sábado, 16 de julho de 2011

Já não tenho grandes amores

Vivi dois grandes amores: dos 16 aos 19 anos em Itabuna e dos 20 aos 28, entre Itabuna, Cuiabá e Campo Grande. Era jovem e achava que poderia mudar as pessoas. Achava que eu poderia mudar em minha essência. Mas o final destes amores me mostrou que não. Por mais que sejamos amados e amamos alguém, não se muda ninguém, tampouco abrimos mão do que nos torna diferentes. E esse fator diferencial entre as pessoas é o que pode unir e depois afastar.
No meu primeiro grande amor, eu queria que ele estudasse e percebesse no estudo, a valoração que eu dava. Ele malhava, desfilava como modelo, era lindo e acho que queria que eu fizesse o mesmo comigo: me cuidasse e me vestisse como suas amigas. E eu, fazendo concursos, trabalhando, fazendo faculdade... Éramos de mundos tão diferentes. E isso nos atraiu, depois nos afastou. Eu o amo até hoje, um amor doce, puro, que só deseja o melhor. E o melhor sempre foi longe de mim.
Depois, meu segundo amor, foi ainda mais intenso. Haviam elementos a mais e até moramos juntos, numa época em que meus pais esperavam que eu me casasse, quando meus dois irmãos casaram, quando meus dois irmãos tinham filhos, e eu apenas observava a rotina da relação que havia optado.
Éramos tão parecidos, eu e meu segundo amor: mergulhávamos no conhecimento e enquanto ele descobria tudo sobre informática, em 1991, quando ninguém sabia bem o que era isso, eu mergulhava em fotografia. E passávamos horas falando de coisas interessantes. Viajávamos por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em incontáveis viagens de muita conversa. Eu enveredando no jornalismo e ele quase largando a veterinária, sua profissão de origem para se dedicar à tecnologia. Mas existiam manias e vícios que nos afastavam e não houve vontade certa para abandonar. E nos separamos com dor. Eu o amo e vou amá-lo para sempre: Ele ajudou a me tornar o que sou hoje. Mais determinada, mais independente, mais mulher.
Levei algum tempo para gostar de outras pessoas. Mas sempre com um pé atrás. E foi assim com o pai do meu filho. Ele já não foi um grande amor, mas um amor na medida certa, um amor que me fez perceber que não ia mudar ninguém mas que enquanto estivesse bom para todos, estaríamos juntos. O final, mesmo tendo uma criança, planejada e amada, foi tranquilo na medida em que finais podem ser. E hoje, apesar de discordamos em muita coisa, o considero um amigo. Eu o amo na medida em que amo tudo o que possa fazer meu filho feliz. E desejo para ele sempre o melhor, porque ele me deu o que tenho de melhor neste planeta: Arthur.
E sigo assim desde então, tendo amores na medida certa. Sem muito stress e sofrimento, cheios de momentos lúdicos. Alguns não sabem nem que são amados, que são amores. Porque já não se declaram os sentimentos hoje em dia. Sentimentalidades estão fora de moda. Mas os amo, pois na medida em que me fazem ou fizeram feliz, merecem esse amor. E sei que são pessoas maravilhosas.
Outros, declaradamente, sabem de minha estima e sempre que nos vemos são grandes abraços, que nos colocam no colo. E mesmo sabendo que esses amores vão ficando no passado, sempre sem retorno, porque não vamos mudar, então sabemos que é preciso aceitar o outro como é, e se não há chance de conviver, manteremos o contato afetivo à distância.
Sei que ao envelhecer, corro o risco de olhar pra trás e me perguntar porque não consegui manter nenhum dos meus amores. Mas sei também que no caminho terei essências ricas que vivenciei, na medida em que esses amores se deixaram amar e me amaram, da maneira que podiam e queriam. E isso é enriquecedor como ser humano.

Um comentário:

Bel disse...

Sem comentários. Você mostrou que sabe todas as respostas.