quinta-feira, 27 de março de 2014

Com o coração nas mãos

A pessoa especial que o universo me presenteou, é mesmo muito especial para mim. É especial para muita gente. E nesse momento estamos todos em energização, enviando para ele o que há de melhor no universo, em função de uma cirurgia cardíaca que acontece hoje. Mas eu queria falar da minha experiência em estar ao lado de quem vai operar do coração. Operar é sempre uma barra... eu operei da garganta, aos seis aninhos, para retirada das amígdalas (coisa tão 'out', mas moda nos anos 70), fiz um procedimento cirúrgico para retirada de um cisto no seio em 1999, algumas pulsões, também para eliminar cistos, e há alguns dias fiz core biopsy também no seio. E só. Meu medo de hospital e de procedimentos invasivos é tão grande que eu não quis operar para ter filho e fugindo da regra, aos 33 anos (na época, era considerada gestação idosa), eu não quis cesariana e tive Arthur de parto normal e sem anestesia. Sim, fujo da faca. Pois bem, é sem essa referência de dor, de período de convalescência e de sofrimento em pós operatórios, que convivo com um homem que já operou duas vezes do coração e está indo hoje para a terceira. Sim, ele tem. Ele já sentiu o que é ficar numa maca, entrando em uma sala, para dali a instantes iniciarem uma manipulação do seu órgão vital mais falado, mais sentido. Aquele que dispara, que bate todo tempo e avisa que a vida pulsa. Então, para ele, operar coração remete a muitas sensações, emoções e sentimentos. Soubemos há um mês que ele operaria no final de março. E desde então venho lidando com os medos dele e os meus. Os dele são os mais variados possíveis. Medo das horas que precedem, dos procedimentos, desde as enfermeiras que furam braços e aplicam injeções e enjoos do cateterismo, que ele já fez ontem e temia tanto, e das dores dos cortes, dos pontos após e da dor nas costas e no peito, porque manipulam o tronco por horas e ... enfim, ele me descreveu tantas vezes as cirurgias que até eu senti dor. E os medos existenciais... medo de sequelas, de falhas, medo de ir e não voltar... medos humanos de quem sabe que ficará com o coração nas mãos dos outros (dois médicos vão operá-lo). Foi um mês difícil. Nervoso, irritado, vi ele brigar com tudo e todos, inclusive comigo. Até tratei com minha terapeuta a minha dureza, ao dizer a ela que achava que ele estava manhoso demais. E ela, que já operou o coração também, me falou de cada etapa, das dores, e de como é difícil lidar com essa questão de manipulação de um órgão tão vital. Puxa, que insensibilidade a minha, me toquei. E pedi desculpas a ele, há cerca de uma semana, por não ter a referência de dor, como a dele e as vezes parecer que acho tudo fácil de ser superado. Ele, talvez por conta da ansiedade, passou muito mal por dois dias antes de viajarmos e eu, ao seu lado, só rezava e rezava... Com a falta de referência de quem nunca operou, mas que tem um apego espiritual ao princípio que a Divina Providência protege e providencia o melhor, eu só o conforto e digo todo o tempo: confie! Estamos em São Paulo, no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese. Consegui acompanhá-lo nesse momento difícil e estou participando de todo o processo do pré-operatório. Antes de ontem fez cateterismo. Ontem já ficou internado, nos procedimentos que antecedem a cirurgia. Conheci um dos médicos que vai operá-lo ontem, e ele nos explicou que, como meu amado tem duas cirurgias anteriores, os médicos precisam primeiro ir garimpando, para achar o órgão com cuidado, pois é um coração já manipulado duas vezes, há procedimentos anteriores que modificaram a estrutura original, então é nisso que levarão um certo tempo, para não desarrumar o que foi feito, e depois, fazer o novo procedimento, neste caso, a substituição de parte da aorta que está dilatada. Vejo os olhos do meu bem se encherem de lágrimas. Vejo um homem forte virando um menino... Pois bem, acompanhei o pós cateterismo no hospital e o pré-operatório. As diversas picadas (três enfermeiras em duas horas vieram tirar sangue, um absurdo! porque uma não tira tudo????)... conversas com cirurgião, com anestesista, com equipe que auxilia, um super ritual... Eu fico tensa, imagino ele! Depois de amanhã, sábado, ou no domingo, quando ele voltar da UTI, eu serei sua acompanhante. Já soube que fica complicado tudo, que dói demais, e espero um 'moço menino bebê' para eu cuidar. Mas eu espero mesmo, é que Deus coloque ele no colo, que o universo conspire para que os cirurgiões façam o melhor, inspirados pela espiritualidade amiga, e que todas as orações dos pais, dos filhos, dos irmãos e das pessoas amigas, que o querem muito bem, o ajudem a passar por tudo isso. Ps: volto aqui para dar retorno. Hoje é dia 28. São 16:10h. Foi uma cirurgia complexa, mais de seis horas, terminou ontem por volta das 20h, com dificuldades nas primeiras horas. Superou após a madrugada. Acordou depois das 8h de hoje e já está conversando. Vai ficar em observação na UTI, mas se Deus permitir, desce para quarto amanhã as 13h. Vou 'internar', serei acompanhante. A todos que enviaram boas energias, meu muito obrigada. O Universo, com sua lei do retorno, com certeza, devolverá a cada um, em boas energias, tudo o que desejou a meu amado.

3 comentários:

Maranhão Viegas disse...

Querida Alene.
Força e fé. Tudo vai dar certo.
Daqui de longe compartilho boas energias
com você e com ele.

Um beijo, querida.

Gênia Darc disse...

Poxa, estou de coração partido, quem o conhece pouco, como eu, não imagina q já passou por tudo isso, pois é uma pessoa tão cheia de vida. Ele superará mais essa fase com fé em Deus. Que Deus esteja com vocês neste momento.
Vai dar tudo certo

crislly disse...

Poxa que depoimento emocionante...sou eternamente grata por partilhar sua experiência . Estou neste exato momento internada no Dante Pazzanese,serei operada na próxima segunda feira,tenho 26 anos,operei quando tinha 1 aninho, e cá estou eu hj...Desejo que esteja tudo bem com seu marido.