digitado  apareceu 'voto anulado, confirma?' e aos olhos arregalados daquele menino, eu confirmei.
Ele sabia que não podia conversar mas assim que saímos da sala de votação, ele me questionou e falei para ele de coerência para comigo, de verdade para comigo. Eu não confio em nenhuma das duas propostas que estavam em jogo e falei que eu não me sentia com vontade de opinar. Fiz meu dever: fui à urna, recebi meu comprovante. Mas abri mão do meu direito, porque ali não me senti representada.
Ele me olhou e disse: é mamãe, precisamos mesmo ser verdadeiros com a gente.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dia da criança para não esquecer jamais

Teve presente, claro que teve. Na luta para fugir dos eletrônicos e dos games, dei um livro sobre música, muito interessante, que faz um apanhado dos ritmos mais importantes ao longo da História e veio com um CD composto de trechos que representam bem esses estilos.
Mas eu queria marcar o dia. Então eu o convidei para irmos à Fonte Nova ver o BAÊA. Primeiro jogo da vida dele  na Arena, e ele me abraçava, e me abraçava e dizia 'mamãe, tô muito feliz'. O time perdeu de 1 a 0 para Chapecoense, mas chegamos a conclusão que o Bahia jogou melhor, só não conseguia finalizar em gols. Então ele saiu sorrindo, sem nem abalar com o fato do time estar indo direto para zona de rebaixamento. E eu também saí contente, descobrindo que Dia das Crianças, esta data tão comercial, tem formas e jeitos de presentear sem ter que se render ao consumismo...

sábado, 4 de outubro de 2014

Lá vou eu Marinar

Eu oPTei a vida toda. Um dia a felicidade aconteceu. Eu estava grávida ainda e escrevi no diário Cartas para meu filho (que comecei a escrever quando soube da gravidez), que Arthur chegaria em um novo país. Comandado pelo homem que eu admirava. Eu estava tão cheia de esperanças. E parte delas se tornaram realidade. Eu vi o interior ganhar universidades, que se encheram de gente que antes não tinha oportunidades. Faço parte de um time (de professores e técnicos) que trabalha com adversidades mil, recebendo estudantes com um déficit de conteúdo, ortografia sofrível, coesão e coerência comprometidos, mas que, acima de tudo, querem oportunidades e conseguem, na luta e na raça, dar conta da vida acadêmica. Acho que só por este fato, valeu oPTar. Claro que vi coisas boas na área social, econômica e humana. E sei que sem Lula estaríamos detonados.
Sem opção eu votei em Dilma. Contra ela, nada. Ao contrário. Seu passado à avaliza. Mas já não acreditava no PT, já me envergonhava das declarações de cegueiras éticas, já temia que meus heróis políticos haviam sucumbido ao poder. E as reformas não vieram. O clamor nas ruas, a violência crescente, a corrupção, o caixa dois, os escândalos...
E agora a desconstrução que o PT tentou fazer da Marina foi cruel. Isso me deu ainda mais tristeza, porque meu ideal político com o PT morreu de vez.
Quero alternar.
Vou Marinar.