quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Viver para amar e morrer para ser amado

É sempre um susto perder alguém jovem e cheio de planos. É sempre um susto. Nos assusta saber que nosso amigo, no caso de hoje, nossa estimada amiga Rachel não estará mais conosco. Não veremos mais seu sorriso acompanhado do som de sua voz, não teremos mais sua presença espirituosa e afetiva. Nos assusta saber que estamos à deriva, podemos perder quem estimamos sem aviso prévio. Nos assusta saber que somos mortais, que assim como foi ela, vítima de uma doença que se fez anunciar em meses e lutou bravamente para se recuperar, poderia ser um de nós.
Amanhã, poderemos ser, vítimas que somos da morte, como algo inevitável, como algo capaz de se preparar. Assusta porque nunca, nunca estamos preparados, muito embora no discurso seja fácil, há uma demanda pela vida, sempre.
Então viva muito, ame muito, seja muito. Não se preocupe em ter, pois da vida nada levamos. Se preocupe em ser. Minha amiga se foi, mas ela é, e por ser _ amada, querida, estimada, boa professora, boa esposa, amiga de todos, escritora, pesquisadora, estudante (estava terminando dois doutorados) _ minha amiga sempre será. Isso ficou tão claro nas mais de cem mensagens que li hoje, no facebook, direcionadas à ela, que em alguma dimensão desse universo multi-dimensional, deve estar a sentir as boas energias, de gratidão, amizade e amor, que tantos dedicaram a ela. Se preparar para o inevitável é isso. Viver para amar e morrer para ser amado.

sábado, 24 de setembro de 2016

Outono em campo aberto

Fui ver o outono chegar em Porto, no Parque Serralves. Lugar lindo, enorme, com árvores imensas, e havia lá o festival do outono, com música, pintura, comida... uma alegria só.


 Fui com Ana Flávia e Ciça, que se divertiu muito nas oficinas.


Pintamos um Fora Temer e colocamos no varal, as pessoas fotografavam, foi divertido. Quando a noite foi chegando, esfriou muito e eu comecei a compreender o que significa outono aqui. ;)


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

É tudo novo de novo

Sabemos que mudar de casa dá trabalho, de cidade mais ainda, exige-nos um esforço grande em adaptação. De Estado então... mudei para Mato Grosso, depois Mato Grosso do Sul, fui parar no Rio de Janeiro, depois em Pernambuco com Bahia... sei bem que temos a Unidade BR mas no fundo temos cá nossas diferenças dentro do mesmo país.
Eu já viajei pela América do Sul e Central, tive experiências interessantes nos países de língua espanhola, mas nunca tinha saído de mala e cuia, para morar fora. Don´t is easy!
O primeiro grande impacto em terras portuguesas: a língua.
Pasmem! no início, eu não conseguia entender 70% do que falavam os portugueses. Aqui no norte do país, além de fonemas muito abertos, como falam rápido e suprimem letras, e para completar, uma única palavra de sentido diferente do nosso, nos confunde, nos torna lentos para assimilar e responder. Pior, somos, nós brasileiros, altamente metafóricos e eles não. Os portugueses são literais. Então se eu digo em uma frase: perdi o autocarro, dancei! ele te olha com um olhar reprovador e diz 'não dançaste, como dançaste, desculpa lá, mas estás parado'. E você fica em uma diálogo sem nexo. Aconteceu todo tempo comigo. Então controlar nossas gírias, nossas metáforas, é obrigatório.
Outra questão da linguagem: falamos uma língua tosca, com muitos erros grosseiros para os portugueses, que primam no uso da concordância verbal e no uso dos pronomes. Pois bem, falamos 'brasileiro' (segundo eles) e com isso é muito fácil encontrar quem nos trate mal após ouvir nosso 'sotaque' tupiniquim.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Como andam seus segredos?

Segredos. Quais estão indo para o túmulo quando você se for? o que fez e nunca disse a ninguém? quem você amou que nunca saberá? Enfim... você já pensou se há algo que gostaria que fosse revelado à outrem com sua morte? 


