sexta-feira, 1 de julho de 2016

Caminhos do Doutoramento

Desde que terminei o mestrado, em janeiro de 2005, jurei para mim mesma que só faria doutorado se tivesse a sorte de encontrar outro orientador como o da graduação, meu Mestre Doutor Jorge Ijuim ou como meu Doutor amigo Alexandre Schiavetti, do mestrado. Explico: por mais complicado que seja escrever e pesquisar para produzir conhecimento, quando somos bem orientados, sabemos exatamente onde estamos indo e isso nos fortalece.
Mas também jurei fazer algo que me desse prazer e que fosse de retorno social, como acho que foi o livrinho da graduação, O Fotojornalismo: Informação, Técnica e Arte, que duas universidades assumiram como livro da Bibliografia Básica, em 1998. E também, de menor impacto, mas importante, a história ambiental e o registro estatístico das RPPNs no sul da Bahia, em meu mestrado.
Por isso minha insistência em cursar disciplinas da FACED, na UFBA, e do PPGEDUC da Uneb, como aluna especial, na esperança de conhecer um professor que me encantasse e topasse me orientar, acreditando que a área de Imagem, da qual sou apaixonada, pudesse somar para a área da Pedagogia. Infelizmente isto não aconteceu, muito embora tenha encontrado professores maravilhosos nesta caminhada. E que muito acrescentaram em minha vivência como professora universitária.
No ano passado, pela felicidade de ser a primeira liberada por quatro anos para o doutorado em meu colegiado, tomei coragem e fui pesquisar fora da Bahia, os programas que mais trabalham com imagem. Achei na UEL, Londrina, mas mestrado, na PUC SP, na UFF, Niterói e em Santa Catarina. Fiquei analisando o trabalho que daria ir morar fora da Bahia por quatro anos e vi que não ia ser fácil. Mudança, aluguel, adaptação, etc. E sem nenhum tipo de contrapartida cultural.
Depois de saber de algumas amigas que tinham feito sanduíche ou doutorado integral em outros países, eu me animei. Pois se era para mudar e ter trabalho, que ele fosse justificado pela contrapartida de conhecer algum lugar distante, interessante e culturalmente rico.
Pois bem, comecei a pesquisar, ver as questões de validação de diploma, o nível das universidades, lembrando que eu já tinha pesquisado sobre  isso quando estive em Buenos Aires e em Montevidéu, por  gostar das cidades, mas não havia gostado dos programas doutorais.
É estranho como temos uma forte herança portuguesa, mas pouco conhecemos sobre Portugal. Apesar de ter como referência na minha área um autor português, o Professor Dr. Jorge Pedro Sousa, que escreve muito sobre Fotojornalismo, eu pouco sabia sobre a qualidade das universidades ou de vida nas pequenas cidades daquele país. Apenas sabia curiosidades sobre Lisboa e um ou outro detalhe por amigos que sempre a visitam.
Depois de extensa pesquisa, fui ler os programas doutorais e me surpreendi. Gostei particularmente de  três e me inscrevi. Fui selecionada nos três, fiz a escolha tendo em vista o ranking da universidade, as linhas do programa e a qualidade da cidade, que está entre as melhores cidades a se morar na Europa.
Ainda não sei quem será meu orientador. Já identifiquei alguns docentes que trabalham com imagem e rogo ao universo que eles sejam meus professores e que sintam simpatia por minhas temáticas de pesquisa.
Tenho pesquisado sobre pose e empoderamento, gordofobia e gerascofobia, selfie, nudes, etc. Mas não descarto enveredar-me por outros caminhos de pesquisa. Também imagem, filosofia e educação me dão forte motivação, retomando Vilém Flusser.
Agora estou na expectativa de organizar documentação e ir em busca dessa realização, um doutorado em minha área de atuação, com um orientador que seja fraterno e generoso. Espero voltar aqui para contar o fim dessa saga.



Um comentário:

Unknown disse...

Não é fácil sair, mas agora não é mais difícil. Amo sua escrita, bj!