quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A ave do Paraíso

Tá, completei cinco. Seguindo a tradição (ou seria superstição?), fechei o ciclo de tatoo, pelo menos desse período e ainda revitalizei as antigas.
Eu, até meus 30 anos, tinha preconceito sobre tatuagens.
Há uma hipótese de que o homem das cavernas, ao ter marcas involuntárias adquiridas em guerras, lutas corporais e caças, passava a ter o reconhecimento do grupo. Partindo da idéia de que marcas na pele seriam sinônimos de diferenciação e status, o ser humano passou a fazer suas marcas voluntariamente, ferindo o próprio corpo, e com o passar do tempo, essas marcas foram substituídas por desenhos onde se utilizava tintas vegetais e espinhos para introduzi-las à pele. Os mais diversos povos começaram a usar pinturas definitivas por motivos espirituais, em rituais de várias espécies e fins, para a guerra, para marcar os fatos da vida biológica: nascimento, puberdade, reprodução. Mas houve ainda quem tatuassem o outro como forma de desmerecimento.
Eu devo ter sido prisioneira, escrava ou adúltera numa vida passada, talvez tatuada para revelar meus erros, ou apenas para demarcar que era propriedade de alguém, porque sempre tive preconceito de marcas no corpo. Eu até deixei de namorar meninos tatuados e quando, aos 17, Binho, meu namorado há quase dois anos, apareceu tatuado, foi um desespero. Meu pai deixou de falar com ele e eu fiquei triste com aquela imagem que não desgrudava do peito do moço. Era uma sereia com asas. Achei precipitado aquele jovem bonito de 18 anos, já marcado. Não demorou e meu irmão Marcelão fez um dragão no braço. Era horroroso! (ele transformou em sereia anos depois). Ah, meu pai quase teve um infarte com o dragão, minha mãe lamentou e eu, mais uma vez, fiquei triste por ele, ainda aos 17, 'dragoado' até a alma!
Vida que segue. Não namorei mais ninguém tatoado. Wil (quase nove anos de namoro) e Cris (seis anos), tinham corpos limpinhos. Eu nem pensava em me tatuar.
Quando Arthur nasceu, não sei, acho que revi muitos conceitos. Um deles foi sobre marcas. Eu queria a marca que dissesse ao mundo que eu agora me sentia brilhar. Queria dizer que me sentia guia para alguém e fiz uma estrela.
Dois anos depois, mais duas: a marca da felicidade, simbolizando que mesmo triste eu teria a felicidade em mim e a fada, que significa que basta acreditar e tudo se realiza.
Agora a frase forte sobre não se importar com coisas menores e para completar, uma ave do paraíso. É que adoro voar, e cantar e isso me leva ao paraíso.

Bom, sei que com a idade minhas tatuagens vão despencar. Já imagino o pássaro todo tortinho ou a frase com letras garranchudas (rs).
Mas curto-as tanto, sinto como partes de mim, e elas me lembram todo o tempo que felicidade, luz, desejos realizados, evolução e paraíso só dependem de minha postura diante da vida.

Um comentário:

Isa Mozzer disse...

Suas tatuagens são lindas. Legal, q elas carreguem tanto significado assim. E é importante, né? Pq assim vc vai saber o pq de tal tatuagem, qd os anos passarem (é, pq tem gente q esquece: 'nem sei pq eu fiz...').

Qd fazemos as coisas conscientemente toma uma nova forma, não é?

Beijos, abraços, e tudo de bom nesse fim de ano pra você!