No leito de morte de meu pai, já sentindo que o tempo dele se esvaía, aproveitei aquelas últimas horas para relembrarmos coisas de minha infância e adolescência e como eu não tinha segredos para ele, eu acabei contando um segredo de meu irmão. Em um primeiro momento, não sei porque agi daquela forma e fiquei com receio do meu irmão não gostar. Mas não, quando soube, meu irmão me agradeceu. Meu irmão não estava perto, só chegou na cidade após o falecimento. E vi nos olhos dele que foi um alívio eu ter contado. Não era um grande segredo mas era importante compartilhar com meu pai. E o fiz.


E fico sempre pensando, quem mais deveria saber sobre sentimentos e ações da minha vida, que não sabe?

Acho que refletir sobre isso me leva a escrever. Foi por este motivo que este blog foi criado. Foi uma forma que encontrei de falar de muita coisa para meu pequeno, como se ele já fosse adulto e pudesse me entender. 
Um dia, espero que ao ler o que aqui se encontra, ele possa dialogar com a minha forma de pensar, caso eu não esteja mais no plano físico. 
Penso que todo pai e mãe de filho pequeno deveria ter uma forma de deixar claro o que pensa da vida e de questões importantes, como ética, política, relacionamentos, etc. 
As vezes convivemos com pessoas que amamos mas não deixamos claro o que pensamos de assuntos realmente importantes para nós, com medo de ferir, de machucar, de ser de uma opinião contrária. 
Ou ainda com medo de exposição demasiada, de uma crítica, enfim. Como é inevitável, pense sempre naquilo que deixou de falar, de contar e se isso faria diferença na vida de alguém. Se a resposta for sim, encontre uma forma, nem que seja quando o inevitável acontecer, daquela pessoa saber.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pelas Lentes do Recôncavo, Um Recôncavo de Possibilidades

Foram meses reunindo textos, selecionando fotos, trabalho de correções, organização de documentos e autorizações para a editora, e cá estão eles, os dois livros que celebram os dez anos da UFRB em Cachoeira.







Fiz parte da Comissão de Organizadores e formamos uma equipe afinada e muito cheia de vontade de fazer bem feito: Eu, Gaio, Wilson e Sílvio. E claro, a boa vontade de Prof. Sérgio Mattos, da EdUFRB, que mesmo na crise, garantiu a impressão.

As coletâneas reúnem mais de 30 autores, com seus artigos e ensaios e 30 fotógrafos, todos da comunidade UFRB, entre docentes, discentes, técnicos e egressos.



No dia do lançamento, que fizemos com muitas ações compartilhadas, foi uma festa! pura alegria nos discursos, nos encontros, no orgulho de ver que os livros ficaram bonitos, com uma qualidade inspiradora. Agora é torcer que venham mais dez, mais vinte anos de UFRB e com eles, mais livros e mais conhecimento. Ariel e Igor Sky cantando músicas lindas, DJ Anderson Bio animando, e todo mundo no clima de confraternização. Uma bela forma de finalizar o semestre.  



domingo, 31 de julho de 2016

Fotojornalismo para quê?

Na vida, às vezes levamos anos para entender uma mensagem simples: O que fazemos não é tão importante para outras pessoas. Não mesmo.
Eu sempre fui uma professora muito consciente do conteúdo que preciso ensinar, ler, estudar e cobrar dos alunos. E sempre achei que a minha disciplina era muito importante no curso, afinal vivemos um período muito imagético, e na internet e com os novos meios, essa importância só aumenta. Certo?
Pois é, mas não é para todos os alunos. As pessoas não são iguais, têm histórias diversas e suas vidas tem fluxo próprio.
Pois bem, tive um estudante que  teve certa dificuldade de lidar com a metodologia avaliativa da minha disciplina. Ela é anual e ele tentou um semestre, não conseguiu, faltava muito ou chegava atrasado,  as vezes perdia as explicações teóricas e já chegava na parte prática, ele não deu conta de ter um blog da disciplina, tinha dificuldade de entregar os trabalhos e acabou desistindo.
No ano seguinte, pois a disciplina é anual, lá estava ele de novo. Desta vez mais participativo. Mas o blog era uma dificuldade, ele não fez  e não postou os trabalhos, que eram muitos. A disciplina tem 40 horas teóricas e 45 horas práticas. No ano seguinte, outra vez. E foi a mesma história.
Todas as vezes que nos víamos, eu dizia: rapaz, cadê você?
Este ano ele voltou. Mostrou-me que havia comprado uma câmera e já fazia fotos de todos os eventos do lugarejo em que ele morava.
Explicou-me que era um povoado sem internet, com dificuldades para ter acesso e me explicou que trataria minha disciplina de forma diferente desta vez.
Eu já o olhei de forma diferente, pois não sabia que ele morava em local tão complicado de acesso.
Com a ajuda de colegas ele construiu o Blog. Fez seu seminário individual e foi bem, participou de exposição, fez ensaio, tudo bonitinho e estava indo bem, eu sabia que ele dessa vez, daria conta.

