domingo, 26 de julho de 2009

Minha geração está morrendo

Um dia, ao entrevistar minha avó, que tem 93 anos, perguntei o que era mais complicado no processo de envelhecimento. Ela me respondeu que era ver seus filhos, seus irmãos, seus amigos morrerem... ver o outro, seu contemporâneo, que você estima a convivência, ir para um lugar desconhecido, ou apenas desaparecer, conforme a crença, é realmente muito complicado.
Hoje perdi um amigo. Uma pessoa que só me traz boas recordações. Calma, tranquila, que estava sempre com um sorriso. Não era da minha convivência diária, mas nas vezes que nos encontramos nesses quase nove anos que o conheço, era sempre uma pessoa muito agradável.
E como conhecia sua vida familiar, sabia de alguns de seus projetos, de seus sonhos. E só consigo pensar no quanto ele era jovem para morrer.
A ficha caiu quando percebi que é um contemporâneo meu, indo embora. É alguém de minha idade que tem seus dias terrenos interrompidos.
Ontem eu estava tão mórbida, a morte rondava meus pensamentos, não a minha morte, mas a morte, a perda. Talvez intuitivamente eu estivesse sendo avisada dessa perda.

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