sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Estou cada vez mais longe das gerações que preciso dialogar

Tenho tido experiências estranhas com as novas gerações de graduandos. Ensino em universidades desde 2001. Nos últimos três anos tenho vivenciado situações que não me deixaram boas impressões. Fico me perguntando como estes futuros profissionais vão ser recebidos pelo mercado.
Sempre procuro deixar claro que não estou formando estudantes. Foi assim que entraram no ensino fundamental e médio, e assim o finalizaram. Estudantes. Mas agora não, ajudo na tarefa de formar profissionais, provavelmente colegas de trabalho (comunicadores, documentaristas, roteiristas, jornalistas, gestores de comunicação, assessores...). E como futuros profissionais, cobro que tenham maturidade para tanto, em todos os aspectos, incluindo obtenção de conteúdo pertinente, na execução de tarefas práticas, importantes para formação profissional e domínio de ferramentas, mas sem esquecer que ajudo a formar gente e aí, pesam questões éticas, de comportamento, de saber se relacionar, etc. Comunicadores são formadores de opinião, são exemplos a serem seguidos, enfim... que profissional queremos? que profissional formamos?

E por formar profissionais, não fico em dúvida que fiz minha parte, quando vejo um estudante que não se esforçou desistindo da disciplina ou reprovando. Eu sou justa, avalio com dez quando a tarefa efetuada cumpriu o que foi proposto, assim como avalio com nota menor a partir da comparação das produções e do empenho entre os estudantes de uma mesma turma.
Mas tenho ficado irritada com a visão colegial que eles tem da universidade.

Vejo muitos com preguiça de ler, de tentar entender, de tentar dialogar com autores mais complexos. Muitos chegam donos da verdade, acham que os textos acadêmicos são redundantes. Falam de apenas um único assunto em todo o texto e acham que a profundidade de um tema, onde o autor esgota todas as possibilidades, não passa de círculos e 'masturbação' intelectual (estou usando o termo que ouvi). Como explicar então que editores e leitores acreditam na obra, na profundidade da obra e que a 'masturbação' nada mais é do que bom embasamento, argumentos e fundamentação da teoria defendida? E como esses autores redundantes publicam suas obras e são lidos em muitos países?

Estou mesmo distante das novas gerações. De alguns, lá se vão 20 anos de distância. Aos 17, 18, muitos ainda não sabem como sentar de forma elegante, colocam os pés em cima das carteiras, como se estivessem na poltrona de casa, assistindo TV. Atendem celular na sala, saem toda hora, interrompendo o andamento da aula e entram também de qualquer jeito em sala, puxando carteiras e deixando claro que chegaram para atrapalhar as atividades. Será que assim o farão durante entrevista para emprego ou quando forem donos do negócio diante de cliente?

Acho tão esquisito ver estudantes de graduação, futuros profissionais, extremamente despojados, sem postura profissional alguma... E como são indelicados em situações que pediam cautela e uma certa diplomacia, com os próprios colegas ou com professores e visitantes...

Como esperam ser indicados por um professor para assumir estágio, emprego, ou chance de se revelar, quando já se mostraram tão imaturos? Não estão conseguindo perceber o valor do patrimônio social que se constroe na universidade. Como querem ser bolsistas se não cuidam do currículo, da imagem e da reputação?

Eu, do meu lado, perdendo o 'T' de trabalhar com os primeiros semestres dos cursos... estou ficando careta.

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