domingo, 25 de junho de 2017

Uma queda e mudam-se planos, pontos de vista e energia

Eu escorreguei. Para não cair, tentei me equilibrar e intuitivamente, joguei meu peso na perna direita, que não suportou. O 'creck' que escutei parecia vir da minha alma. Caí.
A queda não foi por ter escorregado. Foi algo além. O joelho, sobrecarregado pelo peso do reequilíbrio, pareceu sair do lugar. Eu caí de dor. Uma dor aguda que saiu do joelho para toda a perna, que pendeu e eu caí.
Conto em tantas frases algo que foi rápido. Mas em minha mente foi lento porque eu tentei entender naquela fração de segundos o que estava a acontecer.
Na queda, uma incompreensão, pois eu tinha conseguido me reequilibrar.
Mas o joelho não suportou o movimento rápido nem o sobrepeso.
Resultado: uma entorse de ligamento cruzado posterior.
Machuquei o joelho direito e tudo na minha vida pareceu pender para o esquerdo da vida.
Um dia depois da queda, com muita dor, eu me dei conta que estava tudo errado: eu, sem parentes em um país estranho, morando em uma casa afastada, sozinha na casa, em estado físico debilitado e emocionalmente em queda.

Os primeiros dias foram praticamente de cama. Gelo. Pomadas.


No hospital tiraram radiografia. Nada quebrado. Eu já sabia. Deram-me injeção, comprimidinhos embaixo da língua para relaxar. Uma receita com anti-inflamatório, relaxante e remédio para dor e a recomendação de repouso. Nada de imobilização, nada de ressonância...
Eu esperava um tratamento diferente do que recebi e isso também teve um impacto no meu já debilitado estado emocional.
Como assim, ir para casa e repousar? como assim se eu coloco a perna no chão, tento andar e se equaciono o peso do corpo sobre a perna com o joelho magoado, dá-me uma dor aguda... explico ao médico, ele me olha mas parece que não me entende. É um clínico.
Nem a um ortopedista fui encaminhada.

Então o jeito foi apoiar sempre o peso na outra perna e andar muito devagar.

Dias depois o inchaço diminuiu, mas o joelho continua tendo vida própria. É como se houvesse algo solto.
Se eu apoio o peso nas duas pernas e caminho, do nada meu joelho vira sozinho e só sinto a dor aguda.
Remédios e repouso.
Mas passei a repensar muitas questões sobre estar fora e só. E também sobre como Portugal trata entorses de ligamento de joelho. Eu, paciente, estou tentando cuidar de não ter sequelas, pois para o médico que me atendeu, o fato de não ter quebrado era só o que contava...

Dez dias em casa. A rotina permite no máximo sentar e estudar. E em todas as vezes que tentei colocar todo o peso sobre a perna machucada, para andar de forma normal, dores agudas.
Mas é preciso sair, fazer coisas que não esperam.
A outra perna, que tudo passou a sustentar, agora dói também. A coluna está sobrecarregada. Sinto dores no corpo de forma generalizada.

Mas é a alma que não pára de doer.
A alma que quer mãe, que quer filho, também quer Pai e Espírito Santo. Sonhei com meu pai, o que não ocorria há meses.

A alma quer casa. Quer mimos.
Quem cai, despenca no humor, rola na ladeira abaixo da tristeza.

Hoje, dia 30, uma pequena edição para contar uma novidade: consegui emprestadas as muletas que devem começar a me tirar desse abismo.


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