sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Para Lulu

Minha vida está congelada, Lulu, desde a a última vez que te vi. Cheguei em casa, mas meu coração ainda está na energia cantante de quem te viu no palco... Madrugada... mas eu ainda estou em uma sexta que parece não querer acabar. Só me interessa voltar ao ponto de onde eu parti. Lembro do primeiro show (Expoita - Itabuna, nos tempos em que a região do Cacau recebia os artistas top do rock nacional). E lá estavam eu, Binho, Tiane, Murilo e Aldrin. Aldrin Góes, apaixonado por estar ali, gritava feliz, era de uma energia radiante. Era seu maior fã. Naquela época era só fechar os olhos, e deixar o corpo ir, no ritmo... Tudo era muito lúdico. Tudo bem, tudo zen, meu bem. E hoje foi como se eu voltasse no tempo e visse aquela menina, lá, naquela platéia. Uma outra época... Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. Mas hoje, por um momento fiz a viagem de volta. Eu vi todos os sonhos destes últimos 20 anos. Lembrei de quando te vi em Cuiabá, e de uma vez em que deu entrevista na Rádio CBN Pantanal, onde eu trabalhava, em Campo Grande... e fui relembrando Lulu, do quanto suas músicas sempre revelaram um tanto de mim. Sempre me senti plugada na vida, curando a ferida. Porque sabia que nem sempre é "so easy" se viver... as frases iam marcando momentos, fases que não foram fáceis, mas que ajudaram a me tornar o que sou hoje. E, lá estava eu, insistindo na questão do desejo, pra não deixar se extinguir. As suas letras, tão utópicas, falando de cura, de uma nova humanidade, mais bonita e sincera. Eu acho tão bonito isso de ser abstrato baby. A beleza é mesmo tão fugaz. Mas Lulu, vi que a vida passou. Estou com o dobro da idade que tinha e falta eu acordar. Ser gente grande prá poder chorar... Sabe que não tenho um único CD ou DVD seu? e dancei todo o tempo, em todos os shows que fui... E nesse não foi diferente, cantei todas as canções e só pensava: Vamos dançar, luzir a madrugada. Inspiração pra tudo que eu viver. Mas você precisa entender meu jeito de te querer, pode até não ser como você imaginou. Quando você cantou que ainda era o último romântico, achei que parecia um sonho de criança sob o sol da manhã. E fiquei pensando, será que eu não vejo, não ouço nada? Só o passado rondando minha porta feito alma penada... Foram duas horas de viagem no tempo, Lulu. Depois acabou. E o final parecia me trazer de uma outra dimensão. O retorno foi cruel. Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim.
Mas se minha vida ninguém manda não e eu vou além desse sonho... Considerando justa toda a forma de amor, aqui sou eu sozinho, do outro lado não sei não... E tomei consciência que hoje meu tempo voa, escorre pelas mãos e mesmo sem se sentir que não há tempo que volte, Lulu, eu vou viver tudo o que há pra viver. Eu vou me permitir...

Nenhum comentário: