terça-feira, 13 de setembro de 2011

Passe (de verdade) pela vida

Ontem, na terapia, trabalhamos a energia da sensualidade. Todo o grupo. Estávamos em doze. Tínhamos que, depois de trabalharmos nossa sensualidade para conosco (há tres sessões que fazíamos isso, com luz apagada, em pequenos exercícios de toque, cheiro, danças...), desta vez, com luzes acesas e deixando que o outro nos visse, nos mostrarmos sensuais e ainda, num segundo momento, dançar para o outro, olhar o outro com sensualidade, tocar o outro... E foi muito interessante. Vimos alguns, sempre tão secos, tão duros, terem um meio sorriso provocante e um olhar convidativo que nos levava a sorrir com vontade, por dentro. Era como se eles estivessem se descobrindo, como se estivessem se percebendo, percebessem seu próprio poder sensual despertar. Olhos mais brilhantes, pessoas que demonstravam, com movimentos mais suaves, que tinham algo para mostrar... E ao final, fizemos um inventário de emoções do que o estado de ser 'sensual' é capaz, de como se porta, de como se sente: O ser sensual está sempre presente no que faz, é observador, e tenta capturar o olhar do outro, numa eterna conquista. Se move de maneira mais lenta (não lerda, nem largada), mas tem consciência corporal e fala mais tranquila, sem arrastar, apenas elabora melhor sua fala, sem aquele tom desenfreado dos apressados, ou para dentro, dos tímidos. O ser sensual fala pra fora, mas sem voz alterada, por isso sua voz sai suave, harmônica. É como se comandasse cada movimento, ao mesmo tempo em que faz tudo de forma muito intensa, concentrada, mas natural, sem pose... e isso torna o ser sensual um ser poderoso. Como a sensualidade não é uma emoção reta, nem dura (ela é maleável, ondulante), o ser sensual anda, olha, toca, de forma que sua energia pareça ondulante. É um ser vibrante, sinestésico, porque para ser sensual, tem necessidade de se tocar, de tocar o outro. É um ser consciente do seu poder, um poder de estar inteiro no que faz. Então manipula uma energia que o faz ser notado. Nunca passa despercebido nos lugares. E não é vulgar, porque a sensualidade não é sexualidade explícita. Ela é a energia de quem se curte, se namora, que está satisfeito consigo mesmo, se preenche sem necessariamente precisar do outro, mas ao mesmo tempo, deixa o outro participar, na medida que interage, neste olhar e gesto de captura. E depois desse inventário maravilhoso, que, de alguma forma todos nós nos encontrávamos, nosso terapeuta falou sobre essa necessidade de retomar o estado de ser sensual nos dias atuais. Sim, precisamos deixar a pressa um pouco de lado, deixar de ser automático, de tirar um tempo pra nós mesmos, e nos prepararmos para nós mesmos, nos namorarmos, de nos arrumarmos para nós, de nos tocarmos mais, de sentirmos a refeição, o banho, cada coisa que fazemos com mais intensidade. De não deixarmos a vida passar, como se tudo fosse apenas viver um dia após o outro, mas capturar o tempo pra nós, sentindo-o, em cada coisa que fazemos e com isso criar um outro tempo, que não se mensura em minutos, mas em 'estados de sentimento', se sentindo fazendo, se percebendo, e com isso, passando de verdade, pelas coisas, pelas pessoas, pela vida...

Nenhum comentário: