segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dia da criança para não esquecer jamais

Teve presente, claro que teve. Na luta para fugir dos eletrônicos e dos games, dei um livro sobre música, muito interessante, que faz um apanhado dos ritmos mais importantes ao longo da História e veio com um CD composto de trechos que representam bem esses estilos.
Mas eu queria marcar o dia. Então eu o convidei para irmos à Fonte Nova ver o BAÊA. Primeiro jogo da vida dele  na Arena, e ele me abraçava, e me abraçava e dizia 'mamãe, tô muito feliz'. O time perdeu de 1 a 0 para Chapecoense, mas chegamos a conclusão que o Bahia jogou melhor, só não conseguia finalizar em gols. Então ele saiu sorrindo, sem nem abalar com o fato do time estar indo direto para zona de rebaixamento. E eu também saí contente, descobrindo que Dia das Crianças, esta data tão comercial, tem formas e jeitos de presentear sem ter que se render ao consumismo...

sábado, 4 de outubro de 2014

Lá vou eu Marinar

Eu oPTei a vida toda. Um dia a felicidade aconteceu. Eu estava grávida ainda e escrevi no diário Cartas para meu filho (que comecei a escrever quando soube da gravidez), que Arthur chegaria em um novo país. Comandado pelo homem que eu admirava. Eu estava tão cheia de esperanças. E parte delas se tornaram realidade. Eu vi o interior ganhar universidades, que se encheram de gente que antes não tinha oportunidades. Faço parte de um time (de professores e técnicos) que trabalha com adversidades mil, recebendo estudantes com um déficit de conteúdo, ortografia sofrível, coesão e coerência comprometidos, mas que, acima de tudo, querem oportunidades e conseguem, na luta e na raça, dar conta da vida acadêmica. Acho que só por este fato, valeu oPTar. Claro que vi coisas boas na área social, econômica e humana. E sei que sem Lula estaríamos detonados.
Sem opção eu votei em Dilma. Contra ela, nada. Ao contrário. Seu passado à avaliza. Mas já não acreditava no PT, já me envergonhava das declarações de cegueiras éticas, já temia que meus heróis políticos haviam sucumbido ao poder. E as reformas não vieram. O clamor nas ruas, a violência crescente, a corrupção, o caixa dois, os escândalos...
E agora a desconstrução que o PT tentou fazer da Marina foi cruel. Isso me deu ainda mais tristeza, porque meu ideal político com o PT morreu de vez.
Quero alternar.
Vou Marinar.

domingo, 21 de setembro de 2014

'Acho que esse é meu primeiro concurso público, mamãe!'

Esta foi a frase que meu filho exclamou ao participar de uma etapa da seleção para estudar no Colégio Militar de Salvador, do Exército Brasileiro. A sensação que meu pequeno teve eu também tive, ao ficar aguardando por ele, na área interna da instituição. A quantidade de inscritos, o número de vagas e a percepção da importância daquela seleção me fizeram analisar o processo sob diversos ângulos. 
No site da instituição, o número oficial de inscritos foi 1.295 para 30 vagas. A quantidade de pais aguardando os filhos fazerem a prova de matemática, dessa primeira etapa, era enorme! Penso que não houve muitas desistências, já que quantidade de crianças que foram terminando a prova, realmente demonstraram que eram muitas, naquele processo seletivo.






