terça-feira, 13 de março de 2012

A minha maternidade

Eu ainda lembro os detalhes daquela manhã de 2003: há meses dormia mal, mas há três dias eu só tirava alguns cochilos. Então levantei às 6 hs, sentindo uma dor muito fina, uma cólica que não chegava a impedir nada, mas era incômoda. Era uma cólica que havia dado sinais nos dois dias anteriores, com hora para começar e terminar. Mas naquela manhã ela havia começado às 3h e ainda permanecia. Eu liguei o vídeo-cassete (sim, em 2003  usávamos fitas para gravar) e fui assistir o capítulo da noite anterior da série 'A casa das 7 mulheres'. Enquanto as cenas se passavam, eu fui tomando consciência de que minha cólica ficava um pouco mais forte a cada vinte minutos, ou menos, eu acho, a barriga se contraía. Era 6:40 hs da manhã quando liguei para meu médico e ao falar do que eu sentia, ele pediu que eu fosse vê-lo. Então fui avisar a minha mãe, que prontamente se arrumou, e eu, calmamente via o final do capítulo e programava o vídeo para gravar o capítulo seguinte. Naquela manhã, meu médico, Drº John Lee Filho, estava em plantão na maternidade que eu havia escolhido, Manoel Novais, em Itabuna. Era perfeito. Liguei para meus dois irmãos, que naquela data estavam na cidade e prontamente vieram para nos levar ao hospital. Realizei a consulta às 8:30 hs, ele verificou que havia dilatação de pouco mais de dois dedos e eu fui enviada para uma sala de preparação íntima. Ali perdi todo e qualquer pudor. Sentir uma estranha passando um aparelho de barbear em partes íntimas que eu nem enxergava, por conta do barrigão, me provou que eu precisava confiar nos profissionais e deixar que meu corpo fosse o veículo para que a vida do meu filho viesse ao mundo. Ele não era meu corpo naquele dia.
Aplicaram-me soro com medicação. Imediatamente senti a bolsa de líquido amniótico se rompendo. Não demorou nadinha, pelo menos para o tempo que se conta com dor, que parece longo, mas a enfermeira disse que o bebê estava coroando. Então fui levada a outra sala, desta vez na maca, para ficar vendo outras mulheres gemendo também em trabalho de parto (e algumas gritavam, o que fazia eu me conter), enquanto eu repetia sem parar: 'Maria, Jesus, me ajudem' e respirava conforme havia aprendido no Pilates. Eu me sentia tranquila, com aquela dor enorme que me dilacerava, mas eu sabia exatamente o motivo. Enquanto isso, meu irmão Marcelo avisava a Cris que nosso bebê estava à caminho. Então as 9:50 hs, já em uma sala de parto, Arthur nasceu, dez minutos depois do médico entrar, olhar pra mim e dizer: 'que parturiente facinha é essa? eu saio um pouco e ela faz o serviço quase todo sozinha?' Sim, tinha sido sem anestesia. E foi impressionante como toda e qualquer dor cessou quando ele chegou. Arthur chorou e Cris o ouviu pelo celular.  Eu, ligada em tudo, pois essa é a vantagem do parto normal, acompanhava todo e qualquer movimento. Meu filhotinho teve uma limpeza rápida na sala de parto, foi pesado e depois colocado em meu peito, para sugar com uma força que me impressionou (guri esperto). Foi quando eu senti verdadeiramente o meu papel de mãe. Nascia um filho e nascia uma mãe. Fomos para o quarto e eu olhava aquele menininho pequenino, com 2.600 kg, de olhos enormes, e acho que ali começou o mais lindo caso de amor da minha vida. Eu estava irremediavelmente apaixonada.
Um amor incondicional. Ele completa hoje mais um ano de vida. É criança inteligente, aventureira, argumenta tudo, compreende facilmente as coisas, e me surpreende o tempo todo nesse caminho de maternidade. Vale conferir nossos embates.  Quem aparece aqui no Blog de vez em quando sabe que há muitas histórias envolvendo meu rapazinho. Aliás a ideia do  blog surgiu porque viajo muito, e como todo mortal, penso que posso ir sem falar ao meu filho tudo o que penso. O Blog serve para deixar registrado coisas que quero que ele saiba. No exercício da maternidade, a cada 13 de março, reitero esse compromisso com o Divino, de saber que a maternidade não é posse, é apenas amor sem esperar nada em troca, e um super desejo que nossa cria possa ser sempre mais e mais feliz.
 

2 comentários:

Isa disse...

Arthur, muito lindo.
Nunca o vi pessoalmente, mas pelas fotos vejo que se parece muito com você. E de pequenininho já tinha a carinha que tem hoje. Lindo!
Lindo também o seu relato, todas as pessoas falam, e eu não consigo imaginar o quão mágico deva ser esse momento e todos os outros que o seguem.
Um beijo e tudo de bom pro ser Arthur.

http://invanillasky.blogspot.com

Bel disse...

Não participei dessa fase linda, mas pude sentir como se estivesse vivido junto, com essa sua descrição diga de roteiro de vídeo. ;)

Adorei poder conhecer Arthur, e ver de perto o quanto ele é precioso!
Parabéns pra ele e pra você, que é uma mãe porreta!

Te amo!!!