Faltando uma semana para terminar o semestre, lá fomos nós, participar de uma exposição em outra universidade, a UNILAB, Campus dos Malês, em São Francisco do Conde. E lá estava ele. Não só nos ajudando a montar nossa exposição, mas expondo também: móveis, feitos de pneus.

Lindos móveis.
Feitos com pneus velhos que ele conseguia nas borracharias da estrada de Santo Amaro da Purificação para Cachoeira.
Eu  vi o talento dele, tão maravilhoso, fisicamente, concreto, naquele trabalho artesanal tão bem feito. Minha ficha caiu: para quê esse moço precisa de fotojornalismo?
que importância tem minha disciplina na vida dele?

Eu senti algo novo: achei tão sem importância a minha disciplina, para o tanto de atraso que ela  causou na vida dele. Eram quatro tentativas.
Ele passou, claro, na disciplina, mas já está passado há trocentos anos na vida, no talento, na garra, na criatividade.
E eu, de cá, fiquei a rever a importância de algumas questões, nas decisões de um professor. Se eu soubesse mais da vida do Arnaldo, com certeza, ele teria sido avaliado de outras formas, sem blog, sem tanta metodologia tecnológica e talvez com uma sensibilidade maior. Não sei se o fato dele ter se desdobrado para dar conta da metodologia, o ajudou em algo, não sei se tudo poderia ter sido mais leve, diferente, caso eu soubesse disso tudo antes. Mas sei que me fez pensar e gosto quando algo se modifica aqui dentro.

domingo, 3 de julho de 2016

Passo a passo na burocracia

Estudar fora. Participar de uma seleção. Organizar documentos. Eu não tinha ideia de como era esse processo e confesso, fiquei assustada com tanta burocracia.
Eu me formei em 1997. Um diploma de uma Universidade Federal (MS), que foi usado para seleções públicas, concursos, mestrado. Nunca duvidei da autenticidade do meu diploma nem da importância dele, guardado com cuidado nestes quase 20 anos. Pois bem, não é que para participar de uma seleção de doutorado em Portugal, eu precisei reconhecer firma de cada assinatura do meu diploma (reitor, secretários, pró-reitor de graduação daquela época)! e também nas assinaturas do histórico e ainda no diploma e histórico do mestrado, que foi em 2005, em Ilhéus, na UESC. E fiquei me perguntando como documentos validados por instituições federal e estadual podem precisar ser 'autenticados'?
E esse foi só o começo, pois depois de autenticados em cartório brasileiro, lá fui eu validar cada um deles, no Consulado Português. Processo caro. Cada documento custou R$66,00! Não fica barato organizar a documentação. Como tinha histórico, diplomas e declarações, gastei mais de R$500,00. 
Enviei as candidaturas e esperei, para prosseguir no processo. Em média esperei um mês pelos resultados e passei nas três seleções que fiz. A decisão mais difícil: ir para qual universidade, para qual cidade (pois eram três cidades diferentes em três programas doutorais de áreas diferentes):   Lisboa, Braga e Aveiro.
Escolhida a Universidade, imprimi carta de aceite e fui em busca do visto de estudante. Novos documentos, diversas declarações. Tudo o que foi assinado por mim, tive que reconhecer firma e tudo o que foi assinado por outros, também. Não aceitam declarações de internet, como por exemplo, o de antecedentes criminais. Precisa ser solicitado na PF e reconhecer firma do delegado que assinar. Providenciar seguro de saúde (que custa uma nota) e também o PB4, para daqui a um ano, vencido o seguro saúde, poder contar com assistência mais em conta, através do acordo Portugal Brasil do CDAM. Vence em um ano, mas deixei procuração e com isso o PB4 será renovado. 
Pagas as taxas, foram 45 dias para visto analisado, concluído, aprovado.  Uma das muitas batalhas em busca deste doutoramento.