Fiquei conversando com um engenheiro elétrico, formado na UFBA, cuja esposa era professora universitária como eu,  e também com uma senhora cuja filha, de 9 anos, estava tentando pela primeira vez, e de acordo com ela, a menina tentaria nos próximos dois anos caso não passasse agora. 
Antes de conversar com eles, ouvi algumas conversas por onde passei e o teor era sempre o mesmo: Pais buscando reduzir custos com educação, que acreditavam que ali  o filho estudaria em local com disciplina (aliás foi o que mais escutei) e que receberia conteúdo de verdade,  e que ao final teria condições de adentrar uma universidade de qualidade quando o ensino fundamental e médio acabassem. 
Tudo ali me remetia a uma série de pensamentos: o quanto estamos carentes de boas escolas; o quanto estamos tentando resgatar conceitos de limite e disciplina; o quanto estamos sedentos por educação de nossas crianças com preço justo. Muitos pais tem feito sacrifícios para manter filhos em escolas particulares, independente de quanto custam, o fato é que todo mundo tem fugido o quanto pode do ensino público comum.
Ouvi gente relatando que seus filhos tinham feito cursos preparatórios de meses para aquela seleção.
Meu filhote também recebeu reforço. Nos últimos três meses recebeu aulas extras de matemática.
Algumas vezes sentei com ele para fazer simulados dos testes dos anos anteriores. Provas cheias de pegadinhas, que exigiam concentração, interpretação e lógica.
Meu menino da geração 'tudo-ao-mesmo-tempo-aqui-e-agora' demonstrava pouco foco, concentração e tudo muito no sentimento 'obrigação'. Mas a escolha foi dele, já que é escoteiro há um ano e penso que o militarismo o atraiu.
Claro que, como pais em busca desse custo/benefício já atestado acima, nós o incentivamos, mas deixamos claro que nada mudaria caso não passasse, pois escola de qualidade é uma das prerrogativas para quem só tem um único filho e conseguiu um padrão mediano de qualidade de vida pelo estudo, como eu e o pai dele.
Pois bem, de tudo o que ensinamos nesse processo, muito me surpreendeu o quanto ele foi responsável e conseguiu administrar bem o tempo da prova. Finalizou tudo às 11h da manhã, com duas horas de prova (eram até três horas), mas permaneceu na sala, porque queria a prova e os rascunhos e só quem ficasse até o final teria esse direito. Às 9:45h  muitas crianças já  haviam entregue a prova e desciam para o pátio.
Trouxe a prova e consigo a possibilidade de conferirmos assim que o gabarito fosse divulgado. Eram 13h quando abrimos o site e toda a esperança dele se diluiu... não conseguiu acertar 50% da prova, para ir para a segunda etapa, a de Língua Portuguesa. Ficou triste em um primeiro momento, depois pareceu relaxar.
Sei que a vida do meu menino vai continuar a mesma. Mas fiquei com uma sensação de que ele perdeu muito por não conseguir entrar naquela instituição. Mas sei que a peneira  foi enorme. E depois de ver a prova, percebi que interpretação, lógica e foco foram o que realmente eliminaram meu filho... não a matemática.
Sei ainda que quem perde mesmo é a sociedade brasileira, ao termos tão poucas opções de ter um ensino de qualidade para todos, com respeito institucional, já que escola virou palco de problemas e violência.

   

