terça-feira, 30 de junho de 2026

A pausa imensa

Há algum tempo, não consigo precisar quanto, venho convivendo com a menopausa. Começou ainda quando eu tinha uma menstruação que falhava, mês sim, mês não e ficou assim por alguns anos. Mas já havia uns calores noturnos, uma insônia sem motivo e uma angústia que não se justificava. 

Quando a menstruação foi mesmo embora, pensei que ficaria livre, mas tudo se intensificou. Os calores passaram a ser insuportáveis. Eu ignorei reposição hormonal. Não sei porque mas eu achava que daria conta. Depois, vencida, procurei uma ginecologista com esse propósito, Foram dois anos de Tibolona e nenhum grande avanço. Há dez meses, mudei para Estradiol, com bons resultados. 

Os calores são mais leves agora. A angústia acabou. A insônia anda menos intensa. E minha névoa mental, uma espécie de esquecimento de palavras, de atividades do dia a dia, parece que está sob controle. Há uma pausa de tantas mudanças. 

Confesso que foram anos muito difícies, esses últimos com esse evento que era tão desconhecido e não dimensionado. A Menopausa é ainda um período feminino pouco decifrado. 

Eu tomei injeções para não menstruar, por anos. Pílula também. Passei quase toda a minha vida fértil sob controle rigoroso para não ter gravidez indesejada. 

Fui muito feliz pois quando quis engravidar, meu corpo respondeu positivamente de forma rápida. Mas acho que ali havia uma questão espitiritual da necessidade da vinda de Arthur. 

Mas sinto que na menopausa, estou a pagar o preço do controle hormonal excessivo ao longo de uns 15 anos.