sábado, 11 de junho de 2011

Reaprender a tocar

O toque foi o objeto do estudo da última sessão do psico-drama. Nosso professor/terapeuta falou da importância de nos tocarmos e tocarmos o outro, sentindo esse calor que emana dos corpos.
Ele é argentino e se surpreendeu de ver que no Brasil, onde as pessoas são tão alegres, expansivas, o toque é uma questão complicada. Homens brasileiros não se tocam com carinho. A afinidade se traduz por um abraço com tapas nas costas, batidas entre as mãos, ou tapinhas no peito do outro: coisas de amigos. Na Argentina, quando há amizade mesmo, os homens, ao se encontrarem, beijam-se como sinal de afeto. Já as mulheres, ele percebeu, dá beijos sem encostar os lábios no rosto uma da outra e nos abraços, há um afastamento natural, como se os corpos fossem do peito pra cima.
E homens e mulheres só sabem se tocar se for com finalidade sensual ou sexual. Afago entre amigos de sexos opostos então! _ele disse que é mais complicado ainda.
Dos cinco sentidos expostos, que exploramos desde sempre, o professor falou que o tato, o toque, é o único que não tem intermediação, Precisamos de luz para ver o outro. De ar para escutar o outro. De saliva que lubrifique as papilas para sentirmos sabor, de ar mais uma vez para que o cheiro das coisas cheguem ao nosso nariz. Mas o toque não, é nossa pele sobre algo e já sentimos se está quente, frio, se é áspero, se é liso, suas dimensões. Enfim... e pelo toque transmitimos e sentimos a energia que temos e a energia do outro.
Somos seres que não sobrevivem bem sem toque e desenvolvemos manias, fobias, neuroses por falta do toque que não recebemos na hora certa.
E deu um exemplo chocante: Tem crianças que teimam em irritar seus pais, que nunca faz um carinho nelas, mas que as tocam para bater, para beliscar... e o inconsciente quer qualquer toque.

A lição depois dessa sessão? precisamos nos tocar mais, nos afagar mais. Tocar nosso corpo com cuidado, com respeito e admiração e deixar claro para nós mesmos que nos aceitamos, nos queremos bem. E tocar nossos filhos com afeto, dando-lhes a certeza que são amados. E nossos amantes, tocarmos não só na hora do sexo, mas com carinho, gesto limpo de sensualidade, apenas com o calor de um ser humano que se preocupa com o outro.
É só desta forma que vamos ampliar o tato, que ganhará mais sentido!

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