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um ano de nova morada

Casa. Moradia. Lar... eu precisava resgatar as minhas relações com esse espaço.
Há anos vivia dilemas com o local escolhido para morar...
Vamos voltar no tempo. Moradia sempre foi problema na minha história de vida. Aos sete anos, muito menina ainda, lembro-me de um lindo apartamento (soube depois que era financiado), todos comendo em volta da mesa, meu pai avisa a minha mãe que vendeu o apartamento e seríamos obrigados a mudar e morar de aluguel. Tinha bons amigos naquele lugar (Aldrin e Ro, Tita e suas irmãs, Maruse e Carlesson, entre tantos outros). Lembro da minha mãe engasgar. E dela ficar muito triste. Anos depois soube que meu pai jogava  cartas e de ter perdido o apartamento no jogo. Perda da casa. Primeira referência de perda do lugar agradável. Mudamos. Aluguel. Uma casa grande, porém velha, em rua que sofria com enchentes e um dia acordei com minha mãe nos tirando da cama, em pânico, porque a água estava beirando o estrado. Ela disse ao meu pai que não ia admitir mais um susto daquele. Ele comprou um terreno em bairro super distante e resultado, lá fomos nós morar em local complicado de acesso. Longe de amigos, de primos. Meu pai faliu de vez. Vendeu carro. Ficávamos duas horas em pontos de ônibus para ir e voltar da escola. Os amigos iam pouco em nossa casa. Tudo era complicado. Tinha que dormir na casa das amigas se tivesse uma festinha para ir, porque não dava para sair à noite. Isso dos nove aos dezenove anos. Uma relação de ódio com aquela moradia, onde a casa era confortável e o bairro era um inferno.
Aos 20 anos, quando conseguimos convencer minha mãe a voltar ao aluguel, fomos morar em casa pequena, mas bem localizada. Mas as paredes eram coladas uma casa na outra e dava para ouvir tudo o que os vizinhos faziam e ouviam. Odiava aquilo.
Aos 22 fui morar em Cuiabá. Bairro distante. Não conhecia a cidade. Engordei dez quilos em três meses, trancada dentro de apartamento pequeno, sem varanda, em cidade que eu não dava conta de andar só, quente e complicada.  Com seis meses o destino foi um local central, em apartamento bom, bem dividido, prédio com piscina e eu voltei a sentir prazer de morar.
Mas seguindo um noivo que pediu transferência, lá fui eu para Campo Grande, morar em casa velha novamente, tendo que conviver o tempo inteiro querendo reforma.
De volta à Bahia, Juazeiro, salário curto demais, fui morar em casa nova em bairro distante. Novamente a música da vizinhança me incomodava.
De volta à Itabuna,  para a casa que construí e sonhei envelhecer, acho que foi o período mais tranquilo de moradia, mas com a chegada de Arthur, a necessidade de uni-lo ao pai, largo eu mais uma vez meu sonho de casa e no interior, depois de penar em três alugueis, consigo comprar uma casa em Cruz das Almas. Boa, grande, porém em bairro distante (em frente ao estádio da cidade, perto da BR 101). Rua de lama na chuva, de poeira na seca e sempre, sempre, isolada.
Fugindo dessa solidão, vim para Salvador, no esquema dias no interior, finais de semana na capital, desta vez em Stella Maris, para mais uma vez, aproximar Arthur do pai. E eu, isolada. Em uma casa com vizinhança mais uma vez com música alta e que não combinava comigo.
Até que... Barra!!!!
Um ano de Barra. Prédio velho. Apartamento velho, mas amplo. Uma reforma de formiguinha. Que não terminou, mas que já tem me deixado feliz, porque consegui me livrar do que estava sujo e feio.
Um ano de andanças à pé. Um ano de mar perto, de mercado perto, de restaurantes e calçadão perto.
Um ano onde chego em casa sabendo que não tenho vizinhos que incomodam.
Mas para isso tive que deixar Arthur mais com o pai e ver meu filho apenas nos finais de semana.
Mas ele já tem 11. E eu precisava mesmo resolver essas pendências de moradia. Porque se nossa casa é nosso castelo, eu era uma rainha revoltada no meu, até então. É claro que meu amor me influenciou a vir morar no bairro em que ele morava. Havia um sentido em estar mais perto dele. Mas sem dúvida, estar na Barra é estar onde há uma das maiores qualidades de vida nesta cidade ingrata que é Salvador.
Hoje sinto meu território como ninho e cada vez mais reafirmo a necessidade de morar onde nos sentimos bem para compensar todo o esforço do dia a dia.
Agradeço ao universo esse desfecho. Eu resolvi uma pendência de uma vida inteira!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Yumara 80 anos... meu pedacinho de ancestralidade familiar

Desde pequena escutava meu pai e minha avó falarem dela: 'sua tia Yumara... sua tia atriz... a peça Apareceu a Margarida, em que a sua tia estava ótima... sua tia é uma atriz premiada...' e por aí vai. E sei lá porque, cargas d'água, ninguém, ninguém, nem pai, nem avó, nunca fizeram a ponte. Até 2010, quando tia Nydia me ligou e disse: 'sua tia Yumara está com peça em cartaz, você quer ir comigo?' Não pensei duas vezes!!!!
A peça era 'O Monstro', um roteiro criado especialmente para mostrar todas as obras em que ela atuou e todas as personagens que Yumara Rodrigues construiu.
Na vida real, Yumara, cujo nome real é Lígia Lins, foi uma mulher que deixou uma família e uma situação confortável e segura, na pequena Conde, para viver seus sonhos, e fez do teatro seu palco de vida. Não casou porque sempre que se apaixonou, foi questionada sobre largar o teatro caso abraçasse o casamento. Casou com o Teatro. Foi premiada várias vezes. O Governo da Bahia, em reconhecimento ao talento dela, homenageou-a com livro e documentário. E uma edição primorosa, que ganhei e fiquei super feliz quando fui visitá-la. Ganhei ainda uma molheira que pertenceu ao pai dela, a molheira do meu bisavô.




Essa mulher considerada 'dama do teatro baiano', tem em seu currículo uma experiência maravilhosa da arte cênica, e só por ter um dedinho de sangue de artista nas veias, penso que minha paixão pela atuação pode ter sido um traço herdado dela. Pois bem, hoje é dia de Yumara. 80 anos.

 Uma vida inteira de histórias ricas, muitas ligadas ao Teatro e outras tantas da vida familiar e das histórias de meu bisavô, pai de meu avô João, que muito estimava e convivi até meus 17 anos. Eu, sobrinha neta do interior, que também sempre fui apaixonada por teatro, e adoro histórias orais familiares,  tentando resgatar um pouco dessa convivência que não aconteceu antes.
Yumara é uma mulher de vanguarda. E sabendo um pouco mais de sua história, eu sinto um orgulho imenso de ser da família dela e sinto ainda uma identificação... pensei logo ' devo ter puxado alguma coisinha dessa guerreira'...




domingo, 24 de agosto de 2014

Reencontro com a adolescência

Um palco, músicas e duas bandas... e um reencontro com meu passado. Ontem vi BLITZ e RPM e viajei no tempo...
Meu primeiro encontro com a RPM foi em meados dos anos 80. A primeira vez que vi um show tecnológico... tinha até raio laser!!!
Mas esse show de ontem foi especial porque no primeiro, aos 17 anos, lá estava eu com meu primeiro namoradinho. E no de ontem, lá estava eu com meu amado, que me disse ao ouvido: ' estás com o eterno namorado agora'.

sábado, 28 de junho de 2014

Planos para maioridade

A gente pensa que vai ser jovem para o resto da vida e esquece de planejar a velhice. Minha ficha caiu há alguns anos, quando meu querido Alexandre Schiavetti comentou sobre os melhores lugares para envelhecer e eu me toquei que Salvador não é a cidade ideal para viver a  maior idade. Se o universo permitir que eu envelheça, quero vivenciar essa fase em lugar tranquilo. Quero poder andar pelas ruas com acessibilidade garantida, pois sei da fragilidade de quem já não poderá correr, de quem vai ter um equilíbrio comprometido, que necessitará de boas calçadas e quero, principalmente, estar rodeada de pessoas que respeitem os idosos. Quero uma cidade com modernidade, mas sem pressa, sem violência tão exacerbada, que faz dos velhinhos o alvo preferido dos malandros.
Desde 2010, quando estive pela primeira vez em Montevideo e reparei na qualidade de vida que a cidade oferece e na quantidade de idosos que transitam pelas avenidas largas,  praças e ramblas (calçadões da orla), eu venho elencando a capital do Uruguay como o mais provável lugar que quero envelhecer.  Desde que começamos a namorar, falava para meu bem que eu precisava voltar ao 'paíszito' e apresentá-lo à ele. Ele começou a ler e assistir tudo o que passava sobre o Uruguay e, aproveitando a baixa estação e o fato da copa do Brasil atrair todo mundo para cá e as passagens para o exterior terem ficado bem em conta, nós largamos a Barra, em Salvador, um dos palcos mais famosos da Funfest e partimos para a nação Celeste. A semana foi mágica. Vivenciamos experiências de turistas e de moradores locais.




A escolha de onde se hospedar foi em função dessa proposta. Queríamos um bom bairro residencial. Ficamos em Punta Carretas. Pensamos em alugar um apartamento, mas o frio nos deixou em dúvida. Um hotel nos ofereceria mais tranquilidade se tivéssemos problemas com roupas, calefação, lavar louça, etc. E escolhemos bem. Um apart hotel, o Punta Trouville, simples, limpo, bom preço, onde era proibido fumar, com café da manhã farto e delicioso, com ótimos funcionários,  rua super tranquila e com muitos lugares para deixar o carro estacionado, numa rua paralela à rambla, rodeado de bons restaurantes,  lojas e perto do shopping mais bonito da cidade. Como era apart, tinha microondas e fogão elétrico, tudo de cozinha que nos permitiu ir à super mercados e comprar iguarias para pequenas refeições no hotel. E o legal é que no dia seguinte, ao sairmos para passear, voltávamos e encontrávamos tudo  muito arrumadinho e trocado. Foi ótimo! 
Alugamos um carro Spark, da Locadora Canin, que o meu amigo Gustavo já aluga há mais de dez anos e foi ótimo. Preço bom, carros novos, e uma disponibilidade maravilhosa. Tratei com o José Luis, dono da locadora, por whats app e email. Ele nos enviou o carro no aeroporto e já saímos de lá motorizados. Com o frio, chuva e vento, estar de carro foi uma 'mão na roda'.   



A semana nos reservaria estar no olho do furacão na notícia mais quente da copa no período. Assistimos o jogo do dia 24 na pequena cidade de Piriápolis, a 90 km de Montevideo. A Celeste ganhou, a mordida do Suárez  passou despercebida naquele dia e curtimos com o povo na rua. A nação estava muito feliz.  Aliás, com frio de 7ºC, o povo Uruguaio fez o clima esquentar depois da vitória contra a Azzurra. E fiquei impressionada como os jovens uruguaios saem do 'normal' na comemoração esportiva. Vi, tanto em Piriápolis quanto na rambla próxima ao hotel, muitos jovens exagerando no álcool e dirigindo, impedindo motoristas de prosseguir, criando muita algazarra. Polícia perto, mas nada de violência ou de notícias sobre episódios violentos em função disso.   Complicado foi entender e lidar com os ânimos uruguaios, nos dias seguintes, quando o assunto era a punição da Fifa ao jogador. O Suárez é muito querido. Camisas nas ruas, só do 9, canecas com a frase 'Deus salve o Rei', em Inglês, e com Suárez usando coroa. E propaganda com o rosto dele em todas as esquinas. Enfim... o moço era a grande esperança. Eu achei excesso a mordida, achei que esse moço, tendo mordido dois outros jogadores anteriormente, deveria ter passado por um tratamento psicológico para não repetir tal comportamento sob pressão e, na minha cabeça, mesmo que tivesse sido injusta a quantidade de jogos que ele ficou impedido, ainda assim, a Celeste e a nação já sofriam por terem que suportar um fato como este. Mas daí a tirar do Suárez a responsabilidade da ação e culpar a 'máfia brasileira' que queria que a Celeste fosse penalizada, hum,  não entendi muito. Pois bem, Celeste desclassificada. Muita tristeza. Eu que torço pra Celeste já há algum tempo, fiquei sentida e não esperava ver, mas vi, Uruguaios torcendo pelo Chile, e um garçom que nos tratou mal em pleno Mercado del Puerto, porque éramos brasileiros. Mas de maneira geral, observei muita educação, simpatia e cortesia naquele país. E já sou uma uruguaia de coração. 

Pensando na Maior Idade, fizemos atividades de quem nada tinha para fazer. A sede não era de ficar correndo atrás das atrações. Percorremos boa parte do bairro à pé.  Andamos horas pelas ruas do centro da Ciudad Vieja. Observamos o ritmo, as pessoas, turistas e moradores, artistas, vendedores ambulantes... Sentir o tempo sem pressa... Por conta disso estávamos  na praça mais importante da capital e participamos de uma manifestação popular contra a FIFA e o excesso de punição ao Luiz Suárez. 


Um dos lugares que mais gostei de ir, o MAM, Mercado Agrícola de Montevideo, com restaurantes mais simples mas de boa qualidade, doces variados e onde experimentamos uma cerveja artesanal com muita variedade de cores e sabores. O Tannat uruguayo é famoso no mundo inteiro, mas eles adoram cervejas!!!



Outro lugar ímpar foi o restaurante La Perdiz, com a linda e simpática Jéssica (que não gosta de foto) e que nos atendeu exercitando o português dela. Lá experimentamos uma tábua de mariscos, com dois peixes, lulas, vieiras e camarões, maravilhosa! Falam muito da carne uruguaia, mas eu destacaria também os pescados, mariscos, a diversidade do jamón (presuntos e fiambres maravilhosos) e as pizzas retangulares.

Neste restaurante, no aeroporto Carrasco, eles cultivam as rúculas que vão nas pizzas. Maravilhosas.


Em 2010 eu achei linda a fachada do Teatro Sollís. Na época fiquei apenas um final de semana e não consegui ver um espetáculo. Dessa vez, mesmo com grana curta, compramos ingressos em lugares baratos, apenas para entrar, conhecer e ter a experiência de vivenciar o ambiente do teatro.  Lindo demais!!!! Foi muito interessante ver como os idosos saem à noite, vivenciam mais o que o cidade tem a oferecer. Diferente de cidades brasileiras do nordeste. Aqui, acho que pela violência, pelos desconfortos, o idoso acaba mais isolado em casa ou só faz programas com família. Lá, muito normal, ver idosos sozinhos, em grupos ou casais, em todos os lugares. Os pontos de ônibus estão sempre com muitos idosos.  No Sollís, por exemplo, acho que eu era uma das pessoas mais novas da platéia. 


















É claro que eu tinha que mostrar ao meu bem as atrações  turísticas e também fomos a alguns lugares que são obrigatórios, como Mercado del Puerto e o Prédio Legislativo. O fato de ser inverno limitou muito, mas eu já tinha ido no verão e visto o quanto a cidade tem praias maravilhosas, que ficam cheias e animadas (apesar de não ser praias oceânicas, mas não perdem em nada, pois é o maior rio em largura, do mundo, na Bacia do La Plata). Por isso queria sentir mesmo o clima de frio, os restaurantes com as churrasqueiras imensas, onde ficam as carnes divinas. Todos os lugares que entramos, tiramos os casacos, pois tudo com calefação, em temperatura de 24, 26, 28  graus, super confortável.
Como estávamos de carro e ficávamos rodando pelas ruas também, descobrimos a confeitaria '25 de Mayo',  única, 'rica', um mimo de lugar, cheia de confeiteiros super simpáticos, onde estivemos por duas vezes, comprando o melhor suspiro que comi na vida, além dos docinhos divinos (na foto da mesa com a ceia dá pra ver), brioches e rosquinhas de dar água na boca.

Bom, foi a segunda viagem ao paíszito, e se Deus permitir, outras virão. E um belo dia, se esse Brasil não mudar, irei de vez, viver naquele lugar calmo e onde as leis funcionam.